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Brasil Demora Mais Para Responder à Rebelião no Equador

Por DCT
Fonte: Estado de S. Paulo

Denise Chrispim Marin

Em uma atitude rara desde janeiro de 2003, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva desviou-se do seu natural ativismo e assumiu uma posição discreta diante do episódio da rebelião de policiais no Equador, na quinta-feira. A iniciativa de convocar a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para dois encontros ontem, em Buenos Aires e em Guayaquil, foi lançada pelos presidentes do Peru, Alan García; da Venezuela, Hugo Chávez; e da Argentina, Cristina Kirchner. O presidente Lula não se movimentou como seus colegas da região.

As razões não se restringem às eleições presidenciais brasileiras de amanhã.

Apesar de ter considerado altamente grave a revolta de uma corporação armada em um país onde as instituições democráticas ainda são frágeis, o Itamaraty não se deixou sensibilizar pelas denúncias do presidente equatoriano, Rafael Correa, de que se sofrera uma tentativa de golpe de Estado.

A diplomacia brasileira conhece o temperamento de Correa. E também se escaldou com as críticas que ainda recebe por seu ativismo e envolvimento direto no caso de Honduras, onde efetivamente houve um golpe de Estado em 28 de junho de 2009.

Além disso, dentre todas as reações indesejáveis dos vizinhos sul-americanos à política de generosidade do governo Lula, a única jamais digerida em Brasília foi a de Correa.

Em 2008, Correa valeu-se da expulsão da Construtora Norberto Odebrecht do Equador como elemento eleitoral e anunciou a suspensão do pagamento de sua dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), medida que prejudicaria todos os países da região que são membros do Convênio de Créditos Recíprocos (CCR). Correa acusava a empresa por falhas na obra da Usina Hidrelétrica de San Francisco, construída para afastar o risco de colapso no abastecimento energético no Equador, e por fraudes no financiamento.

Entretidos, de fato, com as eleições de domingo, Lula e seu assessor para assuntos internacional, Marco Aurélio Garcia, não se envolveram diretamente na superação da suposta quartelada no Equador. Mas, tampouco o chanceler Celso Amorim fez questão de figurar nos encontros agendados. Preferiu destacar para a tarefa o embaixador Antônio Patriota, secretário-geral das Relações Exteriores e nome que carrega as maiores apostas para assumir o Itamaraty em um eventual governo de Dilma Rousseff.

Comentário

De fato, houve uma certa demora na resposta brasileira. Porém, talvez tenha sido mais por falta de coordenação adequada do que por má vontade.

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