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Lula: "Meu Sucessor Terá Obrigação Moral de Fazer Muito Mais" pela África

 

O presidente brasileiro afirmou hoje que quem lhe suceder no cargo em Janeiro de 2011 está "moral, política e eticamente comprometido a fazer muito mais" por África.

Luiz Inácio Lula da Silva falava na sessão de abertura da Cimeira Especial entre a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Brasil, na ilha cabo-verdiana do Sal, depois de, momentos antes, ter sido homenageado pelos líderes oeste-africanos por ter posto África na agenda internacional.

Salientando que o Brasil "nunca seria o que é hoje se não tivesse África", devido ao tráfico negreiro dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, Lula da Silva indicou que a viragem para África é uma "obrigação moral" brasileira, salientando ser necessário "juntar as duas margens do Atlântico".

"Já fiz oito viagens e espero, até ao final do meu mandato, ter visitado 25 países africanos. Mas tem de haver mais esforços políticos, de todos os lados, para que haja a paz e estabilidade necessárias para o desenvolvimento das relações" entre os dois mercados, afirmou, referindo que "a dívida para com África não é mensurável".

Assumindo que o Brasil "é um parceiro de África nessa empreitada", Lula da Silva relevou o exemplo brasileiro na Agricultura, que no seu país, representa milhões de empregados, 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e permite abastecer em 70 por cento o mercado local.

Lula da Silva insistiu na questão, salientando que essa política agrícola insere-se nos programas de combate à pobreza, à fome e à desertificação e que podem ser "exportadas" para África, juntando-se às áreas da formação e saúde.

Também nas energias renováveis, o chefe de Estado brasileiro lembrou que o Brasil já desenvolveu o sector dos biocombustíveis, área em que considerou haver um "potencial enorme" no continente africano, manifestando a disponibilidade para "transferir a tecnologia" necessária, incluindo a que protege o meio ambiente.

A paz e a segurança, direitos humanos e as reformas políticas foram outros temas em que Lula da Silva insistiu, pedindo maior rapidez nas mudanças, mas sempre sem se referir expressamente à questão do narcotráfico na região oeste-africana, proveniente, maioritariamente, do Brasil, tal como reconhecem as organizações internacionais.

Lula da Silva lembrou ainda a decisão de criar uma universidade no Ceará (nordeste do Brasil), destinada a estudantes brasileiros e africanos, que terá como objectivo a formação de quadros de países de África entre as 10.000 vagas que terá o centro universitário.

"Só peço aos estudantes africanos que não arranjem namoradas brasileiras, uma vez que, depois, não vão querer regressar ao seu país", gracejou.

Hoje, Lula segue para mais uma digressão por África, que o levará à Guiné Equatorial, Quénia, Tanzânia e África do Sul.

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