A Questão do Irã Nuclear: As Múltiplas Visões (+ Atualizações em Vídeo)
Por Daniel Cardoso Tavares
Fontes: A Tarde, Correio Braziliense, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e Brasil Econômico
França e EUA
Para EUA e França não resta mais nenhuma opção além de novas sanções contra Teerã. O Ministro da Defesa Francês, Hervé Morin, em companhia do americano Robert Gates, afirmou que "não nos resta outra opção a não ser buscar novas medidas no Conselho de Segurança da ONU".
"Nos cálculos da França", segundo o Le Monde, "seria necessária a unanimidade do restante do Conselho em favor das sanções. Pelas regras em vigor, bastaria a aprovação de 2/3 dos membros, sem nenhum veto, para a resolução ser aprovada.
Brasil
A posição oficial do brasil está no discurso do Presidente: “Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos e com respeito aos acordos internacionais, e esse é o caminho que o Brasil vem trilhando. Não proliferação e desarmamento nuclear devem andar juntos. O Brasil sonha com um Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre na América Latina”,
Sobre os recentes desenvolvimentos: Amorim, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que as negociações não estão esgotadas e que ainda é possível alcançar uma posição entre o Irã e o P5 +1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha) "nos moldes do acordo de troca de urânio com baixo teor de enriquecimento por combustível para o reator de Teerã".
A indicação é a de que o Brasil não apoiará novas sanções propostas pela França, com quem tem uma "parceria estratégica", e EUA.
"Além do Brasil, a Turquia se alinha em favor da continuidade das negociações do acordo. A Nigéria, país de maioria muçulmana, e o Líbano dificilmente votariam em favor das sanções ao Irã. Todos os quatro emergentes são membros não-permanentes do Conselho."
Rússia
De acordo com a Folha, a Rússia está pressionando o Irã a cumprir suas obrigações nucleares, em uma posição talvez diferente da que vinha mantendo pelos últimos anos, de abster-se nas votações contra "o aliado persa". Veja mais logo abaixo, na parte que trata sobre o escudo antimísseis.
China
Bom, tudo indica que ela usará de seu poder de veto contra novas sanções ao Irã.
A China tem fortes interesses comerciais, tendo ultrapassado a União Européia como maior parceiro comercial do Irã. "Dados oficiais ainda retratam a UE como maior parceria comercial de Teerã, com US$ 35 bilhões em 2008, ante US$ 29 bilhões para a China. Mas esses números disfarçam o fato de que boa parte do comércio iraniano com os Emirados Árabes Unidos consiste de bens canalizados de ou para a China." Levando-se em consideração esses dados, o comércio China – Irã totaliza no mínimo US$ 36,5 bilhões, maior, portanto que o total de todo o bloco europeu.
O Irã importa maquinaria e bens de consumo dos chineses e exporta petróleo, gás natural e petroquímicos. A Câmara de Comércio Irã-China afirma que 11% das necessidades energéticas chinesas dependem do parceiro persa.
"No passado, a China permitiu a aprovação de três resoluções da ONU impondo sanções ao Irã. Mas o embaixador do país enfatizou a necessidade de negociações." "Nossa abordagem é a de que o diálogo e as negociações sempre produzem resultados melhores", afirmou o embaixador chinês em Teerã, Xie Xiaoyan. "As sanções não produzirão os resultados almejados [pelo Ocidente], por mais paralisantes que sejam".
Mas alguns analistas enfatizam que essa posição possa mudar. Yin Gang, especialista em assuntos do Oriente Médio na Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que "a China é extremamente cautelosa em seus tratos com o Irã, mesmo no comércio e energia. Os chineses não mantêm relacionamento estreito demais com o Irã porque poderia prejudicar suas relações com muitos outros países."
Caso a China impeça o Conselho de Segurança de aprovar as sanções na ONU, EUA e UE ainda teriam a opção de impor medidas unilaterais. A questão é determinar se os elos entre Irã e China atenuariam o impacto dessas medidas.
Irã
O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, defendeu o uso da energia nuclear para fins pacíficos. “Nós confiamos no Brasil. Acreditamos que as autoridades brasileiras têm conhecimento da situação e da posição iranianas. O Brasil, ao contrário de outros países que tiveram fortes reações, não é um país que pensa em colonizar outro país”, disse Shaterzadeh. O uso do material enriquecido seria voltado para fins medicinais, agricultura e produção de energia.
“Estamos de acordo com as normas internacionais. Não violamos nenhuma regra e por isso não entendemos essa reação. Esses países devem primeiro destruir seus armamentos nucleares para depois darem conselhos para os outros”, afirmou, referindo-se aos opositores do programa iraniano.
Ele destacou que seu país continua disposto a comprar urânio enriquecido de terceiros países e que o enriquecimento dentro do próprio Irã surgiu como resposta às restrições ao comércio do mineral com seu país. “Se não impuserem condições, estamos dispostos a comprá-lo.”
Escudo anti-mísseis
Um alto funcionário da Defesa iraniana anunciou que eles pretendem desenvolver seu próprio sistema antimísseis comparável ao S-300 russo, que teve o contrato de entrega suspenso por Moscou.
Heshmatola Kassiri, alto funcionário de defesa antiaérea do Irã, afirmou que "em um futuro muito próximo, nossos especialistas vão produzir um sistema antimísseis que terá a mesma capacidade do sistema S-300, e inclusive maior potência." "Produzimos nós mesmos todos os nossos equipamentos de defesa antiaérea", completou.
O pedido para a suspensão da entrega do sistema russo, que aconteceu em 21 de outubro de 2009, veio das potências ocidentais e de Israel. "Apesar de possuir extensos laços comerciais com o Irã, a Rússia vem aliando-se cada vez mais às potências na condenação a Teerã pela expansão do seu programa nuclear."
Vizinhos
A Síria, por manter aliança estratégica com o Irã, foi a única que não declarou preocupação com as ambições nucleares iranianas. Aparentemente existe uma corrida silenciosa em busca de melhores garantias dos EUA e mais avançados e numerosos equipamentos de defesa, ou seja: uma corrida armamentista.
Os EUA já montam um sistema de defesa na região, com o envio do sistema antimíssil Patriot para quatro países do golfo, assim como dois navios para patrulhar a costa do Irã.
De acordo com um estudo do Instituto Washington para o Oriente Médio, pode ser que os demais países sintam-se obrigados a buscar armas químicas ou outras armas proibidas para superar sua falta de capacidade nuclear.
Ao mesmo tempo, a mídia árabe não para de publicar supostos indícios de que um ataque israelense às instalações iranianas pode ser iminente. Há poucos dias, a imprensa do Egito divulgou que dois navios de guerra israelenses teriam passado recentemente pelo canal de Suez, navegando em direção ao golfo Pérsico.
A passagem, segundo fontes oficiais, teria sido cercada de cuidados de segurança por parte do governo egípcio, um dos maiores rivais do Irã na região.
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