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Brasileiro, diplomata da ONU, desaparecido no Haiti

Brasileiro que era o segundo homem da ONU no Haiti continua desaparecido

A Organização das Nações Unidas ainda não sabe o paradeiro do brasileiro  Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade da ONU no Haiti e que está desaparecido desde que um tremor de 7 graus na escala Richter atingiu o país, na última terça-feira.

De acordo como o centro de informações das Nações Unidas para o Brasil, Costa estava na sede da Minustah (Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, na sigla em francês), que fica em um hotel em Porto Príncipe que foi destruído pelo tremor.

Juntamente com ele, estava o chefe da missão da ONU no país, o tunisiano Hédi Annabi, que também está desaparecido.

Na última quarta-feira, o presidente do Haiti, René Préval, chegou a afirmar que Annabi teria morrido em consequência do tremor, mas a ONU não confirma a informação.

O brasileiro e o tunisiano estão entre os mais de 200 funcionários das Nações Unidas que ainda estão desaparecidos no Haiti, de acordo com informações atribuídas a uma porta-voz da organização divulgadas pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira.

O brasileiro

Luiz Carlos da Costa

De uma sela de cavalo ao cargo mais alto ocupado por um funcionário de carreira brasileiro na ONU

Quando o jovem Luiz Carlos da Costa cruzava os corredores do prédio da ONU em Nova York como mensageiro, mal podia imaginar que mais de 30 anos depois seria o responsável por uma das negociações mais fascinantes e delicadas da diplomacia internacional. Em 2006, quando a Nigéria decidiu unilateralmente deportar o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, procurado por crimes de guerra e contra a humanidade, o brasileiro Luiz Carlos da Costa que comandava interinamente a Missão da ONU na Libéria (da Costa era o vice-representante da ONU para o país, mas o chefe estava em Nova York) teve apenas três horas para organizar uma operação que exigia extrema habilidade política. Um dos mais temidos senhores de guerra africano, acusado de assassinato, violência sexual e uso de crianças como soldados, que já tinha tido a cabeça a prêmio por dois milhões de dólares, Charles Taylor tinha de ser enviado imediatamente para o tribunal especial da ONU em Serra Leoa. “Foi essencial a confiança que o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, depositou em nós. Charles ficou apenas 37 minutos na Libéria e foi imediatamente mandado para a corte em Serra Leoa. Mas do que mais me orgulho foi ter ajudado a estabelecer um estado de direito na Libéria (a criação de instituições que garantissem as liberdades civis fundamentais, os direitos humanos, a proteção jurídica) e ter convencido a comunidade internacional a colocar o país nos trilhos do desenvolvimento”, afirma.

Quando em 1969, o jovem Luiz entrou pela primeira vez na ONU, estava à procura de um trabalho temporário que lhe permitisse ganhar dinheiro para comprar uma sela de cavalo, já que a paixão de juventude era o hipismo. Começou como mensageiro por três meses. Foi escolhido como o melhor mensageiro e ganhou um emprego. “Uma vez eu fui entregar documentos no 38º andar, a secretária não estava e o secretário-geral U Thant abriu a porta e começou a conversar comigo; quase me despediram por causa disso”, lembra, rindo. “Eu sempre me interessei pelos processos políticos e imagina eu, um jovem em busca de uma aventura, de repente tendo acesso a todas aquelas reuniões no Conselho de Segurança e Assembléia Geral. Hoje, Luiz Carlos da Costa é o vice-representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti. “Quando cheguei aqui me disseram ‘ainda bem que você chegou pois estamos lost in translation’(referência ao filme de Sofia Coppola, traduzido no Brasil como Encontros e desencontros). Nestes últimos 19 meses conseguimos virar a página da segurança, temos uma coordenação mais afinada entre os componentes militar, policial e civil da missão.” O fato de a missão militar ter um comandante brasileiro desde que começou e um grande contingente brasileiro também ajuda. De todos os postos por onde passou, Luiz lembra com entusiasmo a época em que foi o responsável por toda a parte de logística das missões de paz. Ele criou uma espécie de kit-missão de paz, com um número mínimo de carros, geradores, computadores, o mínimo necessário para montar uma missão da noite para o dia.

“Temos dois, para uma missão pequena e outra de médio porte.” Hoje as tropas e os civis podem se deslocar imediatamente. Com 39 anos de carreira na ONU e depois da trágica morte de Sérgio Vieira de Mello, Luiz Carlos da Costa é hoje o funcionário de carreira brasileiro mais antigo e mais graduado na hierarquia das Nações Unidas. Na entrevista por telefone entre Nova York e o Haiti, Luiz lembrou do dia 19 de agosto de 2003, dia do atentado que matou Vieira de Mello, quando ficou durante 45 minutos numa ligação direta com Bagdá. “Aos 23 minutos mais ou menos perdemos o contato com a voz do Sérgio” – silêncio também no Haiti. Minutos depois, Luiz Carlos da Costa, que teve a chance de trabalhar com Sérgio em várias missões, retoma a entrevista, com a voz embargada: “Foi muito difícil” – e chora.

Retirado de: http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/13/textos/159/

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