Posts Tagged ‘política externa’
Globo News Painel (25) – A Política Externa de Obama (Com Boris Fausto)
Nesta edição, o programa faz um balanço do primeiro ano da eleição de um político que atraiu tamanha atenção do mundo inteiro. Barack Obama galvanizou e encheu de esperança o público aqui no Brasil.
Segundo o embaixador Sérgio Amaral, uma pesquisa realizada recentemente apontou que 70% dos conselhos internacionais aprovam a política externa, já opinião pública americana não. Saiba os motivos.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 1% [?]
Primeiro Aniversário do Política Externa.com
Gostaria de agradecer a todos os que acompanham o site diariamente, assim como os visitantes esporádicos, sem vocês não haveriam razões para continuar!
Nesse primeiro ano, muitas coisas aconteceram no Brasil e espero ter sido capaz de cobrir uns 65% dos acontecimentos mais marcantes da nossa política externa e uns 10% das notícias de questões militares (que ultimamente ficaram por conta da Silvana, a quem eu agradeço pela ajuda). Reconheço que o site peca pela falta de informações de economia/comércio exterior, mas eu precisaria de parceiro(a)s para isso, fazer tudo sozinho é complicado
. Outras linhas que queria tratar aqui são as voltadas a questões ambientais, de história (mundial e do Brasil) e de geografia. Claro, não esquecendo que TODA ajuda é bem-vinda, então não fiquem acanhados, escrevam que eu coloco aqui. Para quem quiser, basta inscrever-se no site (veja no menu) e no próprio sistema já existe um espaço para você escrever seu artigo, eu só preciso dar o “publicar”.
Sobre as linhas do site, sempre penso em facilitar a vida de vocês. Afinal, para complicar já bastam os textos enormes que quem estuda para o IRBr têm que ler. Ou as notícias de jornais (que pesquisas indicam que poucos leem por inteiro).
Espero não os ter assustado com minha visão quase sempre “realista” e seca, sem idealismos, a não ser em relação ao Brasil, ai eu sou “exagerado” mesmo, hehehe.
Espero ter divertido aqueles que sabem inglês com a inserção dos vídeos do The Daily Show ou semelhantes, essa é minha forma de falar de assuntos não relacionados ao Brasil.
Sobre a imagem:
Ela encaixa-se bem ao site nesse primeiro ano: houve muita choradeira, alguma dependência para angariar recursos e, com o perdão da palavra, muita cagada, hehehe
.
Agora, com o crescimento constante do site, é preciso ressaltar que ele anda cada vez mais com as próprias pernas (já posso pegar o cabo das panelas em cima do fogão e me queimar um pouco mais, hauhauahuahua
). Já recebo algumas verdinhas em comissões, que ajudam a pagar o servidor (bluehost.com) garantindo que o projeto não morra. Da mesma forma, os “dentes” do site também estão crescendo, lentamente, mas estão
.
Gostaria de agradecer de forma especial aos militares, vocês são os que mais colaboram. Inicialmente não pensei o site para o público militar, mas a presença e colaboração de vocês é muito gratificante. É com vocês que alguns têm que aprender que o amor ao Brasil está acima de qualquer medo ou benefício pessoal. É uma honra recebê-los.
Por fim, gostaria de convocar, mais uma vez, todos os que não tem medo de “se queimarem”: a opinião de vocês é fundamental, não só para mim, ou para o site, mas para todos os milhares de brasileiros que visitam o politicaexterna.com todas as semanas! Nós podemos fazer um Brasil melhor e isso começa pelo conhecimento do que está acontecendo e com a discussão de diferentes opiniões que, lentamente, vão moldando-se até chegarem a um consenso.
Um grande abraço a todos,
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 1% [?]
"Falta Sensibilidade para outras Culturas na Política Externa de Países Ocidentais"
Fonte: http://www.dw-world.de/
Democracia, crimes de guerra, terrorismo: não importa em que âmbito, os países ocidentais são acusados de conduta injusta. O que está em jogo quando se fala de critérios morais na política internacional?
Num ensaio recentemente publicado pelo diário alemão Süddeutsche Zeitung, o escritor egípcio Alaa Al Aswany chamou a atenção para o fato de que quando os governos e a mídia ocidentais falam de democracia no mundo islâmico, o que eles querem, na verdade, é outra coisa.
Por que, pergunta Al Aswany, o Ocidente esteve tão ávido em criticar irregularidades nas eleições iranianas, realizadas há poucos meses, quando ninguém, nos países ocidentais, protesta contra manipulações eleitorais no próprio país? "A resposta é que lamentos por causa da injustiça não promovem a democracia", escreve Al Aswany.
"Esses países tiveram somente a intenção de desacreditar o regime iraniano, que é hostil a Israel e tenta desenvolver armas nucleares. O governo egípcio pode ser despótico e corrupto, mas é complacente e dócil, de forma que a mídia ocidental prefere ignorar suas falhas", observa o escritor.
Hipocrisia ou Realpolitik?
Não é segredo algum que o Ocidente, parafraseando George Orwell, acha algumas democracias mais igualitárias que outras. Trata-se de um exemplo de crassa hipocrisia ou isso simplesmente reflete a Realpolitik das relações internacionais?
"A democracia ocidental é baseada nos valores cristãos humanistas, sem os quais ela não pode ser compreendida", diz Stephan Holthaus, diretor do Instituto de Ética e Valores da Escola Superior de Teologia Livre de Giessen.
Segundo ele, "as chamadas democracias do Oriente Médio são geralmente calcadas em bases diferentes, tendo histórias, culturas e religiões distintas por trás. Usamos os mesmos conceitos, mas falta a compreensão mútua, porque os sistemas de valores básicos são consideravelmente diferentes", acredita Holthaus.
A névoa da guerra
A democracia é, obviamente, um conceito abstrato, particularmente aberto a diversas definições e interpretações. Regras concretas, como por exemplo aquelas aplicadas à conduta durante uma guerra, deveriam ser de fácil aplicação. Mas são realmente?
As Nações Unidas encarregaram recentemente os autores do relatório Goldstone de investigar acusações de abusos de direitos humanos, supostamente ocorridos durante a incursão militar de Israel na Faixa de Gaza, no início de 2009. O estudo verificou que não apenas a milícia Hamas, mas também as forças militares israelenses foram responsáveis por sérias violações do Direito Internacional, bem como por ataques a civis.
O relatório mal acabara de ser publicado e logo começaram diversas controvérsias e confusões. Os críticos de Israel se agarraram à evidência de que o Ocidente, que costuma fechar os olhos quando o governo israelense comete determinados abusos, condena imediatamente violações cometidas por palestinos.
Defensores de Israel, por outro lado, acusaram o relatório de ter ignorado propositalmente evidências de que os combatentes do Hamas se travestiram de civis e utilizaram instalações civis. Além do fato de Israel ter repetidamente pedido à ONU que interviesse no conflito, para que os ataques de mísseis palestinos a civis israelenses tivessem um fim.
Num artigo publicado pelo diário israelense Haaretz no último mês, um dos principais comentaristas do jornal, Ari Shavit, chegou a argumentar que os EUA deveriam ser considerados culpados pelos crimes de guerra no Iraque e no Afeganistão, caso fossem julgados a partir dos mesmos padrões usados pelo relatório Goldstone para avaliar a conduta de Israel.
O Ocidente, enfim, pode e deve ser absolutamente rigoroso em relação ao que é e ao que não é um crime de guerra? "Aqui também as diferenças culturais exercem um papel importantíssimo", diz Holthaus. "O que uma pessoa considera um crime de guerra é para outra um ato puro e legítimo de autodefesa. Precisamos de uma ética comum, aplicável a todas as culturas. A questão decisiva não é quem está certo, mas sim como criar uma paz e uma reconciliação duradouras", diz o especialista.
Enredados em terrorismo
Pelo menos no que diz respeito ao desequilíbrio de forças entre os combatentes, o conflito entre a Rússia e a Geórgia, no último ano, pode ser coparado à campanha de Israel contra o Hamas. No momento do conflito com a Geórgia, os líderes ocidentais condenaram de imediato Moscou pelo uso excessivo da força.
Por outro lado, ingoraram completamente a campanha sangrenta do Kremlin contra os separatistas da Tchetchênia, considerada um problema de ordem interna russa, sob o argumento de que o país precisava combater o terrorismo. Uma situação comparável à batalha do Sri Lanka contra os rebeldes Tigres Tamis.
Além disso, sob o governo do ex-presidente George W. Bush, os próprios EUA fizeram uso de práticas que seriam consideradas por muita gente tortura contra o inimigo. Sendo assim, combater o terrorismo é uma espécie de coringa moral, que permite passar por cima dos limites habituais da ética?
"Distinguimos entre ética, que é atemporal, e moral, que é muito temporal. As convicções básicas têm que ser adaptadas a situações concretas, mas valores primários como liberdade, igualidade e solidariedade nunca deveriam ser subvertidos, nem mesmo em nome da aparente nobre causa do combate ao terrorismo", afirma Holthaus.
Idealismo prático
Diante das talvez irreconciliáveis ambiguidades morais que permeiam todos os principais conflitos no mundo, uma possível resposta do Ocidente poderia ser a de eliminar todas as preocupações éticas da política externa.
Em outras palavras, os países ocidentais poderiam declarar que somente os resultados e não os padrões de justiça e igualdade seriam a meta na conduta em relação a outros países e culturas, admitindo um tratamento diferenciado de aliados que daqueles considerados inimigos.
Alguns filósofos costumam se referir a essa perspectiva como "realista", outros preferem chamá-la de "idealismo prático". Sob este ponto de vista, os padrões éticos são de grande interesse para nações isoladas quando estas incentivam concretamente metas como a paz e a estabilidade. E estes padrões têm uma longa, mesmo que esquecida história.
"Precisamos de políticos que representem um ponto de vista ético claro, com um alto nível de sensibilidade para outras culturas", analisa Holthaus. "Mas muitos políticos no mundo ocidental nem ao menos conhecem suas próprias raízes éticas. Deveríamos fazer nossa tarefa de casa antes de confrontar outras culturas com nossos valores. Vale a pena lembrar os valores respeitáveis do mundo ocidental", conclui Holthaus.
Talvez a chave não seja a rigidez ética, mas sim a consciência e a habilidade em comunicar a complexa gama de valores, que implicam responsabilidades diferentes em situações morais aparentemente similares.
Autor: Jefferson Chase (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 2% [?]
Política Externa Planejada: Os Planos Plurianuais e a Ação Internacional do Brasil, de Cardoso a Lula (1995-2008)
Cópia integral.
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73292009000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
RESUMO
Analisando as orientações estratégicas dos últimos quatro planos plurianuais – 1996-1999, 2000-2003, 2004-2007 e 2008-2011, no artigo, revela-se como a política externa tem sido incorporada no planejamento federal e qual o papel concedido ao setor externo nas estratégias de desenvolvimento empreendidas pelos governos Cardoso e Lula. Demonstra coerência entre a política externa planejada e a efetivamente empreendida, explicitando as diferenças entre as estratégias adotadas e as linhas de ação externa priorizadas.
Palavras-chave: Política externa brasileira; planos plurianuais; estratégias de desenvolvimento brasileiro.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 10% [?]
O Melhor Chanceler do Mundo
Traduzido por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/10/07/the_world_s_best_foreign_minister
Este deve ter sido o melhor mês para o Brasil desde junho de 1494. Foi nessa data que o Tratado de Tordesilhas foi assinado, dando a Portugal tudo que estava a leste da linha imaginária situada a 370 léguas das ilhas do Cabo Verde. Isso garantiu que aquilo que viria a ser o Brasil seria de Portugal e teria uma cultura e identidade muito diferentes do resto da América Latina espanhola. Garantiu, também, que o mundo tivesse o samba, o churrasco, a "Garota de Ipanema" e, por conta de uma complexa cadeia de eventos, Gisele Bündchen.
Enquanto levou ao Brasil algum tempo para que ele incorporasse a máxima de que era "o país do amanhã", existe pouca dúvida de que o amanhã chegou para o país, mesmo que muito trabalho ainda precise ser feito para vencer os sérios desafios sociais e alavancar seu extraordinário potencial econômico.
As evidências de que algo novo e importante está acontecendo no Brasil começaram a alguns anos atrás, quando o Presidente Cardoso arquitetou uma mudança em direção à ortodoxia econômica que estabilizou o país, afetado por ciclos de crescimento e queda e forte inflação. Ganhou ímpeto, porém, com o extraordinário mandato do Presidente Lula.
Parte desse momentum deve-se ao comprometimento de Lula em preservar os fundamentos da economia estabelecidos por Cardoso, um movimento político corajoso para um líder do Partidos dos Trabalhadores. Parte deve-se à sorte, uma mudança no paradigma energético global que ajudou a fazer com que os 30 anos de desenvolvimento brasileiro em biodiesel começassem a lucrar, descobertas maciças de petróleo e a crescente demanda asiática, que permitiram ao Brasil tornar-se um líder em exportações agrícolas e assumir o papel de "celeiro asiático" (termo original: breadbasket of Asia). Muito disso, porém, deve-se à grande habilidade dos líderes brasileiros em entenderem e aproveitarem-se do momento, algo que muitos de seus predecessores provavelmente teriam deixado escapar.
Dentre esses líderes, muito do crédito vai para o Presidente Lula, que tornou-se algo como uma estrela do rock na cena internacional, utilizando energia, direcionamento, carisma, sobrenatural intuição e senso comum, de forma a fazer com que sua falta de educação formal raramente tenha sido um impedimento. Outra parte do crédito vai para os outros membros do seu time, como a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma ex-ministra da energia que tornou-se uma chefe muito dura e possível sucessora de Lula, mas eu acredito que grande parte disso deve-se a Celso Amorim, que arquitetou uma mudança de papel do Brasil no mundo que é quase sem precedentes na história moderna. Ele tem sido o Chanceler de Lula desde 2003 (ele também esteve na mesma posição na década de 90), mas eu acredito que existe uma boa possibilidade de que ele seja atualmente o Ministro das Relações Exteriores mais bem sucedido do mundo.
É quase impossível detalhar um único momento decisivo nos esforços de Amorim em transformar o Brasil de uma desajeitada potência regional de duvidosa capacidade internacional em um dos mais importantes "jogadores" do cenário internacional, reconhecido por consenso global em um papel de liderança sem precedentes. Pode ter acontecido quando coordenou a oposição dos países emergentes à abordagem dos EUA e Europa durante as negociações comerciais de Cancun, em 2003. Pode ter sido a sagaz maneira na qual os brasileiros utilizaram questões como a liderança nos biodieseis para construir novo diálogo e influência, tanto com os EUA, quanto com outras potências emergentes. Certamente envolveu seu abraço à idéia de transformar os BRICs de uma simples junção de letrinhas em uma importante iniciativa de colaboração geopolítica, trabalhando com suas contrapartes na Rússia, Índia e China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar suas mensagens. ( O país que saiu ganhando foi o Brasil. Rússia, China e Índia tem bons lugares na mesa devido ao potencial militar, tamanho da população, força econômica e recursos. O Brasil tem todos esses fatores… mas menos que os outros). Também envolveu incontáveis outros aspectos, iniciando por seus profundos laços com a China e outros países semelhantes, sua promoção de fluxos de investimentos e a garantia de ser um porto comparativamente seguro na atual turbulência econômica, o "nível de conforto" que o novo presidente dos EUA tem com sua contraparte brasileira – até expandindo e encorajando os brasileiros a assumirem papel de ligação, por exemplo, com os iranianos. Concordando ou não com todas as suas ações em questões como a de Honduras ou o apoio a Cuba na OEA, o Brasil tem continuado a exercer um importante papel regional, mesmo que claramente seu foco tenha mudado para o palco internacional.
Nada melhor ilustra como o Brasil foi longe ou quão efetivo tem sido o time de Lula quanto os eventos da última semana. Primeiro, todos os países concordaram em despachar o G8 e abraçar o G20, garantindo ao Brasil um lugar permanente na mais importante mesa do mundo. Em seguida, o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a ser honrado com o direito de sediar as Olimpíadas. Ontem, o Financial Times noticiou que a "Ásia e o Brasil lideram crescimento na confiança do consumidor" , um reflexo da reputação efetivamente vendida pelo governo ( com a maior parte do crédito indo para um renascido setor privado brasileiro). As histórias dessa semana sobre a reunião do FMI-Banco Mundial, em Istambul, mostram uma maior institucionalização do novo papel do Brasil com o acordo de mudar a estrutura do FMI. De acordo com o Washington Post de hoje: "As nações também concordaram preliminarmente em reformular a estrutura de votos do fundo, prometendo um projeto que dará maior poder aos gigantes emergentes como Brasil e China em janeiro de 2011."
Nada mal para um trabalho de poucos dias. O Ministro da Fazenda do Brasil é aquele que está nas reuniões do FMI-Banco Mundial, mas o indisputável arquiteto dessa notável transformação do papel brasileiro é Amorim.
Muito trabalho precisa ser feito, é claro. Parte dele tem a ver com o novo papel adotado. O Brasil quer um assento permanente no CSNU e uma atuação de liderança em outras instituições internacionais. Ele até pode consegui-lo, mas terá que manter seu crescimento e estabilidade para chegar lá. Além disso, o Brasil parece inclinado a minimizar ameaças regionais tais como a da Venezuela (os brasileiros tendem a menosprezar seus parceiros do norte quase tanto quanto seus amigos argentinos ao sul… e ainda subestimam a habilidade de homens como Hugo Chávez em causaram muitos estragos.) Eles tem uma eleição aproximando-se que pode mudar a lista de jogadores e, claro, alterar a trajetória atual de muitas formas, boas ou más.
É, porém, difícil pensar em outro Chanceler que tenha tão eficazmente orquestrado uma transformação tão significativa do papel internacional de seu país. É por isso que, se for levado a um pleito hoje, meu voto seria para o filho nativo de Santos, Celso Amorim, como o melhor ministro das relações exteriores do mundo.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 11% [?]
Programa Milênio: Entrevista com Samuel Pinheiro Guimarães
Por Daniel C. T.
Samuel Pinheiro Guimarães é Secretário-Geral do Itamaraty e explica as linhas mestras de atuação da política externa brasileira no atual cenário de integração entre os países de nosso continente.
Notas:
- O benefício da integração é maior que o custo.
- Há processo de globalização no qual formam-se grandes blocos, na Europa, na África e as iniciativas dos EUA, incluindo com Colômbia, Peru e Chile.
- Interessa ao Brasil participar de um bloco e o natural é o da sua região.
- Ele tem certas semelhanças entre os países, todos são subdesenvolvidos, todos apresentaram dependência na mesma época, com línguas não idênticas, mas parecidas, o BRA tem limites com todos, exceto Chile e Equador, e isso para nós é muito importante.
- Nós temos possibilidades de integração muito maiores que as da própria Europa, que tem enorme diversidade de línguas e conflitos históricos de maior monta.
- O comércio com a América Latina é superior àquele com os EUA.
- A situação dos países da América do Sul em 1965 era a concentração em poucos produtos (1, 2 ou 3), sendo o café no BRA 60%. Praticamente não exportávamos produtos manufaturados para nenhum lugar do mundo.
- Hoje o principal produto de exportação não passa de 8% da pauta, nossa economia diversificou-se enormemente.
- Os outros do continente diversificaram suas exportações, mas não tanto quanto nós, ainda há uma grande concentração. Na Venezuela 60% é o petróleo, já no Chile é o cobre, no Peru são os metais, na Colômbia o café.
- Houve crescente assimetria de desenvolvimento econômico entre o BRA e os países vizinhos. Temos 50% dos produto da América do Sul.
- Temos uma responsabilidade muito grande nesse contexto e temos uma oportunidade de contribuir para a construção da infraestrutura do sistema econômico da região. Temos os recursos para isso (BNDES é maior que o banco Mundial) e temos o mercado para isso.
- Nesse esforço é necessário também contribuir para os setores industriais dos países vizinhos. O que contribuiria para nossa economia, já que ter parceiros prósperos cria bons fregueses.
+ Jornalista: acordo com a França foi o maior acordo militar da história do Brasil na área, qual a importância dele?
- Acordo do Brasil com a França é de grande importância por que:
1) prevê transferência de tecnologia, equipamentos serão em parte fabricados no BRA, o que é importante para o desenvolvimento tecnológico que vai além da área militar. Todos os países negam acesso a essa tecnologia. Na Boeing e nas indústrias navais americanas a maior parte do faturamento vêm de produtos militares.
2) temos interesses internacionais crescentes em diferentes regiões do mundo.
3) nossas despesas militares são pequenas em termos per capta e absolutos. Menores que as do Chile e que da Colômbia.
- A defesa, dizia Adam Smith, é mais importante que a opulência e que a riqueza.
- Sobre UNASUL: a partir da dívida externa, das crises do petróleo e do consenso de Washington, formou-se modelo de política para a América Latina que tinha como base a desregulamentação, privatização e abertura comercial e financeira. Ele foi aplicado na Argentina, Uruguai, Chile (foi pioneiro na época da ditadura – Chicago Boys), Peru, Colômbia e Venezuela. Isso levou a um agravamento da concentração de renda, enorme. A América do Sul e Latina tem os piores níveis de concentração de renda. É modelo de Estado mínimo.
– Isso levou a uma série de movimentos políticos que levam à eleição de governos de esquerda.
– Em suas primeiras iniciativas, esses governos tentaram recuperar a função do Estado e criaram programas sociais.
– Isso tudo leva à recuperação do controle sobre os recursos naturais, como é o caso da Bolívia, do Peru, etc.
- Ação brasileira na América do Sul, Central e Caribe tem estabelecido uma identidade sulamericana mais forte: criação da UNASUL, do Conselho de Defesa da UNASUL, do Banco do Sul (que é iniciativa da Venezuela, mas que conta com intensa participação do Brasil) o Conselho de Defesa da América do Sul.
- Os EUA apoiou na OEA o não reconhecimento do governo golpista de Honduras. Retirou os vistos e tomou uma série de medias que leva a aceitar a volta de Zelaya. Agora, o caso da Colômbia:
- É o segundo ou terceiro maior país a receber recursos dos EUA.
- O Plano Colômbia é antigo e o último relatório da ONU mostra que ele não impediu as plantações de drogas.
- Hillary Clinton afirmou que uma das causas do comércio de drogas é a "demanda insaciável", o que é um reconhecimento importante, já que antes buscava acabar com a oferta sem reconhecer o problema da demanda.
- Plano Patriota em 2004 reforçou o Plano Colômbia.
- A política externa de Obama: assumiu no meio da maior crise econômica dos últimos 80 anos. Herdou duas guerras: Afeganistão e Iraque. Ambas mal sucedidas. A crise ambiental (mudança climática), na qual os EUA são os principais causadores. Ele está diante de um desafio enorme.
- A própria presença dele em Trinidad e Tobago mostrou mudança de postura.
- A sensação que existe é a da redução do ativismo em relação à Bolívia e Equador. A redução do antagonismo.
+ Jornalista: desembarque vigoroso da China no continente, superando os EUA em vendas para o BRA. Peculiaridades: preferência por acordos bilaterais e matérias primas sem valor agregado. Isso atrapalha a integração sulamericana?
- Pode afetar dependendo da posição que os países venham a tomar. Varia de caso a caso. A china é grande competidor em produtos manufaturados de baixo custo e isso afeta interesses de alguns países.
- Em relação à Argentina há a sensação de aumento das exportações da China. A questão é saber se isso ocorre dentro de situações "normais" de comércio ou não. Se há subsídios…
- Pode-se usar a legislação contra isso. Não há normais de defesa comercial comuns no Mercosul, mas cada um tem as suas e pode aplicar impostos anti-dumping e combater importações "anormais".
+ Jornalista: o que a América do Sul tem a aprender com a integração asiática?
- A integração asiática é muito peculiar. Há uma série de acordos bilaterais de integração industrial. No nosso caso é diferente por não haver transferência de capacidade produtiva industrial para outros países.
- Japão é grande importador de materiais primas, o que é o extremo oposto da posição do Brasil.
- A capacidade de expansão do sistema industrial brasileiro para o exterior é menor, na medida em que a maior parte das grandes empresas vem de outros países.
- Grande parte das empresas estrangeiras não tem ações na bolsa brasileira.
- Os lucros não são revertidos internamente. A acumulação de capital faz-se de forma reduzida.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 11% [?]
Convite: Conferência do Ministro da Defesa de Portugal em Brasília no Dia 11/09
Convite – Conferência do Ministro da Defesa Nacional de Portugal
Posted: 10 Sep 2009 03:21 AM PDT
A Assessoria de Assuntos Internacionais tem o prazer de convidar a comunidade universitária para a palestra do Prof. Doutor Nuno Severiano Teixeira, Ministro da Defesa Nacional de Portugal, sobre o tema: “Política Européia de Segurança e Defesa”, no próximo dia 11 de setembro de 2009, às 11h00, no Salão de Atos do Prédio da Reitoria, 3º andar.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 4% [?]
Pensadores (21) – Leslie H. Gelb: Poder, Idéias e Política Externa no Século XXI
Mais um entrevista essa semana, desta vez com esse importante pensador.
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 14% [?]
Why so Serious? (9): Obama fazendo cover + Darth Vader e a política externa americana
| The Daily Show With Jon Stewart | M – Th 11p / 10c | |||
| American Idealogues | ||||
|
||||
-> O que achou do artigo? Deixe seu comentário.
Popularity: 2% [?]





