A Crise Europeia e o Brasil
Fonte: Estado de S. Paulo
Nota: Acompanhe a questão da Grécia pelo site www.politicainternacional.com.br
Poderia parecer que a crise que afeta a União Europeia (UE) e, em particular, a Grécia nada tem que ver com a economia brasileira, a não ser o fato de nos alertar para os riscos que um país corre ao acumular déficit público elevado e cobri-lo com empréstimos externos, isto é, com a poupança de outras Nações. Todavia, o que acontece na UE pode afetar, sim, nossa economia, sob diversos ângulos.
No Estado de domingo o nosso correspondente em Genebra, Jamil Chade, informou-nos que os governos europeus terão de captar 1,6 trilhão neste ano para conseguir rolar suas dívidas, enquanto os bancos precisarão captar 500 bilhões. Hoje, as sete economias mais industrializadas do mundo acumularam, em razão das políticas antirrecessivas, uma dívida de US$ 30 trilhões, o equivalente a 50% do PIB mundial. Em face dessa necessidade, vamos presenciar uma concorrência muito acirrada entre emissões realizadas pelos governos mundiais (emissões soberanas) e as do setor privado.
Nosso governo não será poupado nessa corrida ao mercado, justamente no período em que vai precisar de vultosos financiamentos para os gastos com a Copa do Mundo e a Olimpíada ? gastos que nem sempre oferecem retorno ?, e isso, por outro lado, no contexto de uma campanha eleitoral em que um dos concorrentes não esconde seu projeto de uma maior presença do Estado na vida econômica. Assim, podemos prever um aumento das taxas de juros para captação de recursos no mercado internacional, fato que poderá aumentar nosso déficit em transações correntes do balanço de pagamentos, que já representa um dos maiores problemas no horizonte das nossas contas.
Mas também as dificuldades que a UE enfrenta terão para nós um efeito muito negativo na medida em que o euro se está desvalorizando, o que, de um lado, torna mais difíceis nossas exportações para aquela área e, de outro, aumenta a competitividade de produtos importados vindos da Europa. Há anos que a UE é o melhor mercado para o Brasil, comprando mais do que o dobro de produtos nossos do que a China. É, também, nosso maior fornecedor e poderá ganhar até dos EUA.
Não podemos, pois, ficar indiferentes à crise europeia, que poderá surtir efeitos muito negativos para nossa economia, embora não tenhamos muita possibilidade de intervir nela, já que não estamos em situação de ajudar a Grécia nem os outros países em dificuldades na UE.
Ps.: Aqueles "?" parecem ser algum código "pré-publicação", não? Bom, foi assim que eles publicaram, então está valendo…
Ps2.: Algum de vocês está disposto a ajudar o site com notícias de economia/finanças/comércio exterior? Esse é um dos pontos que não consigo cobrir bem por aqui, falta amor pelo tema e capacidade
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