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Política Interna

Para Refletir (160) A Pureza da Verdadeira Política

Por Daniel Cardoso Tavares

 

 

Bom, este post é motivado por uma reflexão já de muito tempo, que, finalmente, tenho tomado coragem de colocar aqui: política não é algo difícil de ser entendido, nem algo sujo, mas sim algo nobre e justo.

Muita gente afirma que política é algo difícil, a frase "não entendo de política" é muito comum e totalmente aceitável. Aceitável dentro da percepção errada que temos.

O principal erro está na confusão entre política e politicagem.

Política tem um único fim: o bem da coletividade. Tudo o que estiver fora da noção de bem da coletividade está fora da política e dentro de outro campo qualquer.

Politicagem, por sua vez,  é a deturpação da política para dois fins:

  • a simples obtenção/manutenção/operacionalização do poder, quando houver até o menor prejuízo da coletividade;
  • a obtenção de benefícios para si ou para outrem, em detrimento, mesmo que em um mísero centavo (em qualquer moeda: moral, social, monetária etc.) da coletividade;

No caso, não sou tecnicamente capacitado para falar sobre os mecanismos sujos de obtenção/manutenção/operacionalização do poder: sou formado em Relações Internacionais, uma ciência muito simples, nem comparada com a ciência política, que lida com toda essa engenharia do poder.

Nas Relações Internacionais, faço uma digressão, é tudo muito simples (em sua complexidade aparente), talvez seja por isso que exista a necessidade de quem a estuda de querer "encher o peito" com o estudo de demasiadas línguas, uso de palavras "de bom tom", com o "manejo da arte da diplomacia" (ou simplesmente: manipulação barata à base de elogios), o acúmulo de fatos históricos e datas a fim de criar um castelo impenetrável (a quem não leu com atenção a linha L, do parágrafo P, do capítulo C, do livro X, do autor Y), enfim: um castelo de cartas.

Mais isso é bom, muito bom: estudar relações internacionais lhe dá uma noção de para que serve a política de verdade: para o benefício do povo (ok, daí para frente você vai aprender a destruir outros países (física, econômica ou moralmente) para conseguir a supremacia do seu povo, em um movimento ao estilo Hitler, mas com um nome bonitinho: diplomacia).

Não há pessoa mais idealista (hmmm?) do que um diplomata, por exemplo, que realmente quer ajudar o povo a quem serve (até chegar ao nível de Embaixador e, percebendo que não é lá grandes coisas, ficar desesperado e começar a vender a alma para qualquer partido que lhe seja conveniente, passando de político, de fato, para um mero politiqueiro. O Lula sabe do que estou falando. (não que ele seja um grandeee exemplo -> para mim, quem tem "o poder pleno" e não resolve tudo de uma vez por todas é um incompetente)

Então, se você quer o melhor para o povo, se você é incapaz de usar de qualquer subterfúgio (amizade, família, grupos, dinheiro, lábia) para conseguir/manter/operacionalizar o poder, então você sabe muito bem o que é política.

Não é você o ignorante, não é você quem deve sentir vergonha, mas sim quem está do outro lado.

A política é tão limpa quanto o ideal mais puro de justiça e verdade: se você tem isso, então você mesmo já é um político, de verdade, só precisa ter sua palavra ouvida.

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Para Refletir (156 Questionamentos) A Solução para a Corrupção?

Alguns questionamentos

Em um sistema onde há uma ciência cujo objetivo é encontrar formas de enganar os sujeitos de forma a fazê-los acreditar que precisam de algo que não precisam;

Em um sistema onde o cidadão deve estar sempre atento para que não seja enganado por empresas;

Em um sistema onde existe um órgão governamental cujo objetivo exclusivo é defender o consumidor das empresas;

Em um sistema onde é preciso uma determinação legal (salário mínimo) para que não haja trabalho escravo ou próximo disso;

Em um sistema onde profissionais de saúde (teoricamente os heróis da sociedade) lutam para conseguir residência em áreas como oftalmologia e dermatologia ao invés de áreas como infectologia, onde sobram vagas.

Em um sistema onde você deve estar sempre atento para não ser enganado e/ou correndo atrás do governo para ser salvo em caso de abusos de empresas;

É possível acabar com a corrupção (na política e no dia-a-dia)?

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Deus Ex Machina: Só Deus para Salvar o "Brado Retumbante"

Por Daniel Cardoso Tavares

 

 

Bom, em primeiro lugar, é preciso dizer que o tal do "Brado Retumbante" conseguiu, talvez devido à minha ingenuidade, causar uma pequena decepção. Eu fui movido a pensar, erroneamente, claro, que poderia ser uma boa série: bang, bang, bang -> para que eu largue, de vez, de confiar em coisas vindas da Globo. Deixo claro, contudo, que não tratarei da ligação possível ou especulável, entre personagens da ficção e da realidade: vou tentar falar apenas da lógica da narrativa. Também não vou falar de audiência, que isso é besteira. Então, voltando…

Foi uma pequena decepção porque, logo nos primeiros instantes, já deu para ver que tudo ia degringolar para o nonsense. O primeiro grande movimento foi a inserção, via Deus Ex Machina, do novo Presidente. A expressão "Deus Ex Machina" (Deus como máquina) significa, em literatura, a inserção de eventos "místicos" ou "cósmicos", provindos de intervenção divina (ou algo similar), como determinantes na narrativa: um recurso de desespero para uma narrativa que dará errado a menos que seja salva por um milagre. Acontece quando o acaso leva dois amantes separados a se reencontrarem; quando um doente é salvo por um milagre; quando a personagem ganha na loteria e resolve seus problemas; e quando o sujeito chega à presidência com duas mortes (Presidente e Vice). Começou da pior forma possível.

A segunda dica foi que Brasília foi substituída, sem qualquer razão plausível, pelo Rio de Janeiro como sede do governo. A sede sendo movida para o Rio de Janeiro foi o segundo indício do fracasso (estrutural, não que não venha a ser um sucesso para muita gente) da série.  Novamente, Deus ex Machina, na forma do ex-presidente, consegue operar algo implausível. Tratou-se, provavelmente, de uma tentativa de ganhar, de forma explicitamente sentimental, a aprovação dos moradores de grandes estados, como Rio de Janeiro, obviamente, e São Paulo (cidades que podem começar a "sonhar" em receber a sede do governo).

Outra coisa ridícula foi o layout do novo escritório do Presidente: obviamente uma cópia ao Oval Office da White House norte-americana. Veja as imagens (e o vídeo da série The West Wing que inspirou, no mínimo, o "assessor sábio", e moralmente superior, diga-se de passagem, do presidente -> Eu havia postado aqui uma parte da série, mas "foi-se" da fonte, então deixo o link para quem quiser pagar USD 1.99 pelo streaming via Amazon).

imageoval office

 

 

Outro ponto é que a falta de lógica psicológica do Paulo Ventura, o Presidente, é bem pronunciada. Em termos de simples estrutura moral, uma pessoa que trai o cônjuge traz em seu ser a capacidade de trair a qualquer outra coisa, incluindo seus ideais: moralidade não é parcial, é uma estrutura firme, inamovível. Não existe "wavering" em termos morais. O objetivo do autor foi, provavelmente, além de gerar um tipo de simpatia com a maioria das pessoas comuns, que faz besteira e quer uma justificativa social para sua falta de tônus moral, prover a série de cenas de sexualidade em excesso: mais um recurso de baixo nível.

Se quer mostrar um Presidente com o mínimo de respeito em sua busca por limpeza política, deve-se colocar um sujeito com conduto moral incorruptível, tanto na vida privada quanto na vida pública. Para aqueles que acham que seria impossível criar algo assim, que ficaria falso, lembro, novamente, o Presidente Joseph Bartlet da série West Wing, que tinha conduta irreparável e estendeu a série por oito temporadas, até ser substituído (após o segundo mandato) por outra personagem incorruptível. Questões pessoais devem sempre estar presentes, para dar um "ease" na trama e agradar ao público sentimental, mas com moderação, em pequenas pitadas, sempre menores que o desenrolar político.

Este foi, porém, um dos pontos mais presentes na tal série: crises pessoais e romances como forma de ganhar o público sensorial. O resultado? Empobrecimento da narrativa. Pouco falou-se de política de verdade.  As "grandes mudanças" trazidas pelo Presidente foram meros ajustamentos circunstanciais, sem qualquer alteração estrutural: muda-se o governo, volta-se tudo. O Brasil de verdade precisa de mudanças estruturais, não de maquiagens laváveis.

Foi exatamente este o ponto crucial, a circunstancialidade da "mudança" que obrigou o Presidente a continuar, sob o risco de tudo ruir. A estrutura das coisas é tão ridícula, que o Presidente não foi nem capaz de convencer o povo do seu bom governo (ou o autor parte da premissa de que o povo é burro para ser facilmente enganado por um corrupto).

Outro ponto é a tentativa explícita de apoiar a reeleição da Dilma. Porque digo isso? Porque em determinado ponto o jornalista afirma que "69%" da população deu aprovação em nível de´"ótimo e bom" para o Presidente Ventura (um contrassenso em relação à perspectiva de voto do adversário). Neste momento eu fiquei em alerta, afinal a Dilma acabou de confirmar "59%" de aprovação, mas ok… tudo certo: o dado da série foi 10% a mais. Só que, depois, há um erro de continuidade: em determinado ponto à frente, alguém diz que "o povo apoia com 59%!". Uma maravilha: exatamente a taxa de aprovação da Dilma.

No último instante, entra Deus como máquina novamente: o candidato do partido do Presidente fica incapacitado, o que o leva a candidatar-se mais uma vez (apesar da resistência "forte" do Presidente, mais uma vez o que eu disse acima: moralidade é uma rocha, não permite brechas de qualquer porte. Se ele fosse realmente íntegro, não teria traído sua resolução). Claro, é a única forma de fazer uma continuação plausível, afinal as "mudanças" que ele fez foram tão à base d´agua que seriam desfeitas em dois dias.

Por fim, torna-se óbvia a falta de capacidade dos "globais" em fazer algo decente, que realmente inspire o povo em direção à mudança. Eu sei, sou ingênuo em ter acreditado que poderia ser feito algo bom: shame on me Smiley envergonhado, mas é preciso acreditar em alguma coisa, não?

Essa série, infelizmente, vai entrar para meu grande hall de decepções. Contudo, ainda tenho esperança de que resolva melhorar na continuação(?) (shame on me, antecipadamente Irritado)

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Pensando Diferente (7) Tônico Verde Oliva Para uma Democracia Plena

Por Daniel Cardoso Tavares
Nota: Esta versão é uma forma de "manter a porcaria do sistema capitalista, mas deixando um mínimo de decência". Se eu tivesse que pensar em um sistema realmente bom, isso exigiria uma revolução popular e o sufocamento do capitalismo (como eu sei que isso não vai acontecer, fico só na vontade nos dois casos :P ).
Nota 2: Se alguém quiser me chamar de golpista pode, eu aceito… é melhor do que ser conivente com essa porcariada toda. Esse sistema político brasileiro já deu o que tinha que dar (já está mais do que provado que é impossível modificá-lo por dentro) e está na hora de ruir.
Nota 3: O ideal seria entrar nos detalhes do sistema, mas como eu sei que isso nunca vai ser implementado, deixo apenas o "layout" mesmo.

 

Forma de fazer:

Por meio de golpe de Estado, implante-se uma ditadura temporária no Brasil.

Em seguida, chamem-se eleições para Congresso Constituinte (ou seja: atuarão como parlamentares e constituintes) composta por acadêmicos (mestres e doutores) sem ligação prévia (nem parentes, nem antecedentes) com partidos políticos.

Implemente-se sistema de tecnocracia/democracia (com todos os seus parâmetros vide mais detalhes aqui), onde haverá pesos diferentes de acordo com o nível educacional do eleitor (com peso extra para graduados no tema em discussão);

Implemente-se sistema de transparência no qual não haja sigilo bancário para qualquer agente público em posição de comando (toda a movimentação pessoal deverá estar disponível para averiguação pública em 30 dias após suas realização. Obs: sem exceções para qualquer cargo municipal, estadual ou federal até o terceiro nível de cima para baixo. Ex: Presidente da República -> Ministro -> Presidente de empresa pública).

Insira-se permissão constitucional para pena de morte em caso de corrupção;

Crie-se tribunal (vou dar o nome, só para ter um, de: Supremo Tribunal Constitucional), por fora do sistema judiciário tradicional (um quarto poder, se assim quiserem), para julgar casos de corrupção -> com juízes escolhidos por meio de eleições -> com dois níveis de recurso (sem submissão a qualquer outro tribunal ou poder).

Crie-se a Empresa Brasileira de Obras Públicas (nome provisório), a fim de realizar obras de escolas, hospitais, tribunais, infra-estrutura etc., eliminando a necessidade de realização de licitações demoradas e que permitam desvio de verbas (não seria, contudo, perfeito, pois permitira desvio de verbas na compra de matérias-primas, mas aqui estamos lidando com o "possível"*);

Implemente-se sistema de democracia plena, com votação permanente por meio de recursos tecnológicos. -> 50% dos votos do congresso viriam de eleitores "digitais", que votariam de seus computadores ou em locais de acesso facilitado, em equipamentos iguais aos caixas eletrônicos modernos, só que com acesso à votação em Projetos de Lei.

Realizem-se eleições para Presidente e Deputados (Senadores seriam extintos) no prazo de até 4 anos após o golpe;

Dissolva-se a ditadura;

 

 

* -> Por falar em "possível": a arte do possível é a arte dos idiotas, dos limitados. Quem é realmente inteligente pensa em implementar o impossível.

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