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O Brasil e o G-20 (resumo)

G201

O G-20 foi vitorioso ao consolidar-se como foro central de deliberação sobre temas financeiros e econômicos internacionais. Desta vez tomou decisões concretas, mostrando-se ao mundo em momento de crise profunda. É um foro muito maior que aquele de 10 anos, criado sob inspiração de Bill Clinton.

As reuniões realizadas em nível ministerial, na esteira das crises, tinham resultado prático próximo de zero. Após sua criação, os emergentes puseram em prática políticas que reduziam suas vulnerabilidades e os levaram a ganhos nos anos 90, entre eles a austeridade fiscal, controle de inflação, estímulo à exportação a acúmulo de reservas. Agora é a vez das economias centrais estarem em crise.

Antes da fase mais aguda da crise, o Ministro Mantega iniciou esforço pessoal para mudar a natureza do G-20. Fracassou de início, mas o "setembro negro de 2008" sensibilizou os países mais ricos, levando-os à compreensão de que seria difícil sair da crise sem coordenação com os emergentes. Mantega, então, presidiou reunião, que contou com a presença do presidente dos EUA, na qual criticou a falta de flexibilidade do G-20, propondo maior número de encontros ministeriais e, o mais importante, defendeu a realização de reuniões de cúpula, para ter efetividade plena. Aceita sua proposta, no mês seguinte realizou-se no mesmo local, Washington, o primeiro foro de líderes do G-20. Lá foi agendado o encontro de Londres, da semana passada, e assim o G-20 foi incorporado ao calendário das lideranças globais.

Em Londres, a delegação brasileira conseguiu que a próxima reunião constasse do comunicado final, definida para "antes do fim do ano". Falta decidir o local. Essa, porém, não é uma luta vencida. Alguns do G-8 gostam do formato restrito, por isso o Brasil quer institucionalizar o G-20 no curto prazo.

Apesar dos avanços em temas como incentivos econômicos, fluxos financeiros para países em desenvolvimento e emergentes, regulação/supervisão do sistema financeiro e reforma da governança global, houve ceticismo em relação a esse último tema. Consolidou-se abril de 2010 para conclusão da reforma de representação dos países no Banco Mundial [lembrar o declaração conjunta de Brasil e Grã-Bretanha]. Janeiro como prazo para a revisão de cotas, capital e voz no FMI. Ambos objetivos de longa data de nosso Estado. Ampliou-se o Financial Stability Forum, rebatizado para "board", com a inclusão dos membros do G-20, além da Espanha. Ele irá monitorar a economia mundial. Também foi ampliado o Comitê de Basiléia de Supervisão Bancária, ao qual o Brasil ingressou, e o Comitê Técnico da Losco, que reúne os reguladores dos mercados de ações e títulos. Além do fortalecimento financeiro do FMI, para ajudar na crise de liquidez de vários mercados. Todas essas mudanças tiveram como base a cúpula do G-20.

 

O dia em que o Brasil disse não ao FMI

Autoridades americanas, do FMI e do México tentaram persuadir Lula a recorrer a linha de financiamento mais flexível do organismo, mas nosso presidente rejeitou a "oferta". [Nessa história só o México decidiu a ele recorrer]

 

Texto original de: Cristiano Romero [que] é repórter especial em Brasília e escreve às quartas-feiras.

Fontes: Valor Econômico (Clipping) e www.asianews.it

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