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O Brasil pode exercer um papel de relevância nas negociações sobre a questão nuclear do Irã?

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Posts Tagged ‘desenvolvimento’

Ministro diz que Plano de Banda Larga Utilizará Estrutura da Eletrobrás

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Fonte: Agência Brasil
Nota: Enquanto o site do MRE está "morto", fica essa notícia relacionada ao desenvolvimento tecnológico.

 

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O Ministro do Planejamento afirmou que o Programa nacional de Banda Larga utilizará a estrutura da Eletrobrás. O objetivo é universalizar o acesso à internet rápida no Brasil.

“O meio que o governo vai utilizar não passa por acordo com a Eletronet. A Eletronet é uma massa falida que continua lá, gerida pelo síndico. O que o governo federal pode, eventualmente, lançar mão das redes de distribuição de fibras óticas que estão de posse do sistema Eletrobrás. Não tem nenhuma relação econômica com a Eletronet”, afirmou o Ministro. O programa é considerado prioridade para 2010.

A Eletronet surgiu como empresa estatal no início da década de 1990. Parte da empresa foi privatizada em 1999 com a venda de 51% de seu capital para a americana AES. O governo manteve 49% das ações. Com a falência, o grupo americano vendeu a sua participação para uma empresa canadense, que revendeu metade do ativo para Nelson dos Santos.

O governo quer quer as redes de fibra ótica cubram 60% do território nacional, dando acesso a 90% da população. Há a decisão no sentido de que a Telebrás irá gerir o sistema. "Santanna não quis falar sobre o custo do investimento, mas disse que a parte mais cara, que seria a implantação da rede de fibras óticas já está pronta." “É um investimento que já foi feito que é a estrutura de fibra ótica. Seria um desperdício não utilizá-la. É só iluminá-las [utliza-las para transmissão de dados]. O que o governo terá é um ganho marginal de um investimento que já foi feito”.

 

Comentário: O Brasil, por experiência própria digo, já esteve muito atrás em termos de tecnologia de redes. Nos idos de 1998, nosso PING (ping é um pacote de dados cuja única utilidade é verificar se a conexão está funcionando. O valor do ping é o tempo, em milissegundos, que o pacote leva para ir e voltar ao usuário) em servidores nacionais, com "banda estreita" (modens de 36k), variava em torno do 999.

Quem tinha ping de 500-700 era um sortudo, invejado por todos. Nos fóruns especializados nós víamos os americanos, em competições internacionais, com ping de 200! O que diziam os mais entendidos, lembro bem, era que nós estávamos com dois anos de atraso em relação a eles.

Esse atraso já foi tirado ha muito tempo. Hoje nosso ping varia entre 60 – 200 no máximo (é até engraçado ver os "mulekes" (noobs) de hoje reclamando quando o ping está em 100: "estou lagado! Droga de conexão!" eu começo a rir… e pensar que sou idoso…), com banda larga claro. Lembrei-me hoje, por acaso, que naquela época, 1998, ter 1mb de conexão era um sonho, literalmente. Quem tinha tirava onda com seu "T1". Hoje quase todo o acesso é de banda larga, acredito que uma minoria use modems "padrão".

Podem pensar, contudo, que continuamos atrasados, mas isso não é verdade. A uns 3 ou 4 meses atrás, estava eu em um servidor americano e as discussões não saiam muito da nossa realidade. Estamos no primeiro mundo, falta universalizar o acesso, é isso que o governo quer.

Aqui em Brasília existia/existe um plano de criar mega torres de transmissão Wi-Fi, tornando o acesso gratuito em todo o Distrito Federal, mas essa idéia foi "ventilada" a alguns anos atrás e não ouvi mais nada a respeito.

Bom, apesar da boa vontade, agora começo a ser mais crítico do que descritivo, é preciso pensar em longo prazo, investir nossos recursos de forma inteligente e esse plano do governo pode estar seriamente comprometido, podemos voltar à estaca de subdesenvolvimento "internetal", digamos assim.

O principal desafio é a Google, de novo. Como já coloquei aqui, e saiu com uma semana de atraso em um revista nacional, eles já estão desenvolvendo um sistema de redes que pode chegar a 100GB por segundo! (veja aqui). Nós aqui no Brasil corremos o risco de estarmos gastando nossos esforços à toa, sendo que em breve tudo poderá estar perdido caso a Google desenvolva seu sistema com sucesso (eles são bons no que fazem) e simplesmente chegue aqui para nos "colonizar" tecnologicamente. Ou vocês acham que eles vão tornar esse conhecimento tecnológico livre de direitos de propriedade?

O que podemos fazer? Bom, sem parar os esforços do governo nesse sentido de universalização, devemos começar a investir em esforços de "contramedida". Tirando o peso conflituoso do termo, obviamente, seriam medidas de desenvolvimento tecnológico que nos permitam atingir o mesmo grau de avanço que eles pretendem ter, mesmo que com alguns meses de atraso, mas é melhor que nada, melhor que ficar nas mãos deles. Eu acredito que seja possível fazer, basta reunir um bom número de engenheiros de fazê-los trabalhar até suar sangue…

Outra possibilidade é aproveitar o desejo da Google de desenvolver seu sistema e agir de forma diplomática a fim de cooptá-los a testar seus sistemas aqui, com investimentos brasileiros e googlianos conjuntos. Resta saber se eles vão querer… ou se o governo dos EUA vai permitir… Eu ainda prefiro a opção do "suar sangue" … ;)

 

Ps.: Quando existir a tal conexão de 100GB/ segundo, seremos obrigados a abrir os "joguinhos" FPS da vida e mergulhar neles por algumas semanas… só assim para adaptar o cérebro às megas velocidades de pings de, sei lá 0,10 ou coisas do gênero… Tenho até pena dos "velinhos" que nem sabem a diferença que fazem 100 milisegundos na vida de uma pessoa, hehehehe…

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Pensando Diferente (3) – Transportes: Ferrovias, Rodovias e Navios!

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Quarto programa da série 7 Anos em 7 Minutos com o ministro Alfredo Nascimento (Transportes), em que fala sobre a retomada dos investimentos estratégicos em infraestrutura promovidos pelo governo Lula.

 

Eu sou um entusiasta das ferrovias. Não vejo como o Brasil possa desenvolver sem ter uma ótima estrutura de logística e isso precisa, antes de mais nada, passar pelo progresso vigoroso na área ferroviária.

 

Rodovias: Os gastos com rodovias são menores que os ferroviárias no curto prazo, mas a constante necessidade de manutenção, os riscos, incluindo o de assaltos, para os que utilizam o sistema (viajantes, caminhoneiros e operadores), os gastos causados por acidentes, tudo isso junto, com certeza, ultrapassa em muito qualquer investimento que pudesse ter sido feito em uma ferrovia no mesmo trecho.

Minha visão é a de que as rodovias federais devem ser privatizadas o quanto antes. Quanto mais cedo o governo livrar-se dos gastos em manutenção, sinalização e expansão, melhor para todos nós. A iniciativa privada que cuide disso, recebendo seu quinhão de lucro.

A privatização das estradas tem mais efeitos positivos que negativos: melhora e amplia as rodovias, traz maior segurança para o sistema como um todo e reduz o número de veículos em circulação, já que incentiva o uso de transportes coletivos.

 

Ferrovias: As ferrovias, como já disse a pouco, constituem a forma superior de transporte. É preciso levar em consideração, porém, o altíssimo custo inicial.

Todos sonhamos em ganhar na loteria ou receber grandes somas de dinheiro com uma grande descoberta ou coisas assim, pois bem, em um de meus momentos de "ócio criativo", resolvi fazer uma pesquisa (isso foi a alguns anos atrás) sobre quanto custaria determinado trecho utilizando o transporte ferroviário.

Acabei chegando a um site especializado (não sei mais o endereço :( ) que tinha uma tabela de custos por tipo de terreno. Obviamente, passando por cima de montanhas, em túneis, elevados, etc., tudo isso era mais caro que a construção em terreno plano. Enfim, os dados que eu tive foram os de que um (1) mísero quilômetro em terreno plano custa aproximadamente USD 2 milhões!!!!

Isso sem levar em conta os trens, as estações (que já sei, por experiência aqui em Brasília, que custam pouco mais de R$ 20 milhões a unidade, para trens de quatro composições (esse foi o custo das estações da 102, 112, 108, 110 sul aqui do Plano Piloto… lembrando que elas já estavam "semi-construídas"… não sei quanto disso "pode ter sido maracutaia"…).

Ou seja: são altíssimos os custos iniciais, mas, ao longo do tempo, isso pode ser compensado e valer à pena.

Imagine-se que um único trem pode transportar a carga de centenas de caminhões. Cortam-se drasticamente, assim, em um nível mais geral, os gastos com combustível, já que uma locomotiva gasta menos que centenas de motores individuais, alguns bem, outros mal regulados.

Reduz-se, também, os riscos de assaltos. Na verdade, creio que possa ser literalmente zerado o risco de assaltos. O fato de apenas um trem carregar uma quantidade absurda de bens, torna possível que exista um vagão exclusivo para a polícia ferroviária federal (isso existe sim… hehehe… parece que só tem 4 agentes hoje!!!!), dando segurança aos bens e pessoas que estivessem transitando.

Para as empresas, o transporte seria muito mais barato. Eliminaria-se o problema da "incerteza" com relação ao prazo de chegada, assim como da qualidade da mercadoria, que seria transportada mais rapidamente e sem os "solavancos" de uma estrada convencional.

Para os consumidores, tudo ficaria melhor. Os preços dos bens cairiam, já que os custos com transporte seriam menores. A qualidade dos mesmos seria elevada exponencialmente, especialmente no caso de hortifrutigranjeiros, que, por serem transportados mais rapidamente, chegariam mais frescos às mesas dos brasileiros, assim como exigiriam menor quantidade de agrotóxicos, já que grande parte deles serve para preservar esses alimentos pelas longas horas e dias de transporte rodoviário.

Para as pessoas o benefício seria muito grande. Menos caminhões nas estradas significarão menor risco de acidentes, já que uma parte deles provêm de caminhoneiros que têm que trabalhar por longas horas, sem descanso, correndo contra o relógio. Da mesma forma, as famílias deixarão de estar obrigadas a irem de carro. Poderiam pegar trens e chegar rapidamente a seus locais de destino, aproveitando as belezas da paisagem. Outro benefício seria o desafogamento das grandes cidades, que, por terem transporte de longa distância com alta qualidade, poderão receber pessoas de locais mais afastados dos centros. As "cidades-dormitório" tornar-se-ão mais presentes, diminuindo o fluxo de carros nos grandes centros urbanos.

 

Transporte marítimo: O já famoso livro "Amazônia Azul"  trouxe à tona as discussões sobre a necessidade do Brasil ter uma frota mercante de peso. Como o intuito desse texto não é científico, não recorrerei ao livro texto para buscar números exatos, mas uma quantidade muito pequena de nosso comércio exterior é feito em navios nacionais.

O principal problema dessa realidade é o fato de que os valores pagos em fretes e seguros acabam ficando nas mãos de estrangeiros. Levarei à frente, assim, a visão dos oficiais da Marinha que pregam uma reversão no atual quadro. A proposta deles é a de que o Brasil precisa investir pesado na construção de navios mercantes, a fim de substituir os mais de 90% de dependência que temos de terceiros países em nosso comex.

Vocês já devem estar desconfiados e eu torno explícito que sou favorável ao investimento estatal inteligente. Não corroboro um processo de estatização, mas acredito que seja possível criar empreendimentos de sucesso no modelo Petrobrás ou a ex-Vale do Rio Doce, no qual o governo entra com um pesado investimento financeiro, mas com uma mentalidade capitalista, de lucro e competitividade. Nesse setor, de transporte marítimo, creio eu, seria ideal o governo lançar mão de recursos para a construção de estaleiros a fim de, gradualmente, substituir a situação atual.

Acabei não resistindo e vou sair um pouco da linha e fazer duas citações do livro Amazônia Azul, encerrando o argumento com a vertente interna desse setor.

Nessa era de globalização, o transporte marítimo é uma atividade eminentemente internacional, que opera em mercado aberto e concorrencial e, por isso, em princípio, qualquer operador pode, a despeito de sua nacionalidade ou da localização de sua empresa, prestar serviços de transporte no mercado. Assim, é muito comum a prestação desses serviços entre dois pontos de origem/destino, sem que algum deles seja o país de registro da empresa ou do navio (cross-trading). Talvez por isso, esse mercado seja dominado por grandes empresas transnacionais que desenvolvem estratégias globais, tirando partido da queda das diferentes barreiras de acesso às cargas transportadas, como se tem verificado em nível mundial.

Para um país como o nosso, que dispõe de um litoral com 3978 milhas e uma grande rede hidroviária interior, é lamentável que ainda nãos e explore adequadamente o transporte marítimo. É claro que são necessários investimentos para modernizar o sistema, que conta com 16 portos de boa capacidade operacional. Fazer crescer esse setor é difícil, mas não impossível. Sabendo-se que o número de empregos gerados por esse crescimento seria fator determinante para a diminuição da pobreza, tal imperativo logístico se impõe. Quantos novos postos de trabalho seriam criados com a ampliação da indústria naval, com o aumento do transporte marítimo, com o incremento da fiscalização e do controle, com a indústria de peças e com a maior demanda de mão-de-obras nos portos? É uma verdadeira bola de neve que não iria parar tão cedo.

Fonte: Amazônia Azul: o mar que nos pertence. Rio de Janeiro: Record, 2006. pgs. 110–111.

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Tradução – COHA: Quanta Energia Será Necessária para Tornar o Português uma Língua Global?

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Tradução por Daniel C. T.
Fonte: COHA (Council On Hemisferic Affairs)

 

Em 15 de dezembro de 2009, eu fui convidado a participar de um entrevista de rádio para a Voz da América. A Conferência de Copenhague da ONU estava terminando e, mais uma vez, como foi o caso nessa primeira década do século, o Brasil esteva na frente como o maior protagonista. Recentemente, a influência global do país repetidamente foi manifestada na comunidade internacional, tal como na posição firmemente tomada em oposição à deposição do Presidente Zelaya e no comando do componente militar da MINUSTAH (Missão de Estabilização da ONU no Haiti). Dadas as crescentes evidências de um poderoso empurrão do Brasil nas relações internacionais, o entrevistador da Voz da América esteva curioso se toda essa agitação poderia ser traduzida automaticamente em um tipo de emergência da língua portuguesa como uma das mais faladas do mundo.

No momento, aquela pareceu ser uma questão interessante e talvez seja seja ainda mais agora. Se uma distinção deve ser feita ela seria entre uma língua que tem um grande número de falantes nativos que a utilizam e uma que também tem um grande número de falantes não-nativos, comprometidos em seu aprendizado. Com cerca de 230 milhões de falantes no mundo, o Português está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Os brasileiros, contudo, contam 190 milhões (83%) desses; a maioria dos demais falantes vêm de países que por questões históricas falam o português, como Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Por outro lado, muito poucas pessoas em países não relacionados o estão aprendendo de forma regular como segunda língua. Isso significa que apesar do Português ter uma grande quantidade de falantes nativos, não é uma língua que muitos não-nativos estejam correndo para aprender.

 

Promovendo o Português

As observações anteriores quase convidam à reflexão sobre o que promove o estudo de uma língua estrangeira por um não-nativo. Claro, a linguagem serve como veículo crucial para as trocas e desenvolvimento profissional. Assim, em ordem de convencer os não nativos em investirem seus recursos limitados no sério negócio que é o aprendizado de uma língua estrangeira, o processo deve ser visto como um meio valioso de alcançar uma transação desejada: por exemplo, pode envolver uma transação comercial, ou pode incluir outros tipos de intercâmbios valiosos nas áreas do comércio, ciência ou literatura. Ou seja, o uso mundial da língua depende da proeminência econômica e política daqueles que a falam e sua utilidade última como meio de levar à frente desejadas atividades comerciais.

Neste momento, o Português está rapidamente alcançando uma posição estratégica no mundo. Diferente de outras línguas largamente faladas, como o Mandarim Chinês, que tem um grande número de falantes nativos, mas está severamente limitado a uma área geográfica específica, o Português é a língua oficial de um número de países que transpõe a América do Sul, Europa, África e Ásia. Contudo, a capacidade de expansão de uma língua não necessariamente implica que ela seja um veículo indispensável de trocas. Se os países que falam uma língua não tiverem outros laços comuns, a língua tenderá a atrofiar ao invés de expandir como um canal de comunicação e negócio significativo.

A fim de encorajar o uso do português como um padrão para o intercâmbio internacional, os países que utilizam a língua têm dado passos em direção ao fortalecimento de sua uniformidade de uso entre eles. Iniciando-se com discussões que  no início dos anos 1980, surgiu uma organização intergovernamental para encorajar o senso de comunidade entre os países falantes do Português (CPLP), fundado em 1996. Desde este momento, os chefes de Estado e ministros dos países que falam a língua encontraram-se regularmente para harmonizar os esforços de fortalecimento dos laços que os unem. Entre as mais importantes ações esteve o aumento da uniformidade no uso do Português, que foi finalmente regularizada em 2009 e ratificada por todos os governos que falam a língua.

Isso significa que hoje, todos esses países usam a mesma ortografia e o objetivo é simplificar 98% do vocabulário nos anos que se seguem. Essa ação busca facilitar, dentre todos os países que falam a língua, a preparação de contratos e outros instrumentos, com o objetivo sendo o fortalecimento das trocas comerciais, a facilidade de trocas científicas e também a lide com questões de direitos de propriedade intelectual.

Ao criar um Português unificado, falado em nove países e que está voltado a facilitar o intercâmbio cultural, comercial e social entre esses países, a CPLP está posicionando-se como um bloco de impacto, mas dado que não existe interesse antropológico que faça uma língua, como o Português, atrair um número crescente de falantes não-nativos, que tipo de desenvolvimento profissional pode ser extraído da CPLP?

 

Português e Energia

O bloco de falantes de Português pode ser uma preocupação especial para o resto do mundo, tendo em vista o potencial de seus participantes no setor de energia. O Brasil está levantando voo em direção a uma posição de liderança no setor de exportação de energia, como consequência da descoberta de grandes depósitos em alto-mar. Angola é outro país rico em petróleo. O porto de Maputo em Moçambique é o porto do sul da África capaz de prestar serviço em prol do crescente desenvolvimento comercial entre a Ásia e aquele continente e é o porto de águas profundas mais próximo de Johannesburgo, privilegiada localização para gigantescos petrolíferos. Além disso, o Presidente Lula do Brasil já mostrou interesse em compartilhar a tecnologia do etanol da cana-de-açúcar com outros países em desenvolvimento, objetivando aumentar o suprimento global de combustível e ajudar esses países em sua própria jornada de crescimento econômico. Assim, pode ser o caso de muitos desses países que falam o Português usarem seus laços privilegiados com o Brasil para prosperar nos caminhos da produção de etanol.

Se este cenário otimista materializar-se completamente, e alguns dos países que falam Português tornarem-se líderes no setor de energia, pode ser que a língua portuguesa atraia uma explosão de falantes não-nativos conforme esses países prossigam prosperando. De fato, sinais disso já começaram a aparecer em 2007 quando a Guiné-Equatorial, que usa a língua Crioula com traços de Português, adotou essa última língua como um de seus idiomas oficiais e Mauritius pode vir em seguida. Esse interesse na língua portuguesa é, em parte, devido às oportunidades de desenvolvimento profissional que o aprendizado da língua pode oferecer; um processo que pode pode ter sido iniciado pelo bloco de falantes de Português no setor da energia e ganhado vida própria conforme mais e mais não-nativos em outros lugares decidem estudar a língua.

 

Comentário: Alguns criticaram as mudanças na língua, mas parece que o sinal enviado ao resto do mundo foi positivo. Eu acredito que seja de extrema importância tornar nosso idioma mais fácil, principalmente para nós mesmos. Se nós, que teoricamente somos a elite da sociedade cometemos tantos erros [não me incluam nesse "nós" porque eu sou analfabeto funcional :P ], imagine os menos favorecidos.

Falar corretamente a língua exige movimentos em direção à melhora das condições de educação, mas também, falando em termos pragmáticos, no sentido de facilitar o acesso da mesma a todos. Não defendo, obviamente, uma vulgarização da língua, mas a remoção de certas dificuldades, como no caso da trema. Meu entendimento é o de que uma das razões pela qual o inglês dominou o mundo foi o fato de ser uma língua "fácil", se queremos a hegemonia devemos agir no mesmo sentido.

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Ministério da Defesa: "Comandante do Exército afirma que, após lutar pela paz, o desafio do Brasil é propiciar o desenvolvimento do Haiti"

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Por Daniel C. T.: resumo e crítica
Fonte: Ministério da Defesa

 

Ao comentar os cinco anos de presença brasileira no Haiti, o General Enzo Martins afirmou que o maior desafio do governo brasileiro é propiciar o desenvolvimento daquele país do Caribe. Após ter reforçado a paz e apoiar obras de engenharia, o Brasil realizará esforços "para que os organismos internacionais façam fluir recursos para o Haiti", acrescentou. A afirmação foi feita durante a cerimônia de comemoração do Dia Internacional dos Mantenedores da Paz (Peacekeepers). A data coincide com o dia em que desembarcou o primeiro escalão precursor brasileiro no Haiti.

Segundo o Comandante, a atuação foi marcada por duas vertentes: na primeira, a prioridade foi garantir a segurança e estabilidade, com contingente de 750 militares do Exército e 290 da Marinha (1º/2009). Na segunda, a participação de engenheiros militares (250) que apóiam a realização de obras civis como construção e reforma de pontes, hospitais e escolas.

Para o Almirante Prado Maia, a ação das tropas levou a mudança no panorama econômico do país, que enfrenta o desemprego e a falta de perspectivas de crescimento. "É o terceiro ano que cresce [ o PIB], depois de cinco anos de queda. Isso é resultado da estabilidade e segurança que a Minustah e as tropas brasileiras deram ao Haiti", afirmou. “O que se vê hoje é que a população do Haiti gosta da tropa brasileira, usa camiseta da seleção brasileira, o pavilhão brasileiro costuma ser espalhado pela cidade e a nossa tropa é muito bem recebida em qualquer lugar”, disse ele, ressaltando que as tropas atuaram com força, mas também realizando atividades sociais. “Estamos investimento na paz e na estabilidade de um país irmão, mas as tropas brasileiras estão ganhando experiência, que é de grande valor para nós. O nome do Brasil está sendo engrandecido pela atuação de nossas tropas”, acrescentou.

O Chefe do Estado-Maior informou que existe proposta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de aperfeiçoar a participação da companhia de engenharia. O exército está desenvolvendo projeto de hidrelétrica, que será muito importante para Porto Príncipe, que não possui transmissão regular de energia elétrica.

Crítica:
Como já falei sobre esse assunto duas vezes, serei mais breve (ou não, hehe :) ), mas batendo na mesma tecla: o Brasil deve ser aplaudido pela sua participação na reestruturação do Haiti, mas criar a ilusão de que podemos desenvolver aquele Estado é um erro. Devemos aproveitar que a situação está tranquila para sair de lá o quanto antes.
Isso não significa abandonar os haitianos, mas romper os laços que passam para nós os sucessos e, o lado perigoso, fracassos daquela terra distante. Não quero cair no discurso tão comum de que "o Brasil precisa de ajuda antes" ou "cadê os engenheiros do exército reconstruindo a cidade que foi destruída pelo rompimento da barragem que arrancou a moradia de centenas de pessoas no interior do Brasil e que hoje estão chorando sem ter uma perspectiva?", mas há que levar-se em consideração os desafios internos que temos. Muitos, provavelmente os mais experientes militares brasileiros que lá estiveram, dirão que eles precisam de tudo e nós podemos dar algo. Lembro dos relatos de meu professor Elizeu Júnior, após visita oficial pela UNFPA, sobre o nível de pobreza existente no Haiti.
Realmente, podemos ajudá-los em muitas coisas, mas não podemos atrelar os destinos de uma terra distante ao nosso, ao menos não agora. Essa é um tarefa gigantesca, na qual não lograremos sucesso no curto prazo e sem a injeção de elevados recursos. No final, expomo-nos ao fracasso em caso de outra revolta popular (algo que sempre volta, como uma onda). Deve-se lembrar o mais importante: a memória lembra melhor dos finais, não dos meios. Devemos criar nosso final agora, enquanto é feliz.

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Brasil: Analistas veem maior poderio militar

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As recentes compras militares brasileiras devem equipará-lo a países como Itália e Espanha. O peso político-estratégico do Brasil não só será recomposto, mas aumentado, porém ainda distante de outras potências, como França e Alemanha. O esforço deverá recompor as forças armadas que "desde 1995 passam por um processo de desmonte".

Como já dito em artigo anterior ( veja aqui ), o Brasil adquirirá da França a tecnologia dos submarinos Scorpene (que juntará com a tecnologia de propulsão nuclear que está desenvolvendo e deverá estar pronta até 2020), equipamentos de tecnologia para os soldados (Soldado do Futuro) e helicópteros. O desenvolvimento militar consta na Estratégia Nacional de Defesa, que será colocado em prática neste ano e em 2010. A transferência de tecnologia no caso dos submarinos foi o fator preponderante, assim como deverá ser na compra de novos 120-150 jatos de ataque.

Para Antônio Ruy de Almeida, doutorando no Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, o desenvolvimento do submarino nuclear mudará nosso patamar tecnológico e estratégico, inserindo o Brasil em um grupo seleto de países. Para ele, hoje existe um grande descompasso entre os sucessos do Brasil no uso do "soft power" (poder por meio da persuasão, que na nova doutrina de Hillary Clinton está sendo chamado de "smart power") e a fragilidade de nosso "hard power" poder militar ( para maiores informações: vide Joseph S. Nye – Livro que está no menu ao lado).

Muitos benefícios podem ser percebidos na compra desses equipamentos, sendo o principal o incremento do poder de dissuasão, que talvez evite sobressaltos nacionalistas de nossos parceiros regionais menos contidos, assim como proteger melhor nossas recém descobertas reservas de petróleo de parceiros menos contíveis. Desafios, porém, poderão surgir com os parceiros regionais que fiquem para trás militarmente, principalmente aqueles que enfrentam dificuldades econômicas e não tem condições de fazer investimentos semelhantes. A oportunidade, então, será de aprimorar os mecanismos de cooperação militar, estreitando os laços político-militares entre os parceiros do Mercosul.

 

Dados de 2007/2008:

País

Exército

Marinha

Força
Aérea

Efetivos
/ Pop.

G.M.
/ PIB

PDN

P.E.

Total
de
pontos

Ranking

Brasil

252

161

275

10

30

25

47

800

Chile

198

105

112

40

40

35

26

556

Peru

188

105

137

30

30

15

26

531

Argentina

148

107

95

10

20

20

34

434

Colômbia

60

71

130

40

50

25

30

406

Venezuela

89

80

142

20

20

30

19

400

Equador

51

56

51

40

40

15

8

261

©

                 

www.militarypower.com.br

Notas importantes:


> Exército: pontuaram tanques pesados (MBT), blindados 6×6 e 8×8 artilhados, blindados de transporte de tropas, canhões autopropulsados e helicópteros.

> Marinha: pontuaram navios-aeródromos, submarinos, fragatas, corvetas, navios de patrulha, helicópteros e aviões de esclarecimento marítimo/patrulha/anti-submarinos.

> Força Aérea: pontuaram aviões AEW&C/SR, caças, aviões de ataque (a jato), aviões leves de treinamento/ataque, aeronaves d
e transporte/reabastecimento em vôo e helicópteros.
> Efetivos / Pop. = índice do total de efetivos das três Armas em relação à população do país. Quanto maior este índice maior a pontuação recebida (de 10 a 50 pontos).
> G.M./ PIB = índice dos gastos militares em relação ao Produto Interno Bruto(PIB). Quanto maior este índice maior a pontuação recebida (de 10 a 50 pontos).
> P.D.N. = Plano de Defesa Nacional: considerou-se planejamento de longo prazo, vontade política, interesse no fortalecimento das Forças Armadas, indústria bélica e Política de Defesa Nacional.
> P.E. = Projeção Estratégica: considerou-se a população total, área do país, efetivos militares, Produto Interno Bruto (PIB), capacidade de mobilização e atuação em missões de paz da ONU.
 

 

Escrito por Daniel Cardoso Tavares

Fontes: Defesa Brasil, www.MilitaryPower.com.brwww.army-technology.com e Estadão.

 

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