Pesquise no site

Pesquisa personalizada

Categorias

Arquivo

Equipe

Fundador/CEO
Click to view my Personality Profile page
Editora
Click to view my Personality Profile page

Tradução da Entrevista de Dilma Rousseff para o Washington Post

Tradução por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/12/03/AR2010120303241_pf.html

 

O fato de ter sido uma prisioneira política lhe traz simpatia por outros presos políticos?

Com certeza. Devido ao fato de ter experimentado pessoalmente a situação de um prisioneiro político, eu tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros apenas por terem expressado seu ponto de vista, sua opinião pública, suas próprias visões.

Então, como isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Porque o Brasil está apoiando um país que permite que pessoas sejam apedrejadas, que prende jornalistas?

Eu acredito que é necessário fazer uma diferenciação [daquilo que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construção da paz no Oriente Médio. O que nós vemos no Oriente Médio é falência de uma política – a política da guerra. Nós estamos falando sobre o Afeganistão e do desastre que foi a invasão do Iraque. Nós não conseguimos construir a paz ou resolver os problemas do Iraque. O Iraque hoje vive uma guerra civil. Todos os dias soldados de ambos os lados morrem. Tentar construir a paz sem chegar à guerra é a melhor forma.

[mas] Eu não apoio o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que têm características medievais [em relação] às mulheres. Não existirão nuanças. Eu não farei qualquer concessão a esse respeito.

O Brasil absteve-se de votar em recente resolução sobre direitos humanos na ONU

Não sou a presidenta do Brasil [hoje], mas eu me sinto desconfortável como uma presidenta-eleita que não fala nada sobre o apedrejamento. Minha posição não mudará quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma com a qual o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos americanos têm simpatia pelo povo iraniano que rebelou-se nas ruas. Foi por isso que me perguntei se sua posição sobre o Irã seria diferente do ex-presidente, que tem boas relações com o regime iraniano.

O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que advoga pelos direitos humanos, um presidente que sempre lutou pela construção da paz.

Como você vê o relacionamento do Brasil com os EUA? De que maneira você gostaria que evoluísse?

Eu considero o relacionamento com os EUA muito importante para o Brasil. Tentarei forjar laços próximos com eles. Eu tenho grande admiração pela eleição do Presidente Obama. Eu acredito que os EUA naquele momento apresentaram uma tremenda capacidade para mostrar que são uma grande nação e surpreenderam o mundo. Eleger um presidente negro nos EUA deve ter sido tão difícil quando eleger uma mulher no Brasil.

Eu acredito que os EUA tem uma grande contribuição a dar ao mundo. E, acima de tudo, eu acredito que o Brasil e os EUA têm um papel a desempenhar juntos no mundo. Por exemplo, temos um grande potencial para trabalharmos juntos na África, porque lá podemos construir uma parceria para disponibilizar tecnologias agrícolas, produção de biocombustíveis e ajuda humanitária em todos os campos.

Também creio, neste momento de grande instabilidade devido à crise global, que é fundamental que devamos encontrar caminhos para garantir a recuperação dos países em desenvolvimento, porque isso é fundamental para a estabilidade do mundo. Nenhum de nós no Brasil quer os EUA com altas taxas de desemprego. A recuperação dos EUA é muito importante para o Brasil porque eles possuem um extraordinário mercado consumidor. Hoje, o maior superávit comercial dos EUA é com o Brasil.

Você culparia a compra de títulos públicos?

A compra de títulos públicos é algo que nos preocupa muito porque significa que a política desvalorização do dólar tem efeitos sobre nosso comércio exterior e também na desvalorização de nossas reservas nessa moeda. para nós, uma política de dólar fraco não é compatível com o papel dos EUA devido ao fato de sua moeda ser reserva internacional. E uma desvalorização sistemática do dólar pode levar a reações protecionistas, o que nunca é uma boa política a ser seguida.

Quando você planeja visitar aos EUA? Eu sei que foi convidada antes de tomar posse em primeiro de janeiro, mas você não poderá ir.

Não estou aceitando os convites que recebo. Não estou visitando a qualquer país. Eu preciso preparar meu governo. Tenho 37 ministros para nomear. Estou planejando visitar o presidente Obama nos primeiros dias após tomar posse, se ele quiser me receber.

E você convidará o Presidente Obama a visitar o Brasil?

Nós já o convidamos informalmente, durante a reunião do G-20.

Existem preocupações na comunidade de negócios dos EUA sobre se o Brasil continuará no mesmo rumo econômico ditado por Lula.

Não há dúvidas em relação a isso. Por quê? Porque essa foi uma grande conquista do país. Não foi a conquista apenas da um governo, mas do Estado brasileiro, do povo de nosso país. O fato de nós termos controlado a inflação, termos flexibilizado a taxa de câmbio e consolidado a questão fiscal a fim de que ficássemos entre os países do mundo que têm a menor relação da dívida em relação ao PIB. Além disso, não temos um déficit significativo. Nós temos um déficit de 2.2%. Nós desejamos que nos próximos quatro anos tenhamos reduzido tal taxa e garantido essa estabilidade inflacionária.

Você afirmou publicamente que gostaria de ver a taxa de juros cair.  Você cortará os custos ou reduzirá o aumento nos gastos?

Não há como reduzir a taxa de juros sem reduzir o déficit fiscal. Nós somos muito cautelosos. Temos um objetivo em mente: que nossa taxa de juros seja convergente com a internacional. Para chegar lá, uma das coisas mais importantes é reduzir o déficit público. Outra questão importante é aumentar a competitividade de nosso setor manufatureiro e agrícola. Também é muito importante que o Brasil racionalize seu sistema tributário.

Se quer diminuir os juros, você deve ou cortar os gastos ou aumentar a popança doméstica.

Você não pode esquecer o crescimento econômico. Devem-se combinar muitas coisas.

Qual é seu plano?

Meu plano é continuar com a trajetória que estamos seguindo hoje. Nós reduzimos nossa dívida de 60% para 42%. Nosso objetivo é chegar a 30% do PIB. Preciso racionalizar meu gasto e, ao mesmo tempo, aumentar nosso PIB a fim de levar o Brasil adiante.

O que você quer dizer por “racionalizar o gasto?’”

Não estamos em depressão aqui. Não precisamos cortar os gastos governamentais. Nós cortaremos os gastos, mas continuaremos a crescer.

Nós estamos em um caminho muito especial. Este é o momento no qual o Brasil está crescendo. Temos estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, muito orgulho no fato de que conseguimos reduzir a pobreza extrema no Brasil.

Trouxemos 36 milhões de pessoas à classe média. Tiramos 28 milhões da extrema pobreza. Como fizemos isso? Com políticas de transferência de renda. Um dos maiores exemplos é o Bolsa Família.

Explique como o Bolsa Família funciona.

Nós pagamos certa quantia para os pobres. Eles recebem um cartão e podem sacar o dinheiro, mas eles têm duas obrigações: devem colocar seus filhos na escola e essas crianças devem ter frequência de 80% nas aulas. Ao mesmo tempo, elas também devem tomar todas as vacinas e passar por avaliação médica. Esse foi um fator responsável, mas não o único.

Criamos 15 milhões de empregos durante o governo Lula. Este ano, já criamos 2 milhões de empregos.

Você é muito próxima de Lula. Você será realmente diferente ou apenas uma continuação do governo dele?

Acredito que meu governo será diferente do de Lula. O dele, do qual fui parte, construiu as bases para o avanço. Eu não repetirei seu governo porque a situação do país hoje é muito melhor que aquela de 2002. Existem programas em curso que eu ajudei a desenvolver, como o Minha Casa, Minha vida, que é um programa de habitação.

Meus desafios são outros. Deverei resolver questões como a qualidade do serviço de saúde no Brasil. Terei que criar soluções para as questões de segurança pública.

O Brasil ficou mais de 30 anos sem investir o suficiente em infraestrutura. Lula começou a mudar isso. Eu precisarei resolver o problema das estradas no Brasil, da malha ferroviária, dos portos e aeroportos.

Mas há boas notícias: descobrimos petróleo em águas profundas.

Você está sugerindo que isso financiará a infraestrutura?

Criamos um fundo social pelo qual parte dos recursos governamentais do petróleo será investido em educação, saúde, ciência e tecnologia.

Você tem que preparar o país para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Sim, mas também tenho outro compromisso, que é o de acabar com a pobreza absoluta no Brasil. Ainda temos 14 milhões de pobres. Esse é meu maior desafio.

Todos os empresários que encontrei em São Paulo disseram que devem preparar-se bem antes de qualquer encontro com a senhora, pois você conhece bem a maioria dos projetos.

Sim, é verdade. Eu acho que é uma característica feminina. Gostamos de detalhes. Eles não.

O que significa para você ser a primeira presidenta do Brasil?

Até eu acho que é fantástico.

Quando decidiu que queria ser presidenta?

Foi um processo. Comecei a trabalhar com Lula e ele começou a dar algumas dicas sobre eu virar presidente, mas isso não ficou claro no início. Foi uma grande honra para mim, mas eu não esperava.

Do momento em que ficou claro que eu seria nomeada, dois anos depois, eu sabia que precisava criar as condições necessárias para vencer as eleições. O Presidente Lula tinha um governo excelente, e o povo brasileiro reconheceu isso. Nós temos um governo diferente, nós ouvimos as pessoas.

Você recentemente enfrentou um câncer.

Sim, mas eu acredito que lidei bem com ele. As pessoas devem entender que o câncer pode ser curado. Quando mais cedo você descobrir, maiores são as possibilidades de cura. É por isso que a prevenção é importante…

Eu acredito que o brasil estava preparado para eleger uma mulher. Por que? Porque as mulheres alcançaram isso. Eu não cheguei aqui sozinha, por meus próprios méritos. Nós somos a maioria neste país.

 

Comentário

Eu não apoio o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que têm características medievais [em relação] às mulheres. Não existirão nuanças. Eu não farei qualquer concessão a esse respeito. 

A Dilma não aprende cara, incrível. Lá vem a gênia da lâmpada chamar os iranianos de medievais, caramba. É sério, é revoltante isso. Ainda bem que eles não estão prestando atenção, mas continue falando isso que um dia eles te escutam e dai quero ver o pessoal do Irã queimando bandeiras do Brasil. Além disso…

O que você vai fazer Dilminha? Vai condenar o Irã? vai fazer com que eles passem a ficar distantes de nós e possam aproximar-se ainda mais  da Venezuela, sem qualquer “check” brasileiro? Já sei, você vai vestir uma camisa com uma cruz vermelha e sair em uma cruzada anti-sharia, como os EUA.

Talvez consiga os mesmos resultados que eles! Parabéns pela demonstração de inteligência.

 

Eu não concordo com a forma com a qual o Brasil votou. Não é minha posição.

Ainda bem que o Brasil, teoricamente, não é você, mas um conjunto de políticas de longo prazo, que visam resultados estratégicos. Coloque seu estômago na frente da sua cabeça e vai “ferrar tudo”.

Artigos Relacionados:

Deixe um Comentário

Livros

As Filhas de Deus

Enquete:

Hackers do bem podem ajudar no combate à corrupção?

View Results

Loading ... Loading ...