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Itamaraty Faz Ressalvas a Grupo Proposto por França

Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Folha de S. Paulo

O Itamaraty teme que o Grupo de Contato sobre a Líbia -formado por potências ocidentais e regionais, proposto pela França para discutir o futuro do país -tome o lugar do Conselho de Segurança da ONU nas discussões sobre o tema.

Para o Ministério das Relações Exteriores, a formação de grupos não pode deixar que temas do Conselho sejam tratados "por fora". Ontem, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, mencionou a participação do Brasil no Grupo de Contato. O Itamaraty diz que ainda não houve convite formal.

"O Brasil tem o interesse de continuar se relacionando o mais rápido possível com a Líbia. Acredito que, com mais democracia, haverá mais diálogo e isso levará a um relacionamento mais aprofundado", disse o porta-voz do ministério, Tovar Nunes. O chanceler Antonio Patriota falou por telefone com seus pares da China e da Rússia. Segundo seu porta-voz, foi encontrado um "denominador comum".

"Há nuances no que tange à questão da Líbia, mas os países gostaram de se consultar e perceberam concordâncias sobre o pós-reconstrução", afirmou Nunes.

Comentário

O problema todo é o seguinte: se o Brasil aceitar fazer parte do grupo, ele poderá ser tido como um dos espoliadores, mesmo estando distante disso desde o começo e tendo votado de forma contrária a tal situação. O Brasil colocaria em uma corda bamba todo o posicionamento até agora. Além disso, todos os posicionamentos futuros.

Em termos puramente estratégicos, não o ideal não é simplesmente deixar de participar, já que mesmo quando o assunto é cabeludo você pode exercer poder de influência por dentro. A situação não é tão simples.

Exemplo: o que é melhor? (eliminando-se todas as outras variáveis)

1 – Participar do comitê que discutirá a demolição da sua casa, tentando influenciar por dentro a fim de que ela seja preservada, MAS correndo o risco de ser visto como um legitimador da sua própria desgraça; ou

2 – Recusar-se a participar por princípio, mas perdendo poder de influência de todo?

 

Minha visão é a de que talvez seja melhor o Brasil ficar de fora.

Eu estava em dúvida, mas o simples fato de ter escrito isso acima trouxe-me nova visão.

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