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Europa quer que Brasil Integre Suas Forças de Paz

Comentários por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Folha

A União Europeia (UE) está negociando a participação do Brasil em suas missões de paz na África, no Leste Europeu e no Oriente Médio. Na visita ao país que fará no mês que vem, a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, deve propor ao governo Dilma Rousseff a assinatura de um acordo com esse propósito. O bloco europeu comanda hoje missões de manutenção da paz em nove países. Entre eles, Somália, Bósnia, Kosovo, Congo e Afeganistão.

A Folha apurou que o contato inicial da UE com o Brasil foi feito em julho do ano passado por meio de uma carta enviada ao então chanceler Celso Amorim. O acordo deve prever diversos níveis de participação, desde o envio de tropas à utilização de policiais e profissionais da área jurídica –necessários na reconstrução de países que se recuperam de guerras recentes.

Segundo a UE, o pedido de suporte está relacionado à ambição brasileira de ampliar sua participação em ações internacionais. A maioria das missões conduzidas pela UE (exceto a missão naval na Somália) tem caráter de manutenção e construção da paz. Elas se destinam a reconstruir o Estado de direito e treinar militares e policiais dos países auxiliados.

Apesar de se parecerem com algumas das missões da ONU, operam de forma independente da entidade. Também não são de responsabilidade de um país europeu em específico, mas sim do bloco.

Se o governo brasileiro decidir participar de alguma das missões da UE, a questão terá de passar pelo crivo do Congresso.

Comentários

Caso o objetivo seja o envio massivo de tropas (e não apenas alguns consultores militares), é preciso dizer que não há qualquer interesse nacional nesse tipo de empreendimento.

O Brasil já atua em missões com mandato da ONU, que são menos questionáveis que quaisquer outras. Atuar de forma ostensiva em missões com pouca ou duvidosa legitimidade internacional apenas prejudicará nosso país.

A cada dia que passa, eu me torno mais e mais arredio a apoiar intervenções militares, ainda mais sem uma aprovação direta da ONU: elas sempre causam mais problemas que soluções.

Talvez os únicos parâmetros válidos para intervenções sejam:

1 – Em locais que vivem um sentimento de unanimidade nacional a respeito da necessidade de ajuda (e isso é extremamente difícil de acontecer).

2 – Com prazo fixo de saída. O Brasil já está preso no atoleiro do Haiti e precisa aprender a usar a fórmula mágica do Sergio Vieira de Mello: já entra sabendo quando vai sair e… sai na data marcada!

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