Guerrilha Estudantil no Chile: Propostas do Governo para Educação são Rejeitadas + Coquetel Molotov Queima Policial Diante de Embaixada do Brasil
Fonte: O Globo
Nos confrontos mais violentos desde que começaram as manifestações pela reforma no sistema de educação chileno, dois policiais ficaram feridos, durante a explosão de um coquetel molotov diante da Embaixada do Brasil, no Centro de Santiago. Segundo sites chilenos, os policiais estavam de guarda em frente ao prédio da embaixada e o estado de um deles é grave, com queimaduras nas pernas, tórax e vias respiratórias. Não há detalhes sobre o outro.
Ao todo, a passeata terminou com 62 presos e 34 policiais feridos, além de uma troca de acusações: os estudantes dizem que a repressão policial gerou os confrontos, enquanto membros do governo cobraram que os manifestantes assumam a responsabilidade pelos incidentes. Não foi informado o número de estudantes feridos, embora manifestantes digam que pelo menos dois jovens foram atropelados por uma patrulha.
A passeata – que reuniu 20 mil pessoas segundo policiais, ou cem mil, de acordo com estudantes – começou tensa em Santiago. Os jovens se recusaram a percorrer o trajeto determinado pelas autoridades, que não incluiria o Palácio La Moneda. De volta ao traçado habitual, os estudantes usaram humor e ironia, com alguns deles de pijama, pedindo ao governo que não acabasse com seu sonho.
Conflitos envolvendo encapuzados foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água. Pedras foram jogadas contra a embaixada brasileira, que sequer abriu ontem. Um banco e um edifício histórico também foram atingidos.
- Estamos no caminho. As manifestações têm sido grandes, é difícil contê-las. Na anterior, um policial que protegia a embaixada também ficou ferido – disse por telefone, de Santiago, o secretário Sérgio Couto, acrescentando que o embaixador Frederico de Araújo não estava no local na hora do confronto.
Os estudantes recusaram uma proposta lançada pelo presidente Sebastián Piñera dez dias atrás, que inclui um fundo de US$4 bilhões, aumento de 80% no número de bolsas de estudo e redução nos juros do financiamento do ensino até 2014. Em linhas gerais, os alunos dos ensinos fundamental e médio querem que as escolas passem dos municípios para o Estado; e os do ensino superior reclamam dos custos de financiamento dos estudos, já que no país não existem universidades gratuitas.
O presidente da Federação dos Estudantes da Universidade Católica do Chile (Feuc), Giorgio Jackson, lamentou os confrontos e acusou os policiais de "serem mais duros do que em outras ocasiões, provocando uma situação perigosa".
Segundo ele, muitos não chegaram a participar da marcha, barrados por jatos d"água. Já a secretária de Governo, Ena von Baer, chamou os líderes estudantis de intransigentes e pediu que assumam a responsabilidade. Entre os presos está um universitário suspeito de queimar o policial.
Foi a terceira passeata em um mês e se repetiu em outras cidades, como Valparaíso e Concepción. E registrou menos participantes do que a de 30 de junho, que teve cem mil pessoas.
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