Preparando o Brasil para a Copa e Olimpíadas
Fonte: Terra
Paulo Nassar
De São Paulo (SP)A boa comunicação foi decisiva para a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Daqui até lá pode parecer muito tempo, mas, acredite, não é. Afinal, vencida a primeira etapa em que soubemos aproveitar as condições históricas, políticas, econômicas e psicológicas para destacar, convencer e vender o país como o lugar, surge o desafio de cumprir o combinado, no que tange a ter disponíveis infraestrutura, transporte, segurança, serviços, nos prazos e com toda a logística em funcionamento. Um desafio monumental e um compromisso assumido com o mundo, diretamente vinculado à nossa reputação.
Talvez o que ainda não esteja claro é que ambos os eventos começaram, na verdade, no dia do anúncio do Brasil como sede, e deveriam unir todos os brasileiros, independentemente de eventuais diferenças, para podermos ganhar esse jogo. Antes de os atletas desembarcarem aqui é preciso vender o Brasil como destino turístico para milhares de estrangeiros no mundo todo, gente que gosta de esporte, de viajar, de conforto, diversão, bem-estar.
É preciso valorizar e aprimorar ainda mais a nossa capacidade de receber e acolher gente do mundo todo, de oferecer produtos, serviços de qualidade, de expressar com encantamento nossos atributos culturais. É preciso trabalhar já a imagem do Brasil no exterior e preparar os brasileiros para isso. Devemos procurar corrigir a imagem distorcida de país atrasado, do turismo sexual, do trabalho infantil, da violência urbana. Os jogos deverão impulsionar os negócios das empresas brasileiras e os empregos para brasileiros. É preciso preparar-se internamente.
As cidades que sediarão a Copa em 2014 devem enfrentar desde já suas questões sociais, urbanísticas, ambientais e políticas. Será necessário transformar o espaço público, criar condições para a circulação segura dos visitantes, estrangeiros ou brasileiros. É urgente a revitalização e restauro do patrimônio histórico das cidades, o acesso e a infraestrutura de parques naturais, a modernização e construção de aeroportos, portos e estradas, hotéis etc., além de medidas educacionais, políticas e econômicas, as cidades deverão passar por grandes mudanças no paisagismo e na programação visual, a ser feita em mais de uma língua.
Podemos aprender com a Copa na África do Sul. "No exterior a venda de ingressos não vai bem, 300 mil reservas de hotel para a o Mundial foram canceladas" informou o jornal Bom dia Brasil, da TV Globo, em 15/4/2010. "E como havia 500 mil ingressos encalhados, um fracasso de venda pela internet, a FIFA, preocupada, começou a vender entradas a preços menores para os sul-africanos, em lojas e agências bancárias espalhadas pelo país. Mudou a situação: será uma copa popular, com poucos turistas e muitos africanos".
Ou seja, para fazer dos nossos dois grandes eventos esportivos uma fonte de receita importante, um atrativo turístico internacional, que coloque o Brasil definitivamente no circuito não-exótico, precisamos estimular o desejo daqueles que podem nos visitar durante os jogos, vindos de todas as partes do mundo, inclusive daqui mesmo, mostrando nosso esforço e investimento como resposta ao entendimento de que cada um deles está de olho na maneira como tratamos as questões ligadas, por exemplo, à segurança, à violência urbana, o meio ambiente, às crianças, o transporte, à hospedagem.
São mesmo muitos desafios, de alta complexidade em curto espaço de tempo, com necessidade de investimento de valores imensos. Questões que vão além da comunicação, mas que passam e se apóiam nela.
Comentário:
É preocupante a situação atual do Brasil em relação a esses eventos. Aparentemente nada de concreto está sendo feito e o Brasil pode acabar fazendo a pior Copa do Mundo/Olimpíadas de todos os tempos se não resolver com urgência os problemas com alagamentos, trânsito, violência urbana e diversos outros menos aparentes, mas não menos importantes.
Grandes mudanças não acontecem soltas no ar e o "cumulativo" é tão lento que não merece ser levado muito a sério em comparação com as necessidades da população. Precisamos aproveitar esses eventos para unir todos os esforços possíveis na direção de nosso desenvolvimento interno e, consequentemente, criaremos uma "imagem legal" lá fora.
Transformemos a Copa e as Olimpíadas em ritos de passagem, que mudam a mentalidade, o ponto de vista, preparando para um futuro diferente com a "alma lavada", livre dos pesos do passado. (por favor, não levem isso no sentido poético/contemplativo, que é inútil, mas no sentido prático da coisa).
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