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Nota Do MRE Sobre Matança na Síria e Posicionamento Sobre a Questão

Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: MRE

Ação contra manifestantes em Hama, Síria

O Governo brasileiro recebeu com indignação a notícia da repressão a manifestantes em Hama, Síria, nos últimos dois dias, responsável pela morte de mais de uma centena de pessoas.

Ao lamentar profundamente as mortes ocorridas, o Governo brasileiro reitera o repúdio ao uso da força contra manifestantes civis.

O Governo brasileiro manifesta preocupação com o não cumprimento pela Síria de compromissos assumidos publicamente no tocante ao direito de manifestação e expressão e insta o Governo sírio a dar seguimento ao processo de diálogo nacional e reforma política com sentido de urgência.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

Após o massacre de pelo menos 140 pessoas pela ditadura síria anteontem, o governo brasileiro agora admite apoiar uma resolução do Conselho de Segurança contra o país -desde que seja consensual entre os membros permanentes (EUA, França, Rússia, Reino Unido e China).

"Os acontecimentos do fim de semana acrescentaram um novo dado à situação", afirmou o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes. Segundo ele, o Brasil acompanhará qualquer manifestação "que tenha consenso e o intuito de promover diálogo", mesmo que seja uma resolução. "Em nenhum momento pretendemos pôr obstáculo a uma coisa que seja consensual", disse, assegurando, no entanto, que o Brasil está atento aos possíveis textos."Não vemos uma ação militar como útil."

O governo brasileiro ainda considera que uma declaração do presidente do conselho ou uma nota à imprensa (ambas alternativas mais brandas que uma resolução) seriam opções melhores.

Também aposta no diálogo e aguarda apenas o sinal verde de seus parceiros no grupo Ibas (África do Sul e Índia) para o envio de uma missão de verificação à Síria.

Ontem, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro endureceu o discurso ao dizer que recebeu "com indignação" a notícia das mortes.

O Itamaraty ainda insta Damasco a avançar "com urgência" o diálogo nacional e a reforma política. Na noite de ontem, o Conselho de Segurança se reuniu em Nova York para debater uma possível manifestação.

Antes do fim da reunião, a representante americana na ONU, Susan Rice, adiantou que o grupo não chegaria a nenhum consenso.

NOVAS SANÇÕES

A União Europeia decidiu ampliar as sanções contra o regime da Síria, numa reação à violência do Exército no domingo. As mais de 140 mortes foram apontadas por ativistas de direitos humanos; a censura imposta pela Síria à imprensa impede verificação independente dos dados.

A nova rodada de sanções se aplica a cinco membros do regime sírio, cujos nomes não foram revelados, que terão ativos bloqueados e vistos de viagem negados.

Eles se somam a outras 13 autoridades sírias que haviam sido alvo de punições da UE em maio, entre eles Maher Assad, irmão do ditador Bashar Assad. Também foi aplicado um embargo à venda de armas à Síria.

Há dois meses, os EUA também anunciaram sanções semelhantes contra membros do regime, entre eles o próprio Bashar Assad. De acordo com ativistas sírios, tanques voltaram a entrar em Hama ontem.

Comentário

Nota: Eu odeio quando uma coisas dessas acontece, porque, além dos danos em termos de vida, ainda suja para meu lado, que tenho que dar uma opinião realista e faço com que as pessoas menos "atentas" achem que eu sou mau e etc. Eu, contudo, não posso evitar de trazer uma opinião realista sobre a situação, para o mal estar do estômago dos mais sensíveis. Ficar dando uma de bonzinho seria simplesmente subestimar a inteligência do público do site.

Assim:

O Brasil entende, como sabem muito bem as demais grandes potências como China e Rússia, que o único vitorioso em termos estratégicos com o endurecimento contra a Síria (primeiro com sanções e, depois, com o inevitável fracasso das mesmas, com uma invasão armada) é o grupo de países que formam a OTAN.

A posição do Brasil, contudo, fica muito difícil de ser justificada com a rápida degeneração da situação.

Cada vez é mais difícil explicar o posicionamento nacional: o pessoal menos inteligente não entende e fica gritando (como bobos, que não percebem que estão a ponto de serem enganados) coisas nonsense como: "O Brasil tem que salvar o povo da Síria". Não há como salvar os sírios porque a alternativa é tão ruim quanto ou provavelmente ainda pior.

Há apenas duas opções:

  • Esperar que as coisas resolvam-se com o tempo, por meio de gestões diplomáticas; ou
  • Permitir que o país seja invadido por estrangeiros, que os re-colonizarão.

A segunda opção, contudo, é pior no longo prazo, porque acaba criando a perspectiva de que "invadir outros países" é algo justificável, comum.

Abrindo-se o precedente (já aberto com a ação na Líbia, diga-se de passagem – que o Brasil sabiamente tentou evitar), qualquer outro país fica em risco. Soberania passa a ser um termo fraco, desrespeitável.

Enfim:

A posição do Brasil está correta, não é a ideal (recusa plena às sanções), mas é a possível.

Estamos numa corda bamba e tomamos a decisões de apoiar qualquer decisão "consensual": o que significa jogar a responsabilidade nas coisas da China e da Rússia. Se eles não aceitarem (como não são burros de aceitar), então continuamos na mesma.

Desculpe a franqueza, mas se você ficou enojado, então sugiro fazer outra coisa na vida.

Quem lida com política internacional precisa ser frio, quase como alguém que lida com bolsa de valores: sangue frio. Não se pode tomar decisões com peso emocional, mas apenas após cálculos de quem vai ganhar o que no final (muitas vezes só perceptível por meio da intuição).

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2 Responses to Nota Do MRE Sobre Matança na Síria e Posicionamento Sobre a Questão

  • Duda Paz says:

    Adoro seus comentarios em primeira pessoa
    e talvez fosse melhor vc so expor sua opiniao do que fazer observações em relações àqueles que vao ler
    acab ficando ainda mai provocador.

  • Política Externa.com says:

    Eu não tenho problemas em ser provocador.
    O comentário, a reflexão, diria, é mais pessoal que qualquer coisa.
    É como o carrasco, que faz o sinal da cruz antes de dar a machadada no pescoço.
    Apenas uma reflexão em voz alta. De fato, quando escrevo, estou escrevendo para mim mesmo… sabendo obviamente que existem pessoas lendo. Eu não escrevo para as pessoas que leem. Não sei se deu para entender…

    Mas agradeço o comentário :)

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