Embaixador Só Poderá ser Desacreditado Após Ordens do Governo Líbio, diz Porta-voz do Itamaraty
Por Daniel C. T.
Fonte: Folha
O embaixador líbio, Salem Zubeidy, deixou a embaixada em Brasília na tarde desta segunda-feira após a visita de dois funcionários do Itamaraty e seguiu para a residência oficial.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, visitas têm sido feitas diariamente à embaixada para manter a segurança.
De acordo com Tovar Nunes, porta-voz do Itamaraty, deve haver comunicação por parte da Líbia para que o atual embaixador seja "desacreditado".
O Itamaraty ainda informou que, da residência oficial, o embaixador pode trabalhar normalmente.
Zubeidy perdeu o controle de embaixada depois que manifestantes líbios se hospedaram no local a convite de diplomatas contrários ao regime de Kadafi. Além do embaixador, mais quatro diplomatas trabalham na embaixada, todos opositores ao regime do ditador.
O ministério afirmou que não há mudança em relação ao status do embaixador, que continua sendo a autoridade máxima líbia no Brasil.
Segundo Mohamed El Zwei, um dos manifestantes líbios hospedados na embaixada, os diplomatas contrarios a Kadafi já estão entrando em contato com a Líbia para que seja nomeado novo embaixador no Brasil.
CONSULTA
O Itamaraty está consultando os principais parceiros internacionais para avaliar o reconhecimento do governo rebelde na Líbia.
De acordo com Tovar Nunes, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, ainda não há posicionamento oficial em relação ao tema.
Segundo o ministério, o Brasil está "colhendo mais elementos" com membros do fórum IBAS (Índia, Brasil, África do Sul), do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da Liga Árabe para que então o país se posicione.
Nesta segunda-feira, o Secretário-Geral da Liga Árabe, Al Araby, reconheceu o novo governo líbio. A queda de Kadafi também foi reconhecida pela Tunísia, pelo Egito e pela Autoridade Palestina. Os reconhecimentos foram consequencia da tomada de Trípoli por opositores ao ditador.
Comentário
Em tese, o Embaixador deve ser sempre fiel ao governo oficial do Estado ao qual serve. Também em tese, o mesmo Embaixador que está hoje tomando conta da embaixada hoje teria todas as condições de assumir (ou continuar) como representante do novo governo que será formado.
Embaixador, em termos estritos, não tem visão política própria, apenas obedece as ordens.
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