Arquivo do mês: março 2010
Por Daniel Cardoso Tavares
Nota: as citações não são ao pé da letra, já que acompanhar o ritmo da fala é complicado, mas são fieis aos pensamentos.
É apenas um "teaser", já que mão tenho conhecimento de técnicas de transcrição, como taquigrafia, por isso o trabalho de reproduzir textualmente todo o vídeo seria desumano
, mas convido a todos: vejam o vídeo, vale a pena.
Darcy Ribeiro (antropólogo, educador e escritor)
Projeto de um Brasil utópico, de uma civilização mestiça e tropical, que vai espantar o mundo com sua beleza, por sua cordialidade, por sua alegria.
Escrevi um volume de umas 400 páginas chamado Os Brasileiros, que eu achava ótimo, quem lia achava ótimo, mas eu deixei-me descansar, reli e vi que era uma burrada, tudo bestagem. Primeiro que não tinha nada naquele livro que não tivesse nos outros livros, repetia. Segundo, não podia entender o Brasil porque o Brasil era ininteligível, isso porque não há uma teoria do Brasil. E não se pode fazer uma teoria para o Brasil sozinho, tem que fazer uma teoria do mundo, colocando o Brasil no meio do mundo.
Eu queria ser herdeiro de Karl Marx, retomar a coragem que ele tinha de olhar para as coisas, encarar as coisas, de ver e de falar. Não copiar as palavras dele.
Quando eu acabei o Processo Civilizatório, que foi publicado, eu vi que ele dava uma teoria geral do mundo, mas ela era muito abstrata, servia para explicar os esquecidos. Nos explicava: nós éramos uma extensão paranóica, salvacionista de Portugal e da Ibéria, que libertavam-se dos mouros e judeus, continuaram como uma cruzada. Porém, daqui para cá o Brasil é muito complexo, precisava de mais teoria.
Assim, escrevi outro livro: As Américas e a Civilização. Nele, tratava a causa do desenvolvimento desigual das Américas. A América do Norte evolui que é aquela beleza e nós involuímos nessa porcaria. Qual a causa? Exatamente os povos mais ricos, Haiti, Brasil e outros, viraram tão pobres e quem era tão pobre virou tão rico. Isso porque os norte-americanos herdaram a institucionalidade inglesa. Os escravos trabalhavam por alguns anos, mas também ganhavam para produzir. Então esse livro divide os povos da América Latina em 3 categorias: povos testemunho, que são testemunhas de civilizações mortas; os povos transplantados, que foram jogados aqui e são uma porcaria; e os povos indígenas daqui. A mistura deu lugar a um povo mestiço, gente que sabe viver no trópico.
Há um volume a mais: Os Índios e a Civilização. Lá, desenvolvi a teoria da transfiguração étnica, que é o processo pelo qual nascem, alteram-se e morrem os povos. Esse processo, em que um povo deixa de ter a sua cara e passa a ter outra, é uma das coisas mais importantes que você pode estudar. Acreditava-se que os índios iam ficando civilizados, onde tribos convertiam-se em vilas. Tudo mentira, cada povo indígena morreu ali, mantendo sua cara, sua língua, seu jeito. Se você pega as crianças e põe juntas de crianças diferentes, esse menino depois não presta para ser índio. É um processo terrível. Da mesma forma, a mulher indígena capturada que tem um filho: essa criança não é mais indígena, não é mais reconhecida como tal.
Essa confluência de gentes, da Europa e da floresta, gerou uma cultural homogênea, tropical, que adaptou-se a contingências diversas. Para cada região, uma variante cultural. Assim é que, o que caracteriza o Brasil é o milagre de ser uma nação unificada, a despeito de tantas diferenças. O fator fundamental foi uma vontade portuguesa terrível, já que eram submetidos à Espanha.
O Brasil é uma gênero humano novo, uma comunidade. Quem mais representa, como raça humana, a latinidade somos nós, os mestiços brasileiros. Nesse sentido, nós somos uma nova Roma, uma Roma que o mundo vai ver espantado, no momento em que realizar nossa potencialidade. Assim que forem feitas as reformas essenciais. Vai fornecer ao mundo uma civilização diferente, que nunca ninguém viu.
Penso e falo sempre que o Brasil nasceu e cresceu sob a beleza da utopia. A idéia que até o Papa estudou de que o Brasil é o paraíso perdido.
Acabaram, porém, com as florestas. Foram acabar com a Amazônia, que é o jardim da terra. Somos nós que temos que fazer o Brasil o país do seu povo, somos nós quem temos que fazer.
Manuela Carneiro da Cunha (Antropóloga)
Essa concepção de que os índios não tem história é completamente falsa, já que eles tem a percepção clara de que são os agentes dessa história.
A grande mudança das últimas décadas é que se percebeu que eles não só tem história, como são parte da sociedade brasileira. Não são aqueles índios mortos que aprendemos na escola.
A identidade brasileira, como homogênea, está sendo questionada. O Brasil é pluriétnico, os índios são um também um elemento de diversidade cultural. Essa idéia de que todos devem virar um, homogêneo… hoje em dia isso é muito questionado. As identidades são como bonecas russas, você é índio, categoria criada pela colônia, mas também é brasileiro. Todas essas identidades podem coexistir de uma forma rica.
O saber indígena não está só no passado, mas também no futuro. Não se pode fazer uma compilação de conhecimentos, pois as pesquisas indígenas continuam e tem que continuar.
Na Convenção Sobre Diversidade Biológica de 1992, mudou-se a percepção de que não há soberania sobre a diversidade biológico, situação que levou à alta quantidade de patentes no norte do planeta, com apenas a base do conhecimento no sul. Pela primeira vez, dá-se um papel importante às comunidades tradicionais, reconhecendo que devam receber benefícios pela sua contribuição e conhecimentos.
Atualmente, várias OIs estão preocupadas em achar os mecanismos para que os benefícios cheguem à população que gerou o conhecimento. Só que eles não tem muita imaginação, querem usar os instrumentos modernos e aplicar simplesmente às populações tradicionais, achando que o único problema é passar de um título individual (patentes) a um título mais coletivo. Há outras propostas, como a que diz: conhecimentos das populações tradicionais deveriam continuar no domínio público, mas se forem utilizados comercialmente, os benefícios devem retornar para as populações de origem.
A questão dos direitos intelectuais indígenas agora é uma questão central. Provoca debates na OMC e em várias Organizações Internacionais. As sociedades indígenas não são modelos, mas são modelos no sentido de mostrar que existem possibilidades de se viver sob outras regras.
E mais:
Paulo Vanzolini
Judith Cortesão
Roberto Pinho
Washington Novaes
Hermano ianna
Aziz Ab’Saber
Antonio Candido
Antonio Risério
Roberto da Matta
Mãe Stella
Carlos Serrano
Luiz Felipe de Alçencastro
Emanuel Araújo
Para comprar: http://www.livrariacultura.com.br/ (link direto)
‘Intérpretes do Brasil’, de Isa Grinspum Ferraz, traz uma série de quinze entrevistas com intelectuais brasileiros sobre a cultura, a religião e os diferentes grupos sociais de nosso país. Dos mesmos criadores do premiado O Povo Brasileiro.
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As Notas São de ontem, dia 30.
Libertação de reféns em poder das FARC
Com a anuência do Governo da Colômbia e a pedido do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o Governo brasileiro forneceu apoio logístico, por meio da cessão de helicópteros e tripulações militares, às operações de libertação, em território colombiano, do Sargento Pablo Emilio Moncayo e do Soldado José Daniel Calvo.
Esta foi a segunda vez que o Brasil prestou apoio logístico à iniciativa de libertação de reféns das FARC. A primeira ocorreu em fevereiro de 2009, quando seis seqüestrados foram colocados em liberdade.
Ao cumprimentar os recém-libertados, o Governo brasileiro congratula-se com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com o Governo colombiano pela coordenação de ações que tornaram possível o êxito da missão humanitária.
O Governo brasileiro manifesta a expectativa de que todos os reféns ainda em cativeiro possam encontrar a liberdade e que sejam abertas novas perspectivas para o processo de paz entre todos os colombianos.
Participação do Brasil na libertação dos reféns em poder das FARC
Ao tomar conhecimento da libertação do segundo refém colombiano, o Sargento Pablo Emilio Moncayo, hoje, 30 de março, o Ministro Celso Amorim, que se encontra em Nova York para participar da Conferência de Doadores para o Haiti, expressou sua satisfação com o êxito da missão humanitária e sua convicção de que o apoio prestado pelo Brasil foi uma importante contribuição para a efetiva realização dos direitos humanos.
Comentário: Como já disse antes, é algo muito bonito e nobre quando dá certo, mas se uma missão dessas falhar, principalmente se levar à morte de brasileiros, vai ser um desastre…
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Comentários por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: IG
"Líderes inseguros barram inovações", diz consultor
Praveen Gupta diz que muitas grandes companhias preferem funcionários que não pensam por temer mudanças
Carla Falcão, iG São Paulo
Autor dos livros “Inovação Empresarial no Século 21” e “The Innovation Solution” (sem tradução para o português), o indiano Praveen Gupta é reconhecido por prestar consultoria em inovação para grandes empresas e organizações de diversos países, como o Grupo Sonae e o Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, Gupta chegou à conclusão que, na maioria dos casos, o principal entrave à inovação dentro de uma companhia é a presença de um líder inseguro, relutante em assumir riscos, cujos funcionários não o desafiam.
Praveen Gupta, consultor indiano e autor de livros sobre inovação
“Este executivo, que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina por parte de seus subordinados. É justamente nessas empresas que os funcionários são desencorajados a pensar”, diz Gupta. Em sua opinião, apenas 20% dos presidentes de empresa estão comprometidos com a inovação.
Gupta, que também preside a consultoria Accelper, observa que pesa nas companhias a percepção de que é preciso gastar muito para criar produtos e serviços inovadores “Isso é mito”, afirma. Criamos soluções alternativas e mais eficientes quando surgem as necessidades”, afirma.
Leia a entrevista com Praveen Gupta.
iG: No livro “Inovação Empresarial no Século 21, o sr. afirma que a falta de tempo para pensar é um dos maiores obstáculos à inovação nas empresas. As grandes companhias preferem funcionários que não pensam?
Gupta: As pessoas estudam para ter maior qualificação e conseguir bons empregos, nos quais sua capacidade de pensar e resolver problemas seja reconhecida e remunerada. Mas, o que venho observando, é que quanto maior o nível de educação, menos as pessoas têm tempo para pensar. Isso acontece porque infelizmente há muitas empresas grandes que desencorajam seus funcionários a raciocinar. Muitas até preferem profissionais que não pensam, pois acreditam que isso possa levar à perda de produtividade ou gerar indisciplina em níveis hierárquicos inferiores.
O que essas corporações esquecem é que o propósito de qualquer empresa é gerar produtos e serviços pelos quais os consumidores desejam pagar. Para que isso aconteça, é fundamental contar com equipes motivadas. Minhas pesquisas demonstraram que funcionários com liberdade para pensar e se expressar costumam trazer à tona as melhores e mais criativas ideias para impulsionar o crescimento da companhia.iG: Quais são as principais dificuldades para estimular a inovação identificadas nas empresas?
Gupta: A falta de compromisso da liderança da companhia com a inovação é, sem dúvida, um dos maiores obstáculos. Após anos de trabalhos como consultor em grandes empresas, pude identificar dois tipos de líderes. O primeiro é aquele que valoriza o conceito de inovar e está disposto a assumir riscos, investir, pensar e desafiar aos outros e a si mesmo. Já o segundo tipo, é aquele que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina de seus subordinados.
Ousaria dizer que a maior parte dos executivos é inovadora por natureza. Mas, diante do atual cenário econômico e da pressão pelo retorno dos investimentos no curto prazo, poucos se animam a apostar suas fichas em algo incerto. Acredito que apenas 20% dos presidentes das maiores companhias estejam de fato comprometidos com a inovação. Para reverter esse quadro, recomendo aos presidentes e diretores que, em primeiro lugar, assumam um compromisso com a construção do negócio em si e, depois, aprendam tudo que for possível sobre a ciência da inovação.
iG: Desde a crise econômica, inovar parece ser a solução para tudo. Da redução de custos à conquista de novos clientes, passando até mesmo pela melhoria de clima organizacional. Não há um certo exagero?
Gupta: Inovação é, certamente, a palavra da moda. Todo mundo fala em inovação para comprovar a exclusividade de seu produto, solução ou serviço. De fato, inovar não representa mais uma opção da qual a empresa possa abrir mão sem prejuízo para o negócio. Hoje, trata-se de uma escolha entre crescer e ficar estagnado, inovar ou morrer. Não são apenas as empresas que precisam ousar e criar novos produtos, mas também as pessoas. Para os indivíduos, inovar tornou-se uma habilidade mandatória no século 21 pela necessidade crescente de se adquirir e criar conhecimento rapidamente.
iG: Recente pesquisa divulgada no Brasil revelou que uma das profissões do futuro é a de Chief Innovation Officer, função voltada para pesquisa, planejamento e aplicação da inovação. As empresas estão preparadas para contratar este tipo de profissional?
Gupta: A inovação tornou-se um novo campo de trabalho, assim como vendas, marketing e design, exigindo uma estrutura definida. Pode ser que a empresa esteja preparada para ter um diretor de inovação ou simplesmente um analista. O que importa é que esta nova função tenha um foco previamente definido e que o profissional apresente uma visão estratégica de negócios, uma orientação para o aumento dos lucros e uma excelente capacidade de comunicação, além, é claro, de conhecimentos sobre a ciência de inovar.
iG: Após tantos recalls envolvendo a indústria automotiva, que conselhos o sr. daria às companhias que abriram mão do cuidado com a qualidade de produtos e serviços diante da pressão por rapidez no lançamento de novos produtos?
Gupta: Investir em inovação e abrir mão da excelência é uma equação que não fecha. Mesmo empresas que sempre prezaram pela qualidade, como a Toyota, pagam o preço por escolher caminhos mais curtos e ignorar seu próprio compromisso com a perfeição dos produtos. Inovações lançadas no mercado sem os devidos cuidados podem agradar momentaneamente a área de marketing, mas acabam tornando-se um grande problema para as equipes de vendas. O custo de uma falha no processo de criação de um novo produto ou serviço, lançado sem os devidos testes, pode tirar completamente o charme da inovação e se reverter em um grande prejuízo para a companhia. Por isso, é fundamental ter em mente que a qualidade vem em primeiro lugar.
Comentário: coloquei esse artigo meio "off-topic" porque houve uma certa coincidência de tópicos nós últimos dias. Na semana passada, enquanto escutava o audiobook do livro The Influence of Sea Power Upon History: 1660-1783, do Alfred Thayer Mahan, pude ver um caso interessante a respeito de "indisciplina", ou melhor, de quebra de hierarquia.
O livro traz o exemplo da marinha inglesa, que tinha um sistema totalmente livre de discussão e troca de informações entre oficiais e subordinados. Os marinheiros comiam a mesma comida dos oficiais, no mesmo ambiente, na mesma mesa, sem distinções hierárquicas. Esse tipo de interação fazia com que houvesse confrontos constantes de idéias entre os mais altos oficiais e os mais baixos da hierarquia, algo que dava à Arma uma flexibilidade incrível. Alfred Mahan chega a afirmar que isso foi uma vantagem na guerra naval contra a França, que tinha um sistema duro de obediência à hierarquia.
O filme "Guerra ao Terror", ganhador do Oscar, também traz um estilo bem livre de movimento no campo de combate. Acredito que seja uma forma bem realista de mostrar como as coisas são na realidade. Quando estava lendo o livro Soldados Cidadãos*, que conta a história dos combates da Segunda Guerra Mundial de forma simplesmente espetacular, passo-a-passo, quase como uma histórica inventada, mas tendo sido baseada em centenas de entrevistas e coleta cuidadosa de dados (o livro é tão "emocionalmente cativante" quanto o 1961 – Que as Armas Não Falem), o primeiro aspecto ressaltado é o de que, na guerra, o sargento é que é o general do campo. Até mesmo os tenentes respeitam as ordens dos sargentos e cabos, já que a experiência de combate deles é simplesmente maior que qualquer outra coisa.
Os livros:
[Aqui o link para a versão em audibook do Sea Power]
* Infelizmente não consegui ler por completo, acabei emprestando para um colega e, como ele saiu do curso, acabei não recebendo de volta… hehehehe…
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Presidente René Préval,
Secretário-Geral Ban Ki-moon,
Secretária de Estado Hillary Clinton,
Ex-Presidente Bill Clinton,
O Brasil co-preside esta Conferência de Doadores movido pela convicção de que nos reunimos aqui para garantir que o povo haitiano possa encontrar o caminho do desenvolvimento sustentável. Esse processo tem de ser empreendido sob a liderança do Governo do Haiti, com o apoio da comunidade internacional.
O Brasil confia em que o Haiti será capaz de superar os atuais desafios e tomar as rédeas de seu destino. Quero cumprimentar o Governo haitiano pela entrega do seu Plano de Ação, o que nos permitirá direcionar nosso apoio de maneira eficaz e em conformidade com as prioridades nacionais haitianas.
Dois meses e meio atrás, naquele terrível 12 de janeiro, todos nós assistimos às dolorosas imagens de destruição e sofrimento humano. A sensação do impacto pode ter arrefecido levemente na cobertura da imprensa desde janeiro; mas é nosso dever provar que a comunidade internacional não esqueceu a tragédia e que nosso compromisso de traduzir solidariedade em ações concretas permanece firme. Talvez o dia 12 de janeiro pudesse ser declarado o dia universal da solidariedade.
O período de emergência ainda não terminou. Neste exato momento, um milhão de haitianos estão sem casa, vivendo em abrigos improvisados. Centenas de milhares estão apavorados diante da ameaça que representa a estação de chuvas que se aproxima. Os pais não mandam seus filhos para a escola, pois temem por sua segurança.
Mas nosso principal objetivo hoje é ajudar os haitianos a fixar as condições para um desenvolvimento sustentado de longo prazo, com a garantia de justiça social, estabilidade política e a plena realização dos direitos humanos.
Venho hoje aqui com o apoio integral, não apenas do meu Governo, mas também da sociedade brasileira. Não consigo recordar ocasião em que os brasileiros tenham sentido tamanha solidariedade em relação a outro país – e expressado esse sentimento de forma tão generosa e efetiva.
O Presidente Lula visitou o Haiti no mês passado. Eu mesmo fui ao Haiti dez dias após o terremoto. Muitos ministros e autoridades brasileiros estiveram no Haiti, mais recentemente o Ministro da Saúde.
O compromisso do Brasil com o Haiti não é novo, nem circunstancial. Desde 12 de janeiro, o Brasil destinou US$ 167 milhões em ajuda humanitária de curto prazo. A Força Aérea Brasileira operou mais de 130 vôos humanitários entre o Brasil e o Haiti, que transportaram mais de 1.000 toneladas em ajuda humanitária, incluindo um hospital de campanha militar completo.
Neste momento, tenho a honra de anunciar que o Brasil está empenhando o valor adicional de US$ 172 milhões para a recuperação e a reconstrução de longo prazo do Haiti. Essa soma inclui US$ 94,5 milhões para a saúde. Também inclui US$ 40 milhões, sob o programa Brasil-UNASUL, destinados a projetos de infra-estrutura. Inclui, ainda, uma doação de US$ 15 milhões em apoio orçamentário direto para o Governo do Haiti. Isso é inteiramente consistente com a visão de que o Governo do Haiti deve liderar o processo de reconstrução.
Nosso desafio, hoje, é assegurar que o apoio da comunidade internacional seja sustentável e direcionado a resultados de longo prazo. Nesse contexto, gostaria de reiterar nossa proposta de que todos os países membros da OMC – e talvez até mesmo aqueles que não são membros da OMC – ofereçam acesso não submetido a tarifas e quotas [duty-free, quota-free] a produtos haitianos, com regras de origem preferenciais por um período longo o suficiente para permitir investimentos e crescimento sustentado. Esta é uma oportunidade para que a comunidade internacional mostre disposição e capacidade de se unir em favor de uma causa justa e incontestável. A ajuda ao Haiti está além de qualquer disputa ideológica, religiosa ou política.
Esta é realmente uma ocasião histórica. Temos a oportunidade de homenagear aquilo que a luta haitiana simboliza: o esforço pioneiro pela independência e pela eliminação da escravidão em nosso continente. A Revolução Haitiana foi um evento de grande importância na História moderna. Pela primeira vez, expatriados africanos nas Américas reivindicaram as promessas de liberdade e igualdade. Ajudemos o bravo povo do Haiti a fazer com que essas promessas se tornem realidade.
Obrigado.
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Por Daniel Cardoso Tavares
- Objeto: serão estabelecidas parceiras e relações de cooperação com a finalidade de promover o desenvolvimento sócio-econômico, científico, industrial, tecnológico dos povos.
- Formas de cooperação: a) formulação de políticas de interesse comum; b) intercâmbio de informações, missões técnicas, organização de seminários, programas de formação e capacitação, assim como desenvolvimento de pesquisa em áreas de interesse comum.
- As Partes celebrarão Protocolos adicionais que detalharão as modalidades de cooperação.
- Vigência indeterminada, com entrada em vigor "na data da segunda notificação pela qual uma Parte informa a outra, por via diplomática, do cumprimento de seus requisitos para a entrada em vigor deste Acordo. "
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Pois é, já mostrei no "Jogos (4)", que o revolucionário jogo R.U.S.E., que promete levar a simulação de guerra a níveis jamais vistos, estava no forno, mas agora informo (atrasado) que ele entrou em versão de teste Beta para o público em geral.
O jogo pode ser baixado pela plataforma STEAM, já conhecida dos jogadores mais assíduos. Estou baixando aqui em casa, mas a previsão não é muito boa em termos do quanto demorará. Por não ter touchscreen ou aquela mesa (veja o vídeo abaixo) com certeza o nível de interatividade vai ficar limitado, mas participar da experiência e poder exercitar um pouco de estratégia "nas toras" é algo que me empolga bastante.
Até agora já foram mais de 1 milhão de downloads do Beta. Veja mais informações nos sites: http://steamcommunity.com/games/RUSE ou http://www.rusegame.com
Ficam os vídeos:
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Fonte: Folha de S. Paulo
Para Samuel Guimarães, caso do Irã pode repetir "manipulação ideológica" pré-invasão do Iraque
CLAUDIA ANTUNES
DA SUCURSAL DO RIO
O ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, disse ontem que os países "extraordinariamente armados" pretendem "desarmar os desarmados totalmente, até o último estilingue", e convencer o mundo de que são estes últimos os "perigosos e que oferecem grandes riscos à paz internacional".
Foi uma das referências indiretas à pressão das potências ocidentais sobre o programa nuclear do Irã, em palestra na Escola de Políticas Públicas do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio) na qual o ex-secretário-geral do Itamaraty falou sobre "as perspectivas do Brasil para o mundo de 2022".
Ele se referiu às negociações de defesa ao mencionar a criação de normas destinadas a "consagrar privilégios" como uma das tendências globais que o Brasil enfrentará.
Ao apresentar o ministro, o acadêmico Candido Mendes, reitor da universidade à qual o Iuperj é ligado, saudou o esforço brasileiro para "readmitir o Irã na comunidade internacional" e perguntou por que o país persa não pode ser potência nuclear "se Israel o é".
Guimarães não entrou nesse mérito, mas disse que a manutenção de privilégios no sistema internacional envolve uma "manipulação ideológica permanente", que segundo ele parte de universidades para organismos internacionais e a imprensa, e conseguiu, em 2003, "convencer" que o Iraque tinha armas de destruição em massa.
"Quem sabe não estamos diante de uma outra formulação do tipo, que se articula gradualmente?", perguntou.
Antes, ao lembrar que países hoje no Conselho de Segurança da ONU, como França e Reino Unido, já estavam em posição de poder no início do século 19, o ministro disse que "uma das características do sistema internacional é o racismo, a ideia de civilizações superiores e inferiores".
Disse que japoneses foram considerados "brancos honorários" para fazer negócios com a África do Sul do apartheid e comparou: "Fiquem sabendo os senhores que nós também somos brancos honorários. Mesmo aqueles aqui de pele mais alva".
América do Sul
Guimarães disse que a crescente disparidade econômica entre o Brasil e seus vizinhos da América do Sul, e a penetração de empresas brasileiras na região, onde o "capital estrangeiro, como sabemos, nem sempre é bem-vindo", exige que o país seja mais generoso.
"Será necessária uma política de grande audácia para reverter essa tendência, promover o desenvolvimento dos vizinhos e permitir o desenvolvimento equilibrado da região", disse, citando também a intensificação do ativismo indígena, desconfiado da exploração de recursos naturais.
Ele sugeriu a formação de um mercado único sul-americano, mas não "ao estilo neoliberal", no qual o Brasil continue a acumular superavit. Seria, disse, um esquema "em que o Brasil abra seu mercado, mas permita aos países menores proteger seu sistema econômico para poderem se desenvolver".
Guimarães disse ainda que o Brasil sofrerá "danos extraordinários" se cair na tentação de se intrometer na política interna dos vizinhos, movido por interesses econômicos. "Será necessário manter o princípio da não intervenção e da autodeterminação", afirmou.
Comentário: Sobre a última afirmação, não acho que devamos nos submeter a abusos por parte de outros Estados. Aquela situação em que tomaram nossas instalações de petróleo-gás foi uma vergonha que não pode repetir-se. Acredito que o Brasil começou a reagir, com atraso, no caso do Equador-Odebrecht e esse modus operandi deve ser mantido.
Não devemos intervir em assuntos internos? Concordo. Devemos respeitar a autodeterminação dos povos? Como relativista cultural concordo ainda mais, mas que os outros não abusem de nossas empresas ou vão receber petelecos na orelha para largarem de "trouxidão".
Como já disse aqui antes, seguindo um comentário de um colega visitante do site, acredito que seja uma boa haver uma legislação nacional que permita punições a países que abusem de nossas empresas lá fora, no mesmo molde da lei que existe lá nos EUA.
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Acordo EUA-Rússia sobre armas nucleares
O Brasil recebeu com satisfação o anúncio de que os Estados Unidos e a Rússia assinarão no início de abril, na República Tcheca, novo acordo bilateral para a redução recíproca de armas nucleares, com vistas a substituir e aprofundar os compromissos do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-I), expirado em dezembro de 2009.
O Brasil considera que o novo tratado representa avanço importante no campo do desarmamento nuclear e está em linha com os passos que o Brasil julga necessários para eliminação irreversível dos arsenais atômicos.
O Governo brasileiro espera que na VIII Conferência de Exame do Tratado para a Não-Proliferação de Armas Nucleares – TNP, a ser realizada em maio, em Nova York, as potências nucleares sejam capazes de adotar novas medidas concretas, para colocar em prática seu comprometimento com o desarmamento nuclear, expresso nas Conferências de Exame do TNP em 1995 e em 2000.
Comentário: Só lembrando que o próprio Amorim afirmou em entrevista para a Band que o tal acordo não é tão significativo assim. Eu, sem ter dados privilegiados, aposto dezinho que são todos mísseis velhos, caindo aos pedaços, que já estão ou iriam para o "lixão" de qualquer forma…
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Nota: Apesar do vídeo ser o "4 de 6", não existem os outros, só o "6 de 6" que não é nada… não sei se vão arrumar ou não, mas fica este por enquanto.
O Brasil virou um dos maiores pólos agropecuários do mundo e a nação dos biocombustíveis. O comércio com a União Européia ainda tem uma fatia majoritária de produtos agrícolas. A chamada agroenergia promete dar novo impulso a essa relação. O comércio com a Europa está atraindo, por exemplo, pequenos e médios empresários inovadores ligados à indústria petrolífera brasileira. Até mesmo uma cooperativa de catadores que antes viviam no lixão de Salvador estão vendo suas vidas se transformar para melhor graças ao comércio internacional. O repórter Floriano Filho mostra como vários empresários brasileiros ainda encontram barreiras para exportar. Ele foi a quatro países europeus (Holanda, Bélgica, Suiça, Suécia) e também percorreu diferentes estados brasileiros para desvendar essa geopolítica da agroenergia. Ouviu autoridades, especialistas, agricultores e empresários para mostrar um panorama comercial entre o Brasil e a União Européia. A Suécia, por exemplo, tem o maior programa de etanol para transportes na Europa e é um dos maiores importadores de etanol brasileiro no mundo.
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