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Nelson Jobim Pensa em Deixar a Defesa

Fonte: Jornal de Santa Catarina

 

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Ele perdeu verba para investimentos, influência política no Palácio do Planalto e vê escassear seu prestígio nos quartéis. Remanescente do governo Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, teve os poderes esvaziados pela presidente Dilma Rousseff e já cogita deixar a Esplanada.

Dos R$ 50 bilhões que o Planalto pretende cortar no orçamento de 2011, quase 10% (R$ 4,1 bilhões) sairão da pasta de Jobim. Sem consultar o ministro, Dilma também suspendeu a compra dos caças para a Aeronáutica e articula a criação de uma secretaria de aeroportos para tirar da Defesa a gestão da aviação civil. Nos bastidores do governo, são recorrentes os comentários de que há uma antipatia mútua entre Jobim e a presidente. O ministro só permaneceu no posto por um pedido pessoal de Lula a Dilma e pelo bom trânsito na caserna, mas sequer é reconhecido pelo PMDB como uma indicação do partido.

Jobim não fez objeções à contenção de gastos e também concorda com a criação de uma secretaria de aeroportos. A amigos, o ministro tem reclamado da forma como essas informações têm sido repassadas à imprensa por interlocutores de Dilma, transformando as iniciativas em derrrotas pessoais do ministro. Já a suspensão da compra dos caças o irritou, uma vez que não haveria previsão de desembolsos este ano.

Como a interlocução com o Planalto está cada vez mais problemática e sentindo se esvair o respaldo dos quartéis, Jobim começa a procurar novos rumos. O ministro almeja se tornar embaixador do Brasil na Europa, mas até mesmo essa pretensão enfrenta problemas, uma vez que, desde o segundo mandato de Lula, todos os postos são ocupados por diplomatas de carreira.

Audiência com Dilma só ocorreu em fevereiro

O primeiro sinal de que o convívio de Dilma e Jobim seria complicado ocorreu no final do ano passado. Tão logo foi convidado por Dilma a continuar à frente do ministério, Jobim quis ciceronear uma visita dos comandantes das Forças Armadas a Dilma, que comandava a transição na Granja do Torto. A presidente declinou da presença de Jobim e recebeu os militares separadamente. Foi uma forma encontrada pela petista para comunicar aos comandantes que eles deviam lealdade a ela, e não ao superior imediato.

Dos 37 ministros, Jobim foi o 25º a ser recebido por Dilma para uma audiência oficial registrada na agenda presidencial. Antes dele, até ministros considerados de segundo escalão foram atendidos. Ele só se reuniu com Dilma em 11 de fevereiro, um dia após a imprensa publicar rumores de que estaria descontente com o tratamento dispensado pelo Palácio do Planalto.

No final do ano passado, Jobim conseguiu aprovar um orçamento de R$ 60,2 bilhões, valor recorde para o ministério e o quinto maior da Esplanada. Dos R$ 15,1 bilhões para investimentos, boa parte seria para o reaparelhamento das Forças Armadas. Os cortes determinados pelo Planalto suspendem os planos do ministro.

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