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A Política Externa do PT e a do Governo: Divergências

Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Valor Econômico

 

Embora tenham em comum a atuação de Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência e coordenador do programa de governo da candidata petista ao Planalto, Dilma Roussef, o governo e o PT não estão afinados em termos de política externa.

No PT, existe desconforto com o livre comércio entre Mercosul e Israel e há críticas ao empenho oficial em prol de avanços na Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio). O relacionamento entre multinacionais brasileiras e o governo também é vista de forma distinta.

O Valor afirma que a eleição de um candidato do PSDB provocaria mudanças na política externa: "Afinal, vêm do campo tucano as críticas mais veementes e constantes à atuação do Itamaraty e do Planalto contra, entre outra iniciativas, o ativismo pela cadeira permanente no Conselho de Segurança nas Nações Unidas e a cordialidade nas relações com a Venezuela de Hugo Chávez; e Serra não esconde sua antipatia por certas limitações impostas no Mercosul à ação internacional do país."

Para o periódico, há dissonâncias entre o partido e o governo, que vieram à tona na reunião ocorrida no sábado, aqui em Brasília. Uma delas estaria no fato de peças-chave do PT estarem preocupadas com a atuação de empresas brasileiras no exterior, nos conflitos entre seus interesses e as populações locais. O partido sugere algo como um "código de conduta" para essas empresas, ao que Garcia rebate afirmando que existe crescente consciência por parte dessas empresas acerca de seu papel no contexto do local em que se fixam. Outro fator levantado por ele é o de que "a presença das companhias brasileiras tem se dado por convite explícito dos governantes".

Além disso, Marco Aurélio opôs-se à visão de que as esquerdas do continente estão em um "estado defensivo estratégico" em relação à implantação do socialismo. Ele é contrário ao desejo partidário de criar algo como um bloco de governos de esquerda.

Há, também, a percepção do partido de que os países vizinhos temem um "subimperialismo brasileiro", reforçado "pela atitude arrogante e predatória de empresas brasileiras". "Nos países vizinhos, políticos de direita ou de esquerda criticam o avanço "imperialista" do Brasil mas também defendem a presença de empresas brasileiras, se servirem para a "correção de assimetrias", comentou [o deputado] Dr. Rosinha."

"As empresas vão pelo lucro, vão especular mesmo", comentou o deputado. "Qual o comportamento que teremos?", perguntou, manifestando o dilema do partido, que, nos países da América do Sul, tem articulações com outros partidos de esquerda, alguns de discurso anti-capitalista. "Ou fazemos um processo de correção das assimetrias, ou se faz como os Estados Unidos no México: constrói um muro [para evitar a imigração]".

Enquanto o governo defende a cooperação com os EUA, os autores do documento preparado pela Executiva do PT, são da opinião de que a política externa brasileira abre um campo de competição com os EUA. Apesar de termos a doutrina de respeito e pacifismo, "a imensa importância geopolítica do Brasil tem o potencial de transformá-lo em ‘ameaça’ aos EUA."

O documento debatido na semana passada ainda passará pelas instâncias superiores do partido, até ser submetido à Convenção Nacional do PT. Será interessante comparar esse ponto de partida com o que resultará do debate voltado ao fortalecimento da campanha da candidata de Lula à sua sucessão.

Comentários: Tirando as questões do PT, que já estão bem colocadas acima…

"Afinal, vêm do campo tucano as críticas mais veementes e constantes à atuação do Itamaraty e do Planalto contra, entre outra iniciativas, o ativismo pela cadeira permanente no Conselho de Segurança nas Nações Unidas e a cordialidade nas relações com a Venezuela de Hugo Chávez; e Serra não esconde sua antipatia por certas limitações impostas no Mercosul à ação internacional do país."

O que ele pode fazer? Fazer com que o Brasil abdique da busca por um lugar permanente? Seria "maravilhoso" se a reforma acontecesse e ficássemos de fora. Ficaria cristalizada a maior burrice do século.

Sobre a cordialidade: O que ele pode fazer? Começar a criticar o governo venezuelano? Talvez ele fique feliz ao vê-los lançar toda sua retórica contra nós, romper os laços que criaram com o modelo de TV Digital brasileiro-japonês, principalmente na compra do GINGA (alguns dizem que isso é um mito, mas ok…), tomar atitudes imoderadas acerca de temas comerciais, travar o Mercosul, interna e externamente, etc. A melhor maneira de lidar com eles é aproximando, não afastando.

Por falar em nosso bloco regional: por mais insatisfeito que alguém esteja, o Mercosul já provou pela forma mais confiável, i.e. números, que não é prejudicial, mas sim benéfico ao comércio tanto do Brasil, como dos demais países do Bloco.

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One Response to A Política Externa do PT e a do Governo: Divergências

  • Legal a matéria.

    Eu sou da opinião que os interesses brasileiros no exterior está acima de orientações partidárias. Os partidos que vão comandar o país são passageiros, a imagem e atuação brasileira em outros países não.

    Também acho absurdo o Brasil não pleitear uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, alías acho que essa é uma missão inescapável para o país, mesmo em nome da América Latina.

    Mas, em relação ao Mercosul, não há dúvidas que se pode e DEVE ser bem melhor do que é hoje. Se o Brasil se contentar com o Mercosul dessa maneira acredito que perderemos muitas oportunidades e ficaremos amarrados vendo o crescimento, por exemplo da China, por aqui.

    Ainda em tempo, sobre a Venezuela, ser coerente e, nesse momento de crise por lá, o mínimo que Lula e PT poderiam fazer (e, pelo que leio, não o fizeram) é apoiar Hugo Chávez já que em diversas ocasiões trocaram elogios. Se há apoio então se apoie e não se omitir quando a maré está contra.

    Eu particulamente não consinto que o Brasil apoie um presidente que nomeia um vice-presidente numa teórica democracia. Acho sim que o governo deveria manifestar preocupação com a situação de lá mas acaba por se omitir.

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