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Arthur Melo: Resumo: Geografia Política da Água, de Wagner Costa Ribeiro

Por Arthur Melo
Editor DCT
Fonte: http://www.scielo.br

 

water=agua

Em sua obra Geografia Política da Água, o geógrafo Wagner Costa Ribeiro, leva os seus leitores a refletir sobre como, atualmente, é gerenciado esse recurso vital não só ao homem, mas também às demais formas de vida presentes na Terra. Para isso levanta questões como: imaginar a água como mercadoria em escala internacional? Pensar na água como possível geradora de conflitos entre países?

Segundo análises do autor, o uso de água nos sistemas industriais, na agricultura e pela população, é desigual. A afirmação é confirmada pela ilustração dos dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que apenas 30 países consomem juntos 27% de toda a água disponível no planeta. Dentre esses são citados: Estados unidos, Canadá, França, Noruega, Portugal e Espanha, como os que exageram quer seja para fins de produção industrial quer seja para agricultura.

Ribeiro aponta para, no curto prazo, crises localizadas de falta de água, com origens políticas e econômicas. E as define como reproduções de diferentes estilos de vida que levam a um acesso desigual à riqueza; e, consequentemente, a um acesso desigual aos recursos naturais, aqui, especificamente, os hídricos. Ainda, segundo o autor, essa crise já se faz presente quando temos, no mundo, quase 2,5 bilhões de pessoas sem os serviços de saneamento básico, de acordo com dados da UNESCO.

Os leitores são convidados a compreender o real direito à vida e a perceber que os recursos naturais estão a serviço da vida humana e da coletividade e não aos fins acumulativos de capital. Nesse sentido, os países que em seu território possuem recursos hídricos devem repensar sua posição no cenário internacional nas questões ambientais correlacionadas à água e devem impor-se, favoráveis à preservação e ao uso coletivo desse bem natural.

Uma importante mudança apontada pelo autor é a regulamentação legal do acesso à água. Inúmeros eventos realizados, documentos redigidos e a existência da Convenção de cursos d’água internacionais são passos positivos e fundamentais. Contudo, a questão do direito à água carece de uma legislação interna e externa para que esse recurso não seja usado apenas como capital privado, mas sim pela coletividade.

Segundo o geógrafo, pensar na água pela esfera do conflito remete-nos à distribuição desigual desse recurso no mundo; o que deve gerar mais disputas pelo seu acesso. Os conflitos, que já foram registrados, ocorreram, em geral, entre países fronteiriços, comprovando a possibilidade de lutas por água, mas o autor vai adiante e menciona que, futuramente, os confrontos entre esses países possam admitir a escala da dimensão transfronteiriça.

O autor enumera alternativas de emergência, ao apresentar a proposta de um novo projeto de sociedade, que esvazie de significado o consumo e retome dimensões mais nobres da existência, como as ideias da permanência do tempo longo, da perenidade, do diálogo, do respeito e da implantação de tecnologias ambientais limpas. Em escala planetária, a busca dos países por acordos multilaterais equitativos e responsáveis, no que tange ao desenvolvimento sustentável, serve como resposta à real transformação que visa o acesso democrático à água.

Enfim, Ribeiro propõe uma nova ética em Geografia da Política da Água, levando-nos a refletir sobre os recursos hídricos e sobre a possibilidade de um caminho que evite o comércio e a guerra pela água. Para isso, motiva os leitores a perceberem a água como riqueza, como possível geradora de conflitos entre países, como mercadoria em âmbito internacional e como recurso da humanidade.

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