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Amorim Tem Reunião com Militares e Diz que "Não Reinventará a Roda" + Atualização no Comentário

Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Agência Brasil

 

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O ex-Chanceler Celso Amorim reuniu-se ontem pela primeira vez com a Presidenta Dilma e com os comandantes das Forças Armadas após ter sido recolocado no governo, desta vez no Ministério da Defesa.

A conversa com a Presidenta foi longa, das 12:45 até as 15:50. Do Palácio do Alvorada, Celso Amorim foi para o Palácio do Planalto onde conversou com os comandantes militares: do Exército, general Enzo Peri; da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi.

A reunião teve uma hora e 45 minutos de duração.  De acordo com informações apuradas pela Agência Brasil, Amorim teria discorrido os motivos que o teriam levado a aceitar o convite presidencial, prometendo executar as diretrizes já firmadas na Estratégia nacional de Defesa, de 2008, afirmando que não quer "reinventar a roda".

Amorim ouviu a prioridade de cada Comandante em sua especialidade. Amorim teria, de acordo com a AB, ficado satisfeito com a conversa e achado o resultado positivo. Nos próximos dias, ele terá reuniões com cada comandante de forma individual, para conhecer a realidade das forças.

 

Comentário

Eu já havia feito alguns comentários bem por alto, mas agora vou fazer uma apreciação mais detalhada do que acho do Celso Amorim no Ministério da Defesa.

Desculpem uma visão "mesquinha" que vou colocar abaixo, mas, para mim, o futuro é mais importante que o presente. Eu também sou um sujeito mesquinho, então não tenho dificuldade em pensar assim. O que se agrava com minha necessidade ser 100% transparente sobre o que penso. Enfim:

Em primeiro lugar, eu preciso dizer o que já é óbvio para quem já acompanha o site: eu sou fã do Celso Amorim. Tanto que a foto dele até pouco tempo estampava o "header" do site. Eu sinceramente acho que ele foi um Chanceler que, mesmo não tendo tido que lidar com situações tão "cabeludas" como as da época de Rio Branco, mostrou-se no mesmo patamar desse.

Após sua reentrada no governo, minha admiração tem que ser colocada de lado temporariamente: Celso Amorim agora voltou ao palco e pode cometer grandes erros e jogar tudo o que conquistou no lixo. Não estou falando que ele vá fazer isso, mas ele coloca-se em posição mais arriscada.

Em termos conceituais, eu acredito que ter alguém no mesmo nível do Rio Branco é importante para o Brasil. Enquanto o Barão for nosso único herói "para fora", vai continuar passando a impressão de que foi a exceção, não a regra. Eu discordo profundamente de Brecht, mesmo dele só conhecendo poucas frases, que afirmou que é "Infeliz a nação que precisa de heróis". O herói é importante em qualquer cultura, faz parte do amálgama mais básico do inconsciente coletivo humano. A jornada do herói é importante não pela sua visão do que foi feito no passado, mas pelo poder de inspirar para o futuro.

Em termos de competência, acredito que o Celso Amorim é mais inteligente que o diplomata mediano (por sinal,informo que, só para constar, até hoje só encontrei diplomatas extremamente inteligentes – em termos técnicos -, mesmo em relação àqueles de quem não gosto eu preciso admitir: são muito inteligentes). Ele vai saber o que fazer na Casa dos militares. Contudo, que me desculpem todos os envolvidos, mas o Ministério da Defesa é um ministério menos prestigioso que a Chancelaria. Amorim foi rebaixado. (Se ele for perguntado sobre isso, com certeza dirá que "nada disso, é uma honra servir ao Brasil no Ministério da Defesa", ou "todos os ministérios são igualmente prestigiosos", ou até mesmo algo na linha do Nelson Jobim [em comentário 100% extrovertido, ou seja: subordinado ao mundo e não a si mesmo] "eu não tenho vocação, faço o que tiver que fazer").

Voltando: diferente do ex-presidente Lula, que afirmou que os generais têm que obedecer, eu vejo de forma diferente na prática. Um cara para chegar ao nível de General é porque superou a lógica militar básica de obedecer e ficar calado. Um sujeito que galga postos até o nível de general de quatro-estrelas (ou equivalente em outras forças) é normalmente extremamente ambicioso e cioso de seu poder. Celso Amorim sabe disso e não entrará em confronto com eles. Ele vai fazer exatamente como Jobim, vai tentar mostrar que é um deles em espírito (só acho meio difícil o Amorim sair por aí exibindo-se com cobras e tigres, mas quem sabe… como diria o maior filósofo de nosso século, Forrest Gump: "a vida é como uma caixinha de chocolates: você nunca sabe o que vai encontrar").

Por fim, coloco minha visão de que a humanidade é dividida em dois tipos de pessoas: aquelas que serão lembradas e aquelas que serão esquecidas. Eu estou entre as que serão esquecidas. E você? Será que daqui a mil anos, quando os "livros" de história tiverem que reservar apenas duas linhas para todo esse século, você estará nelas? O Lula estará escrito lá, assim como estaria Celso Amorim. Agora ele corre o risco de sair. Quem pode perder com isso é o Brasil do futuro, que ficará com menos heróis.

Oxalá tudo dê certo para o Brasil e para a história dele.

Ps.: A não ser… que o Amorim use isso como um trampolim para concorrer à Presidência da República… isso me veio só depois…

 

Inutilizzzando

Ps.: sobre o "reinventar a roda", eu acho essa frase bem errada. De vez em quando, reinventar a roda é o que leva a revoluções científicas de extrema importância. Geralmente isso é feito, contudo, por pessoas meio "loucas". Eu poderia fazer isso se não fosse burro Smiley mostrando a língua.

Por fim, você pode dizer: mas no caso explícito da roda, até hoje nada de melhor foi feito. Eu digo que não: a tecnologia de levitação de trilhos, por exemplo, é um tipo de reinvenção da roda.

Que as rodas sejam, então, reinventadas de vez em quando…

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3 Responses to Amorim Tem Reunião com Militares e Diz que "Não Reinventará a Roda" + Atualização no Comentário

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