Itamaraty Recebeu com "Grande Preocupação" a nova Lei Anti-Migratória do Arizona (EUA)
Por Daniel Cardoso Tavares
A lei anti-migração aprovada no estado do Arizona, nos EUA, foi recebida "com grande preocupação" pelo Governo brasileiro. Para nós, não pode haver associação entre migração irregular e criminalidade, sendo que tratar indocumentados e criminosos de forma igual "subverte noções elementares de humanidade e justiça".
O Brasil tem atuado no sentido de evitar tais associações indevidas em foros internacionais e negociações bilaterais. A nota do MRE cita como exemplo a lei nº 11.961 de julho de 2009, que promoveu ampla regularização da situação migratória dos estrangeiros aqui.
Sobre a lei do Arizona, o Itamaraty afirmou que "poder discricionário conferido aos agentes policiais para verificação da situação migratória e prisão de estrangeiros virá ao sacrifício dos direitos humanos dos migrantes."
"O Governo brasileiro se une às manifestações contrárias à lei anti-imigratória do Arizona. Espera que tal legislação seja revista, de modo a evitar a violação de direitos de milhões de estrangeiros que vivem e trabalham pacificamente nos Estados Unidos, como os brasileiros que se encontram naquele país."
Discurso de Celso Amorim, na Sessão de Abertura da VIII Conferência de Exame do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP)
Embaixador Cabactulan, Presidente da Conferência de Revisão,
Embaixador Sergio Duarte, Subsecretário-Geral para Assuntos de Desarmamento,
Senhoras e Senhores,
Senhor Presidente,Gostaria de parabenizá-lo por presidir esta Conferência. O Senhor pode contar com toda a colaboração da minha delegação.
O Tratado de Não-Proliferação é intrinsecamente injusto, pois divide o mundo entre “os que têm” e os que “não têm”.
Ele é uma expressão dos desequilíbrios do sistema internacional. É o produto de uma era na qual o poderio militar, principalmente o das armas nucleares, era a principal, senão a única, fonte de prestígio e de poder político.
O próprio fato, lamentável, de que os membros permanentes do Conselho de Segurança são justamente os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo Tratado reforça a percepção de que armas nucleares são um meio para obter proeminência política.
Por mais injusto que o Tratado seja, o TNP contém no Artigo VI a semente de sua própria auto-correção. No entanto, a inobservância do Artigo VI perpetua um desequilíbrio destrutivo.
Quarenta anos após a entrada em vigor do TNP, o objetivo fundamental de um mundo livre de armas nucleares continua sendo pouco mais do que uma miragem.
O Brasil está convencido de que a melhor garantia para a não-proliferação é a total eliminação das armas nucleares.
Enquanto alguns Estados possuírem armamentos nucleares, haverá outros tentados a adquiri-los ou desenvolvê-los.
Podemos lamentar esta lógica perversa, mas não podemos negá-la facilmente.Senhor Presidente,
Há uma década, o Brasil participou, pela primeira vez, de uma Conferência de Revisão.
Naquela ocasião, assim como hoje, a delegação brasileira tinha consciência de que, ao ratificar o Tratado, o Congresso brasileiro estabelecia a obrigação do Governo de buscar progresso real na área de desarmamento nuclear.
No ano 2000, as negociações com os Estados detentores de armas nucleares, lideradas principalmente pela Coalizão da Nova Agenda, resultaram em um programa de ação prospectivo e realista, que passou a ser conhecido como “os treze passos para o desarmamento”.
Dentre outras medidas, a Conferência estabeleceu um compromisso inequívoco dos Estados detentores de armas nucleares com a total eliminação de seus arsenais nucleares.
É triste observar que esta e tantas outras promessas ainda não foram cumpridas.
Mesmo enquanto continuamos lutando pela implementação desses passos, é preciso avançar para além dos objetivos do ano 2000.
Isso é exatamente o que a Coalizão da Nova Agenda previu quando apresentou um documento com 22 recomendações na área de desarmamento nuclear.
Um compromisso claro, por parte dos Estados detentores, de não-primeiro uso de armas nucleares certamente daria mais credibilidade ao Tratado de Não-Proliferação.
Apresentar garantias de segurança juridicamente vinculantes aos Estados não-nucleares também.
Os Estados detentores de armas nucleares também deveriam renunciar ao aprimoramento ou desenvolvimento de novos artefatos nucleares.Senhor Presidente,
No último ano, os Estados Unidos e a Rússia comprometeram-se com um mundo livre de armas nucleares.
O Presidente Obama, no seu discurso em Praga, deu nova motivação àqueles que buscam a total eliminação dos arsenais nucleares.
O novo Acordo START foi um passo necessário, ainda que limitado, nessa direção.
Para o Brasil, são bem-vindos os avanços conceituais contidos na Revisão da Postura Nuclear dos Estados Unidos, principalmente com relação a garantias negativas de segurança e ao compromisso do Governo dos Estados Unidos em buscar a ratificação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT).
Há apenas três semanas, em Washington, líderes de mais de quarenta países confirmaram sua disposição de engajar-se em temas relativos à segurança nuclear.
Porém, os participantes da Conferência também foram lembrados, por mais de um palestrante, inclusive o Presidente Lula, de que a forma mais eficaz de reduzir os riscos de mau uso de materiais nucleares por agentes não-estatais é a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares.
Por mais que sejam importantes, medidas unilaterais e episódicas não nos levarão a eliminar as armas nucleares.
O desarmamento nuclear requer passos amplos e verificáveis, bem como um cronograma preciso e realista.
Os argumentos para justificar a posse de armas nucleares durante a Guerra Fria, se em algum momento foram válidos, não podem mais ser sustentados.
Todos concordam que os dias da destruição mútua assegurada [mutually assured destruction – MAD] há muito se foram. Paradoxalmente, a mentalidade daquela época parece perdurar.
Armas nucleares não têm utilidade contra as ameaças de segurança do mundo de hoje.
Não servem para combater os crimes transnacionais, para prevenir conflitos étnicos e religiosos, nem para reprimir a guerra cibernética ou o terrorismo.
As armas nucleares prejudicam a segurança de todos os Estados, inclusive daqueles que as possuem.
Um mundo em que a existência de armas nucleares continua a ser aceita é intrinsecamente inseguro.
Os riscos de confiar em sistemas de “comando e controle” são conhecidos de todos os que estudaram a Guerra Fria.
Foram apontados por especialistas, inclusive por pessoas que ocuparam cargos elevados nas hierarquias de comando nuclear.
Os esforços para evitar a proliferação nuclear devem ser conduzidos com absoluta seriedade.
No entanto, conter a disseminação do conhecimento humano é uma tarefa difícil, se não impossível.
A fé na eliminação das armas nucleares em um futuro próximo é o que nos oferece a garantia máxima contra a proliferação nuclear.
Não se deve negar o direito a atividades nucleares pacíficas a nenhum país, contanto que tal país aja de acordo com o TNP e com os requisitos da AIEA acordados.
As preocupações legítimas com a não-proliferação não devem impedir o exercício do direito a atividades nucleares pacíficas.
Isso não diminui a importância de prevenir violações e assegurar que todos os membros do TNP cumpram suas obrigações.
As eventuais dúvidas acerca da implementação do Tratado devem ser resolvidas, sempre que possível, por meio do diálogo e da negociação.
Não podemos esquecer que o TNP é parte do objetivo maior da comunidade internacional de promover a paz, conforme os princípios e os propósitos da Carta da ONU.Senhor Presidente,
Dez anos antes de aderir ao TNP, o Brasil consagrou em sua Constituição a proibição de atividades nucleares para fins não-pacíficos.
Mesmo antes disso, o Brasil e a Argentina haviam-se engajado em um processo sem precedentes de construção de confiança, por meio da implementação de um sistema abrangente de controle e contabilidade de materiais nucleares.
Estamos convencidos de que o modelo brasileiro-argentino de cooperação deve ser uma fonte de inspiração para outros países e regiões.
O Brasil também se orgulha de ser parte do Tratado de Tlatelolco, que estabeleceu a primeira zona livre de armas nucleares em parte habitada do planeta.
Estamos convencidos de que o estabelecimento de zonas livres de armas nucleares, especialmente em regiões com focos de tensão, como o Oriente Médio, pode contribuir para a paz e a segurança.Senhor Presidente,
Quaisquer compromissos adicionais àqueles estabelecidos no TNP devem ser considerados à luz da implementação geral do Tratado, particularmente no que diz respeito ao desarmamento nuclear.
Estamos inteiramente conscientes de que o desarmamento é um processo complexo, caro e demorado.
Porém, é uma decisão tão política quanto a decisão de não proliferar.
O mundo só estará a salvo quando todos os países considerarem que estão sendo tratados com eqüidade e respeito; quando suas vozes forem ouvidas e as causas dos conflitos, como a pobreza e a discriminação, forem superadas.
A presença de armas nucleares apenas agrava esses problemas.
As armas nucleares geram instabilidade e insegurança.
Aprofundam o sentido de injustiça.
Não esperemos mais cinco anos para traduzir nosso objetivo comum de um mundo sem armas nucleares em ações políticas concretas.
Obrigado.
Neste Ritmo Vamos deixar de Ser a Sede da Copa
Nota: A Colômbia já perdeu a sede da Copa do Mundo no ano de 1986, que foi, então, realizada no México.
Sinal vermelho ligado
Fonte: Correio Braziliense
São Paulo — Passados exatos 917 dias após a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o país coleciona uma série de “gols contra” na organização do tão sonhado Mundial. Ontem, esgotou-se o prazo máximo estipulado pela Fifa para o início das obras nos estádios que receberão os jogos do torneio. Apenas em seis das 12 sub-sedes os projetos milionários saíram do papel, ainda que timidamente. Enquanto praças como Cuiabá e Manaus começam apenas a ter suas estruturas móveis desmontadas, e o Mineirão e o Morumbi iniciaram obras secundárias, vários projetos sequer tiveram o processo de licitação concluído e disfarçam a “paradinha” com tapumes.
Provável palco da final, o Maracanã — cujas obras estão estimadas em R$ 600 milhões — é o estádio mais atrasado. A Fifa exigiu mudanças no projeto inicial e até agora a licitação para escolha do consórcio que assumirá a reforma não foi nem mesmo publicado. Natal é outra subsede que não venceu a parte burocrática — a abertura de licitação estava prevista para ontem. Brasília (leia matéria ao lado), Fortaleza e Recife também aguardam a assinatura de contrato para início das construções, mas as cidades nordestinas, assim como Salvador, dependem de questões judiciais, seja por recurso de um dos consórcios ou por obstrução do Ministério Público.
Amanhã, o Comitê Organizador Local começa uma vistoria pelas 12 subsedes da Copa 2014 para averiguar o andamento das obras. Coincidência ou não, as cidades da Região Nordeste, todas atrasadas, foram deixadas por último e só serão vistoriadas daqui a duas semanas. Esta vistagrossa tem caracterizado a organização do mundial no país, inicialmente orçado em R$ 11 bilhões, mas que já alcança a cifra de R$ 17,52 bilhões, segundo cálculos recentes do Ministério dos Esportes.
O valor da construção e reforma dos 12 estádios, inicialmente estimado em R$ 2 bilhões já alcança os R$ 5,4 bilhões e pode aumentar caso as obras atrasem ainda mais. O orçamento atual da Copa 2014 já supera em 120% os R$ 8 bilhões utilizados para a organização da Copa na África do Sul.
Plano B?
Ontem, o secretário-geral da Fifa fez duras críticas ao andamento das obras no país. “Recebi alguns relatórios sobre estádios e não está nada bom. É incrível como o Brasil está atrasado, e não estou falando apenas de Morumbi ou Maracanã, mas de todos os estádios. Muitos dos prazos já expiraram e nada aconteceu. O Brasil não está no caminho certo”, detonou Jerome Valcke, em evento na África do Sul. Mas apesar das críticas, o secretário garante que não há a possibilidade de o país perder o Mundial para EUA ou Inglaterra, como especulado.
O Brasil tem mais 972 dias para entregar os doze estádios, em 31 de dezembro de 2012. Em 2013 o país já recebe a Copa das Confederações.
Nota do MRE Sobre a Visita de Lula a Uruguai – 04/05
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará visita de trabalho a Montevidéu em 4 de maio, a convite do Presidente José Mujica. Os Presidentes chegarão a Montevidéu na tarde do dia 4, após participarem da Cúpula Extraordinária da UNASUL, na Argentina.
Os dois mandatários passarão em revista a extensa agenda bilateral e darão continuidade às conversas que tiveram em 29 de março, em Brasília. Discutirão a consolidação da Comissão Bilateral de Planejamento Estratégico e Integração Produtiva, criada naquela ocasião.
À margem da visita, será realizado o “Encontro de Empresários e do Setor Público sobre Infra-Estrutura e Desenvolvimento”. O evento será organizado em Grupos de Trabalho dedicados a grandes projetos como o porto de águas profundas em La Paloma, a construção do Centro de Feiras e Convenções em Montevidéu, a Hidrovia da Lagoa Mirim e portos fluviais, a integração de cadeias produtivas, TV digital, a interconexão elétrica e ferroviária, mineração, e as pontes sobre o rio Jaguarão.
O Brasil continua a ser o principal parceiro comercial do Uruguai. Mesmo durante a recente crise financeira mundial, cresceu o montante das exportações uruguaias para o Brasil em cerca de 20%. Em 2009, o Brasil exportou US$ 1,36 bilhão e importou US$ 1,24 bilhão. Nos primeiros três meses de 2010, as trocas bilaterais aumentaram quase 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos últimos quatro anos, aumentaram os investimentos de empresas brasileiras no Uruguai, especialmente no agronegócio e nas áreas de finanças e energia. Com a inauguração do escritório do BNDES em Montevidéu e a substituição do escritório do Banco do Brasil por uma agência bancária, que deverá ser efetivada em breve, poderá ser dado apoio ainda maior ao comércio bilateral e às empresas instaladas no Uruguai.



