Prepara-se a Invasão da Síria
Fonte: O Globo
Em telefonemas pessoais ao rei Abdullah, da Arábia Saudita, e ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tentou retomar a dianteira da mobilização diplomática para suspender as ações militares contra civis na Síria. Mas foi da Turquia que emergiram ontem as especulações mais duras quanto ao destino do presidente Bashar al-Assad: irritado com as promessas não cumpridas de reformas no país vizinho — e seu antigo aliado — o governo de Ancara não descarta a possibilidade de participar de ação militar, caso a violência não cesse.
A Turquia não descarta uma intervenção internacional. A paciência do premier (Recepp Tayyip) Erdogan está se esgotando. A Síria já é governada por uma minoria étnica (alauíta) muito próxima à maioria xiita no Irã — justificou um alto oficial do governo turco ao diário “Hurriyet”, em mais um indício de que as relações entre turcos e sírios estão à beira do colapso.
França aconselha seus cidadãos a deixarem o país
A França — cujo silêncio diplomático sobre a Síria vem intrigando analistas — aconselhou seus cidadãos a deixarem o país. Pelo telefone, Obama e o rei saudita, Abdullah, conversaram e “concordaram que a campanha brutal de violência do regime sírio precisa parar imediatamente”.
No Oriente Médio, no entanto, o sábado foi de violência renovada. Diante dos protestos incessantes em várias cidades sírias, testemunhas contaram que o Exército concentrou suas ações nas cidades de Homs e Latakia — fazendo pelo menos cinco vítimas fatais. Nas primeiras horas da manhã, pelo menos 20 tanques e blindados entraram na cidade portuária de 650 mil habitantes, e várias famílias tentaram fugir em meio a intensos disparos de artilharia.
— O Exército e milícias pró-governo estão atirando em áreas residenciais. Não há qualquer gangue armada aqui; nossos protestos são pacíficos. Todas as alegações de homens armados entre os manifestantes são falsas — assegurou um morador de Latakia à TV al-Jazeera.
O porta-voz dos Comitês de Coordenação Local, Omar Edelbe, afirmou que, em alguns bairros, a energia elétrica e as telecomunicações chegaram a ser cortadas por algumas horas. Em Deir el-Ezzor, no leste do país, uma criança teria sido baleada.
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