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Pensando Diferente (1) – Pragmatismo

Olá a todos,

 

Esse espaço vai servir às minhas idéias e pensamentos que normalmente não encontro espaço ou entusiasmo para levar à frente na forma de um estudo mais profundo. É basicamente um momento de desabafo. Planejo ser breve e incompleto, deixando espaço para quem quiser completar, discordar e etc., é só usar os comentários abaixo. Meu foco será no "desenvolvimento", não necessariamente em termos de política externa, por isso já vou pedindo minhas desculpas…

Acredito que o Brasil precise de uma leve reorganização nos currículos escolares do ensino médio. Tudo bem, sei que nessa idade todos estão preocupados, em termos de escola, com o vestibular, pensando que o curso X, na faculdade Y, salvará suas vidas. Preocupados em decorar e treinar como soldados as matérias para ter sucesso na famigerada prova. Porém…

O que proponho é a substituição de certas matérias "inúteis", como sociologia e filosofia, por outras mais práticas, voltadas para noções de empreendedorismo/economia. Algo que faça os olhos dos mais espertos brilharem com possibilidades de ganhos, que, no fim, traduzir-se-ão em desenvolvimento para o Brasil.

Creio que o excessivo foco intelectual acaba por minar o desenvolvimento nacional. Seria um complemento ao que o professor Viola, da UnB, disse certa vez (não Ipsis litteris): estudar ciências humanas é inútil, os países desenvolvidos focam suas energias nas ciências exatas, essas sim geram riqueza e poder.

Um complemento, por que também de pouco adianta o estudo das ciências exatas se o foco for simplesmente acadêmico. "Brincar de ser doutor" não leva a nada, a não ser uma "medalha", um enfeite, que não é traduzido em bem-estar para o povo.

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2 Responses to Pensando Diferente (1) – Pragmatismo

  • Olá,

    Entendo sua posição quanto a mudança do ensino no Brasil. Mas não posso deixar de discordar.

    Primeiro por crer que uma “leve reorganização” no ensino do país será de baixo alcance. Nesse sentido apoio o Senador Cristovam Buarque quando ele diz que é necessário uma “revolução na educação” e focada no ensino básico.

    Tampouco creio na “inutilidade”, em qualquer ponto de vista, inclusive de sua aplicação em termos de empreendimento, de matérias como sociologia, antropologia e filosofia. Muito pelo contrário, acredito que o estudo de matérias como essas poderiam humanizar mais o empresariado brasileiro.

    Porém concordo que o estudo de ciências exatas e afins podem trazer resultados econômicos em mais curto prazo, mas este não é o suficiente para uma sociedade justa e harmoniosa.

    A orientação de estudos com resultados mais práticos na economia está sendo muito praticada, ao menos em SP, com cursos técnicos e afins. Mas estes, se podem e devem formar bons empreendedores, ajudam a esconder o grande descaso de nós brasileiros em não investir em educação e não formar cidadãos de verdade.

    No mais te incentivo a escrever suas opiniões no site, que acho muito bom!
    .-= Luiz Barretto´s last blog ..EUA x Irã: só a China pode resolver =-.

  • Política Externa.com says:

    Luiz, obrigado pelo comentário.
    Sobre a revolução do Cristóvam: gosto muito dele e o apóio em grande medida, (até votei nele…) mas acho que termos muito impactantes como “revolução na educação” podem não significar muita coisa na prática. Acredito que o que ele diz em termos de revolução seja voltado para a correção da situação atual dos professores, que não têm um salário digno, ou para a questão do número de escolas, equipamentos em sala de aula, etc. Não estou lembrando bem, mas acho que foi ele quem propôs o sistema de “educação integral” (alunos por dois períodos na escola) que hoje existe aqui em Brasília, nas escolas públicas… se for essa uma parte da revolução eu concordo também.
    Concordo, da mesma forma, com seu ponto de vista sobre filosofia e matérias que levem a uma “reflexão” sobre a própria vida, como viver em sociedade etc., mas creio que isso deveria ser dado no ensino básico, quando o aluno/criança ainda está formando as bases de sua atuação futura em comunidade. Acredito que seja pouco útil tentar colocar esses temas já tão “tarde”, quando os indivíduos já estão formados no seus aspectos mais íntimos.
    Eu lembro como era a lide com essas matérias naquela idade (16-18 anos), exatamente porque estou tão perto dela, e sei que todos viam isso como “baboseira” ou então algo a ser “decorado” para a próxima prova. Eu não via assim, eu era bizonho, estudava psicologia para passar o tempo :P , mas o resto pensava assim. Se fosse algo prático do tipo: olha aqui o que fazer com seu dinheiro e ficar rico, aposto que todos esbugalhariam os olhos.
    Meu foco não era em relação à formação de bons cidadãos ou coisas assim (eu pessoalmente acho que isso só pode acontecer na infância), mas em termos realmente econômicos/práticos de curtoprazo inclusive.

    Também gosto muito do sistema de cursos técnicos, mas fiz a proposta por que creio que seja algo fácil de fazer. Não haveria exigência de formação específica para ministrar esse tipo de matéria, desde que os materiais de base (livros didáticos) fossem bem planejados.
    Na verdade, eu já tive uma matéria como essa na minha oitava série. Não vou lembrar o nome por que era uma sigla, mas basicamente o professor dava noções de empreendedorismo, ensinava sobre empresas, documentos contábeis, etc. Nós gostavamos bastante, mas era uma matéria “acessória” e com poucas aulas, além de ser um pouco precoce, nós ainda víamos tudo como “bem distante”.
    O termo inutilidade veio no seguinte sentido: o que alguém aprende sobre empreendedorismo em filosofia ou sociologia? Em termos práticos digo, prático para mim é: aprendeu -> usou, como uma ferramenta. A pessoa obviamente sai dessas matérias sem saber lidar com o preenchimento de papeis de impostos, com estratégias corporativas, de contratação de pessoal, com leis trabalhistas, com economia e finanças… enfim: ela não aprende como transformar o dinheiro do recreio no McDonalds do futuro. O sentido que você adotou é muito “amplo” para mim, seria como dizer que ensino religioso é útil para a economia. Concordo que seja, mas beeeeem indiretamente, usando bastante a imaginação e acreditando muito na boa vontade alheia.
    De fato, vou voltar um pouco atrás no que acabei de dizer: acho que o capitalista ideal é um ser humano mesquinho, tipo um rolo compressor. Faz parte do capitalismo que seus expoentes queiram ver a caveira do outro… e isso é bom em termos econômicos. Filosofia demais pode torná-los moles para tomar decisões duras do dia-a-dia de uma empresa. Henry Ford era um carrasco, todos os operários o odiavam, mas se ele fosse mais sensível não teria chegado tão longe.
    Isso não é o ideal, já sei que você deve estar espantado… até o “velho Daniel socialista” estaria querendo jogar pedras agora… mas é aquela velha história: se a vida lhe deu limões, faça uma limonada…

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