"Primeiros Passos na Frente Africana"
Comentários por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Correio Braziliense
Sem muita ressonância na própria imprensa brasileira, o ministro Antonio Patriota embarcou na semana passada para a África e volta na próxima sexta, depois de percorrer cinco países: pela ordem, Guiné-Bissau, Angola, Namíbia, África do Sul e Guiné (Conacri).
E as duas primeiras escalas parecem ter bastado para tirar as dúvidas quanto à política africana iniciada no governo Lula: ela veio para ficar e é menina dos olhos da cooperação Sul-Sul, por sua vez um dos pilares da política externa.
Quem acompanha a viagem garante: o chanceler está impressionado com "a simpatia que o presidente Lula plantou", e determinado a deixar clara a disposição de Dilma Rousseff para não deixar o samba morrer.
De saída, a passagem pela África do Sul, na segunda-feira, servirá também para preparar o desembarque da presidente, em outubro, na cúpula do Fórum Ibas, articulação triangular completada pela Índia.
Estão em estudo no Itamaraty, opções para estender esse début africano a mais dois ou três países. O roteiro do ministro pode dar alguma pista sobre candidatos: Angola e Namíbia, pela proximidade geográfica e pelas afinidades políticas, seriam destinos naturais; a Guiné-Bissau (na foto, Patriota com o premiê Carlos Gomes Júnior) representaria um forte gesto simbólico, pelo lugar que o Brasil ocupa no delicado e persistente trabalho de reinstitucionalização do país, em especial no que diz respeito a combater uma conexão de narcotráfico com destino à Europa.
Boa vizinhança
Ninguém esconde a vertente política dessa primeira incursão africana do novo governo, mal iniciado o segundo semestre de mandato. Ela se traduz no apoio persistente aos passos — ainda — tímidos de vários países do continente rumo à estabilidade democrática.
É o caso em particular da Guiné-Bissau, onde o Brasil lidera uma missão militar técnica, composta por tropas angolanas e encarregada de recompor as forças de segurança.
Mas é igualmente o sentido da visita à Guiné, atingida por turbulências recentemente — e, diga-se de passagem, endereço de investimentos da Vale do Rio Doce.
Igualmente política foi a estreia de Patriota, como chanceler, em uma reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: a CPLP foi o primeiro bloco a endossar a candidatura do ex-ministro José Graziano à direção-geral da FAO, conquistada em boa medida graças ao apoio maciço dos 54 países africanos.
Jeitinho brasileiro
O outro componente do esforço é o que um diplomata bem colocado classifica como um "jeito diferente" de cooperação, em que pesam menos as montanhas de dólares disponíveis — um quesito no qual é impossível competir com os chineses — do que uma experiência consolidada em conjugar desenvolvimento sustentável com inclusão social. "Nós não estamos rivalizando com ninguém", sustenta esse diplomata.
Como destacou o relatório do prestigiado Conselho de Relações Exteriores (CFR) sobre as relações Brasil-EUA, destacado pela coluna no último sábado, "por meio da transferência de tecnologia, pelo treinamento de profissionais, além das injeções de capital, o Brasil está construindo um novo paradigma de desenvolvimento".
Angola, parceira de longa data, que recebeu de Brasília o primeiro reconhecimento oficial de sua independência, em 1975, é o exemplo favorito. Lá, a Odebrecht é a empresa privada que mais emprega. Também lá, a Embrapa desenvolve um trabalho ligeiramente distinto do habitual: mais do que ajudar na produção de sementes e transferência de técnicas de cultivo, lá a empresa conduz pesquisas conjuntas.
Língua pátria
E a reunião de CPLP em Luanda serviu ainda para o ministro Patriota ter seu primeiro encontro com o novo colega português, Paulo Portas, que na semana que vem visitará o Brasil. Ele fará o primeiro contato com o governo Dilma desde a mudança de governo em Lisboa, com a derrota dos socialistas e a volta ao poder do centro-direita, sob o comando do premiê Pedro Passos Coelho.
Comentário
ela veio para ficar e é menina dos olhos da cooperação Sul-Sul, por sua vez um dos pilares da política externa.
Isso só…
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Depois de ter ido já umas três vezes aos EUA, de ter babado bastante.
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Depois de ter levado um pito do embaixador decano dos africanos aqui Brasília, em apresentação pública.
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Depois de artigo de Celso Amorim dizendo que o Brasil não poderia perder os laços com a África.
Como destacou o relatório do prestigiado Conselho de Relações Exteriores (CFR) sobre as relações Brasil-EUA
Como se isso tudo já não fosse óbvio até para os menos capazes (como eu).
Ninguém esconde a vertente política dessa primeira incursão africana do novo governo, mal iniciado o segundo semestre de mandato. Ela se traduz no apoio persistente aos passos — ainda — tímidos de vários países do continente rumo à estabilidade democrática.
Deus (?) queira que o Brasil não esteja indo em missão de conversão de quem quer que seja: é o caminho para a auto-destruição.
Se fosse na época do Celso Amorim eu estaria tranquilo, mas na era do amor Patriótico aos EUA… isso exige um pouco de atenção. Se bem que… o Patriota não consegue converter nem pedra de gelo em água.
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