Política Externa Brasileira, Defesa, Desenvolvimento Nacional, Concurso do IRBr para Diplomata (CACD)

Por Daniel Cardoso Tavares

 

 

Ao assistir ao baixo número de manifestantes “anti-corrupção” ontem, uma linha de pensamento, que já estava “incubada”, tomou espaço para surgir na forma da seguinte argumentação:

 

Tome, por início, uma sociedade composta por 11 pessoas. Nela, certo debate surgiu e é preciso tomar uma decisão imediata, inadiável.

A situação

5 pessoas assumem um posicionamento, outras 5 outro e a última fica indecisa.

Em debate, nenhum dos lados consegue convencer o indeciso, mas, ainda assim, uma decisão é necessária.

Assim, o indeciso toma um dos lados e o assunto é “encerrado”: temos uma maioria. Temos uma decisão democrática.

Averiguando a situação

Qual a base para tal decisão? Será que foi uma decisão racional? Não.

Uma decisão racional independe de números.

Em um processo racional/verdadeiro, uma única pessoa, mesmo que contra as outras 10, será capaz de convencer os demais da veracidade dos fatos (por pior que seja sua argumentação) e todos os demais terão de seguí-la, pois o contrário seria contra a verdade/razão.

Assim, a democracia, o processo baseado na vontade da maioria dos votantes, é nada mais nada menos que um sistema não baseado na racionalidade ou veracidade das coisas.

A violência implícita como base democrática

Sendo assim, sabendo que a democracia não é baseada na verdade/racionalidade dos argumentos, então qual é sua fundação?

A base da democracia é a violência implícita, ou seja: a base da democracia é a percepção de que a maioria é capaz de destruir fisicamente a minoria, por isso essa parte “perdedora” deve submeter-se.

Não há absolutamente nada na “maioria” que lhe dê acesso ao cálice da verdade/racionalidade. Seu único trunfo está no poder físico que possui.

Prova disso é que decisões onde há uma maioria mais fraca são sempre “instáveis”:

  • peça para que uma maioria de crianças decida algo contra a vontade de um único adulto: quem vencerá?
  • peça que uma maioria de mulheres decida algo contra uma minoria de homens: os homens darão risada da decisão e vacilarão por alguns segundos antes de aceitarem.

Nesses casos, as decisões não serão aceitas pela razão. Nesses casos, as decisões não serão aceitas pelo “medo de destruição” daquele pertencente à minoria. Serão aceitas, porém, ainda assim, pela força, mas pela aura que acompanha apenas aos fortes: “o poder de deixar de exercer a força exatamente por ser forte”.

Como um leão, que sente pena (pena = desprezo pela presa, que não reagirá a altura e não confirmará a excelência da força do predador) de um macaco chorão (há experimento científico a respeito).

Por sinal, o choro significa: “olha, você não precisa destruir-me, pois eu sou tão fraco que você não receberá nenhum acréscimo em sua honra com minha destruição”. Indo ainda mais distante do tópico inicial: se um leão deixa de atacar uma macaco chorão, será que ele possui honra? Quão humano será o leão? Ou quão leonino será o humano?

Aplicando o conceito

No caso das manifestações anti-corrupção (que a meu ver são inúteis, pois pressupoem uma reforma e não uma revolução no sistema)  o baixo número de participantes é paradoxal: ao mesmo tempo que não tira a verdade dos argumentos apresentados, mostra que os participantes são minoria em seu posicionamento. Isso é: absolutamente nada será feito a respeito.

A única chance de que alvo seja feito será, com base nas regras democráticas (quer dizer: de violência implícita), se o número de manifestantes for elevado, o que transformará tal expressão em ameaça implícita de morte àquela minoria que pensa de forma oposta.

Isso imporia uma mudança: no comportamento, na legislação etc.

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