Conexão Diplomática: Informes do Correio Braziliense Sobre Israel, Wikileaks e Irã.
Fonte: Correio Braziliense
Negritos por DCT.
[…] nas entrelinhas e entreatos da posse, ficou visível o lugar ocupado pelo Brasil, já nesse início de governo, no cenário um tanto sombrio do Oriente Médio. Ninguém terá notado, na festa, a delegação israelense. Quanto à Palestina, que o governo Lula reconheceu como Estado soberano — e nas fronteiras de 1967, como querem seus dirigentes e cidadãos — no seu último ato diplomático de alcance, foi representada por ninguém menos que seu presidente, Mahmud Abbas. E ele veio com agenda movimentada, que incluiu a colocação da pedra fundamental da sede própria da embaixada, no terreno cuja doação foi sacramentada pelo Congresso recentemente, depois de anos de tramitação.
…no agora ex-presidente, as indiscrições do site WikiLeaks devem ter arrancado dele um sorriso na linha do “eu não disse?”. Quem se lembra de Lula contando, para espanto de uns e descrença de outros, que insistia com os colegas governantes sobre a disponibilidade de Mahmud Ahmadinejad para negociar e transigir? Pois a diplomacia americana parece ter chegado à mesma conclusão, a partir do que ouviu do governo turco: foram “setores mais duros” do regime que obrigaram o presidente iraniano, em 2009, a dar marcha-à-ré no acordo que tinha aceitado para a troca de urânio enriquecido.
O convite iraniano para que o Brasil integre uma comitiva internacional chamada a visitar duas de suas instalações nucleares parece endossar, com cerca de seis meses de retardo, a avaliação feita a essa coluna por um diplomata europeu. Na esteira da frustração geral, por aqui, com a recusa do grupo “cinco mais um” ao acordo assinado pelo Irã (foto) com o presidente Lula e o premiê turco, Tayyp Erdogan, o representante via no aparente revés da diplomacia brasileira como um trunfo para o longo prazo. “Em algum momento vai ter que ser retomado o diálogo. E, quando isso acontecer, o Brasil vai ter que estar à mesa”, raciocinava a fonte.
O momento de puxar a cadeira e sentar-se pode estar mais próximo. O Irã e as seis potências — os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha — acertaram para o fim deste mês a retomada de negociações. O campo de jogo será Istambul, na Turquia, justamente o país que avalizou, com o Brasil, o acordo rejeitado em meados de 2010. Quando se negociava o reinício do processo, o regime de Teerã colocou logo sobre a mesa suas duas novas cartas, chamando Brasil e Turquia para o processo. De cara, já conseguiu na prática incluir o parceiro muçulmano, com o qual compartilha significativos interesses geopolíticos, além de uma afinidade histórica: ambos são vozes da maioria não árabe no mundo islâmico.
Noves fora, a presidente Dilma e o ministro Antonio Patriota podem se preparar. Para bem ou para mal, os caminhos abertos no governo Lula não permitem meia-volta.
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