Posse do novo Governo de união nacional no Zimbábue
Charge no The Economist
Foi com satisfação que o governo brasileiro registrou a posse do novo Gabinete de União nacional no Zimbábue. Agradecemos a atuação dos presidentes Kgalema Motlanthe e Thabo Mbeki, presidente e ex-presidente da África do Sul, por meio da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral). Em visita a Harare, em 2008, ao chanceler brasileiro havia deixado uma mensagem de incentivo ao diálogo. O Brasil colocou-se à disposição para cooperar com a comunidade internacional e as autoridades locais a fim de levar a uma rápida recuperação do país, especialmente na questão humanitária.
O gabinete do Governo de união nacional é liderado pelo novo primeiro-ministro do país, Morgan Tsvangirai. "Tomaram posse 18 ministros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), ligada a Mugabe; 14 do partido majoritário do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), ligado a Tsvangirai; e 4 da ala minoritária liderada por Arthur Mutambara." O acordo foi alcançado em 15 de setembro e foi mediado pela SADC. Este início, porém, já mostra os problemas que podem vir pela frente, já que o presidente convocou 8 ministros, membros da Zanu-PF, a mais do que o previsto pelo acordo da SADC. Há tensão entre o novo primeiro-ministro e o presidente, Robert Mugabe.
"Foi um caminho muito duro, com muitos confrontos", afirmou Nicholas Goche, ex-ministro do Trabalho da Zanu-PF, referindo-se às difíceis relações entre Mugabe e Tsvangirai, que, desde 1999, foi detido várias vezes e acusado de traição, o que é punido com pena de morte [o que, obviamente, não aconteceu] no Zimbábue.
O governo do Zimbábue agora espera que sejam levantadas as sanções impostas pelos Estados Unidos e União Européia. Existe um embargo armamentista contra o Zimbábue, assim como sanções pessoais contra Mugabe, em consequência de violações aos direitos humanos e falta de democracia.
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A questão da China na África, que coloquei em artigo anterior (veja aqui) é exatamente essa: os europeus reclamam que a China dá assistência humanitária à África sem discriminar entre democracias e ditaduras (ou entre governos bons e maus – seja lá o que isso for), o que no fundo apoiaria regimes "maus". Os Europeus e Americanos, por outro lado, somente apóiam regimes "bons" e punem os "maus", sendo muito mais benéficos para a África, segundo eles, claro (taquem pedras em mim, mas eu sou um relativista cultural… com tudo que isso implica). Fica aí o que na minha opinião é o jogo da África da atualidade: China e o "mundo ocidental" lutando para ver quem domina o continente, em uma forma "bacana" de neo-colonialismo.
Veja artigos anteriores que falam um pouco mais sobre a situação no Zimbábue aqui e aqui.
Fonte: MRE e Yahoo
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