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Discussão Sobre Ataque dos EUA ou de Israel ao Irã Ganha Corpo

Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Folha

 

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Ventos ameaçadores

A insistência do Irã em levar adiante seu programa nuclear, apesar da recente imposição pelas Nações Unidas de uma quarta rodada de sanções, vem reavivando o debate, nos EUA e em Israel, sobre a possibilidade de um ataque militar preventivo ao país persa.

A discussão ressurgiu com força quando o principal comandante militar americano, almirante Mike Mullen, afirmou à imprensa no início deste mês que "a opção militar tem estado sobre a mesa e segue sobre a mesa". Ganhou decibéis com reportagem da revista "The Atlantic" na qual o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, alertava que, caso os EUA não evitem que o Irã obtenha a bomba atômica, seu país teria de agir.

É consenso entre analistas internacionais que, embora Teerã negue a intenção bélica de seu programa atômico, o objetivo final do regime dos aiatolás é ao menos obter a capacidade de construir um artefato nuclear.

Mesmo que esse seja o caso, o tamanho da ameaça iraniana é muitas vezes sobredimensionado: apesar da abjeta retórica de seu presidente, que fala em varrer Israel do mapa, é improvável que, mesmo com a bomba, o Irã viesse a se aventurar a um ataque nuclear contra o país. Estima-se que o Estado judaico possua arsenal atômico, não declarado, de cerca de 200 ogivas, algo que o Irã levaria décadas para obter. Além disso, tem o apoio dos EUA, com seu enorme poderio militar.

Questões geográficas -como atacar Israel sem atingir os aliados palestinos do Hamas?- e religiosas -um ataque ao país atingiria Jerusalém, terceira cidade mais sagrada para o islã- também parecem tornar improvável uma ofensiva iraniana.

Ainda assim, pressões políticas internas poderiam levar Israel a agir militarmente contra o Irã. Mesmo nos EUA, parte considerável da população reagiria bem a um ataque contra o país persa, cálculo que pode ser levado em conta num ano de eleições, no qual as projeções indicam que o governante Partido Democrata sofrerá dura derrota para a oposição.

Apesar dos ventos ameaçadores, uma ação preventiva dos EUA ou de Israel ainda não parece provável. Recente reportagem do jornal "The New York Times" mostrou que a Casa Branca está empenhada em convencer o parceiro de que a ameaça nuclear do Irã ainda não é iminente.

Além disso, há dúvidas sobre a eficiência de um ataque como esse, já que o Irã pode ter instalações nucleares ocultas, e os efeitos colaterais, como o inevitável choque nos preços de petróleo, podem ser mais representativos do que os eventuais ganhos.

Apesar da escalada retórica, os dois lados já se comprometeram a retomar, uma vez findo o mês sagrado islâmico do Ramadã, conversas em torno de um acordo para que o Irã envie urânio ao exterior e receba o combustível enriquecido a nível adequado para abastecer seu reator médico.

A tentativa de diálogo é o melhor caminho para evitar uma escalada militar de consequências imprevisíveis para os EUA, Israel, o Irã e o mundo.

Comentário:

Apesar da escalada retórica, os dois lados já se comprometeram a retomar, uma vez findo o mês sagrado islâmico do Ramadã, conversas em torno de um acordo para que o Irã envie urânio ao exterior e receba o combustível enriquecido a nível adequado para abastecer seu reator médico.

Sinceramente, é simplesmente impossível (ou seria um ato de loucura ou desespero total) o Irã entregar seu urânio exatamente agora que tudo indica que eles serão atacados. Se um dos lados tem que ceder agora em nome da paz esse lado é o “ocidental” [ entre aspas porque é ridículo falar em ocidente – oriente (desde quando existe consenso a fim de que sejamos vistos como um corpo sólido, com uma única visão? O mesmo para os “orientais”…)].

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