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Uma Pausa nas Férias para Tratar um Assunto Urgente: Ahmadinejad na América Latina e a Posição do Brasil

Por Daniel Cardoso Tavares

 

 

Olá a todos, depois de muito tempo (sem falar de política externa brasileira),

Como todos sabem, ainda não deu o prazo mínimo para que eu volte a verificar nossa política externa, estou de "férias" (elas, contudo, são apenas aqui no site: nunca estudei ou aprendi tanto em minha vida como nos últimos 6 meses, mas quase nada na área de humanas, diga-se de passagem Computador). Contudo, a última movimentação de Ahmadinejad na América do Sul trouxe algumas notícias bem "picantes" e não posso deixar de fazer ao menos alguns comentários superficiais.

Superficiais porque estou literalmente desligado de nossa política externa: não vejo mais nenhum vídeo, não leio noticias em profundidade. Ainda assim, porém, vou tentar verificar o que consigo tirar do meu velho chapéu…

Uma política de pressão só leva a países desesperados

Em primeiro lugar, é preciso reafirmar o "descaminho" nas ameaças e punições ao regime iraniano. Elas causam apenas uma coisa: medo. E o medo é o pior guia possível: leva a movimentos desesperados, como é o que eu acho que o Irã está fazendo agora.

Atentem para o fato de "desesperado" não significar irrazoável, mas apenas algo que tem como único parâmetro a iminência da pior alternativa (desespero = falta de capacidade de esperar; por sinal, esperança = capacidade de esperar, mas isso fica para depois…). Como todos daqui são bem educados, não preciso dar exemplos de países acuados que acabaram levando a grandes guerras.

Pois bem, essa é a situação do Irã: ameaçado de ter seu território invadido ou, no mínimo, bombardeado por forças estrangeiras: Israel e, inevitavelmente, EUA.

Nos últimos dias/semanas, a pressão somente cresceu, com movimentos de ambos os lados: ameaças de mais sanções, junto com trabalho diplomático para tirar a necessidade de compra do petróleo iraniano. O movimento do Irã, por sua vez, foi no mesmo sentido que, como vou explicar mais abaixo, está desenvolvendo por aqui: tentativa de mostrar força a fim de evitar ser destruído. É o equivalente tático ao cachorro que ladra a fim de afugentar uma possível ameaça.

Não que o Irã seja um poodle da vida, muito pelo contrário, mas a lógica é: eu vou mostrar força para que ninguém se meta comigo. Não é a melhor política contudo, mas é a única que alguém a ponto de virar pó pode tomar: uma medida cada vez mais des-esperada.

A culpa, para os que querem chamar-me de anti-americano, é das grandes potências, que, ao apertarem o Irã (lembrando aquele velho acordo bem sucedido que o Brasil de Celso Amorim (momento babação: se eu pudesse, faria essas palavras ficarem piscando) intermediou e que foi jogado no lixo pelos EUA) não deixam outra alternativa.

Da mesma forma, aquela palhaçada do "complô iraniano para matar um diplomata da Arábia Saudita", que foi esquecida em menos de uma semana, já que não tinha pé ou cabeça, junto com as recentes ações midiáticas (salvar iranianos em um barco sequestrado -> objetivo: desmoralizar os marinheiros iranianos diante de seu próprio povo ou os soldados israelenses ficarem sambando aquela obra prima da música brasileira) só colocam os iranianos à beira de um ataque de nervos.

Por falar nisso, aqui segue um vídeo com o jogo digital desenvolvido pelo cara que foi condenado à morte no Irã (bem sutil, não?):

O vídeo foi mandado via Facebook pelo Carlos Estevam.

O problema é que

O problema é que eles estão, aparentemente, realmente muito preocupados e isso pode levar a uma segunda coisa: uma movimentação "preventiva" a fim de aumentar o nível de tensão (deixar o inimigo com medo a fim de evitar uma ação) colocando aliados explícitos na porta dos EUA. Foi exatamente isso que, aparentemente, o Irã veio fazer aqui, na América latina.

Eu sei, posso parecer ingênuo, mas eu fui treinado (depois de anos lendo Freud, Jung, Alexander Lowen e uma pancada de livros de psicologia) a nunca, nunca duvidar de uma afirmativa: a psicologia diz que toda brincadeira tem um pé na realidade. E a brincadeira do Chávez de que "colocará grandes canhões apontados para os EUA" é séria o suficiente para fazer com que eu tenha que falar sobre um tema que tenho evitado desde setembro (quando percebi que a Dilma era uma bosta completa e não tinha recuperação, assim como seu "patriota" favorito): política externa brasileira.

O Brasil

O problema é que, como eu disse logo no início, não tenho acompanhado literalmente nada de política externa brasileira desde setembro. Graças a deus (d minúsculo) a produtividade do Patriota é uma bosta tão grande que que posso dedicar algumas horinhas para ver todos os vídeos produzidos desde então e mais alguns dias para ler todos os documentos de impacto e ver o que aconteceu (não vou fazer isso ainda, estou de férias Paz). Por isso: meus comentários serão genéricos, mas partem do princípio que o Itamaraty ainda existe e que o Brasil ainda não terminou de assinar os papéis que o tornam uma província dos EUA.

AntiIranianismolândianice

O problema é que o Irã está literalmente "passando dos limites", ao menos em relação à flexibilidade brasileira. O Brasil não pode entrar nesse ciclo pré-guerra mundial de forma alguma, deve manter-se o mais distante possível de um confronto direto em caso de ataques de lado a lado.

A movimentação do Irã é plenamente justa: eles querem continuar respirando, tendo braços e pernas: muito justo. Contudo, o clima de tensão vindo para nossa região não é muito interessante.

Cada Estado é livre para fazer o que quiser e o Brasil também: especialmente rejeitar entrar na ciranda de morte iniciada por Israel. Não, não vou culpar os EUA agora, eu até acho que eles estão "na paz", querendo conter os israelenses apressadinhos.

O Brasil

O problema é que o Brasil estará no meio desse lamaçal de uma forma ou de outra.

O que eu proponho (sem conhecimento de causa, como já disse 2 vezes antes) é:

O Brasil deve evitar assumir lados: nem Irã, nem Israel, nem EUA. A posição do Brasil deve ser a de evitar todo tipo de conflito.

Deve, também, por questões humanitárias, racionais e estratégicas, ser contra a política de sanções e pela busca negociada da questão, inclusive por meio de ação diplomática agressiva (ou pró-ativa, para quem gosta de clichês). Se o Patriota não tiver bolas para isso, então  a solução é pegar o Amorinha (o fracasso anterior não pode ser motivo para temer novas ações: sempre há tempo e tudo, absolutamente tudo, pode ser resolvido).

Agora

Eu sei que estou sonhando alto e que a Dilma lixo pode atrapalhar tudo. Eu achava que ela ia ferrar o Brasil só no exterior, mas ela está fazendo trabalho interno também, então agora que não há mais solução mesmo.

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