Arquivo do mês: junho 2010
Escrito por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Agência Brasil
Hoje, Celso Amorim reuniu-se com o Chanceler da Argentina, Héctor Timerman, em sua primeira visita oficial. Ele assumiu as funções no dia 22 deste mês.
Na pauta do encontro, o andamento dos projetos estratégicos do Mecanismo de Integração e Cooperação Brasil-Argentina (MICBA), assim como questões de comércio bilateral e integração das economias.
“Os chanceleres vão discutir ainda a realização da próxima Cúpula do Mercosul, o desenvolvimento da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e as possibilidades de cooperação para a reconstrução do Haiti.”
O Brasil é o principal sócio comercial da Argentina.
Entre 2002 e 2008, o fluxo bilateral de comércio cresceu mais de 300%, passando de US$ 7 bilhões para mais de US$ 30 bilhões.
De janeiro a maio de 2010, a corrente de comércio entre os dois países aumentou mais de 50% em relação a igual período de 2009 e atingiu cerca de US$ 12 bilhões, dos quais pouco mais da metade correspondeu a exportações brasileiras.
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Nota: não temos posição oficial em relação a esta campanha.
Fonte: http://brasilnicolaci.blogspot.com/
“Nas comemorações do final da Guerra do Paraguai, em 1 de março de 2010, o vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, pede a devolução do canhão “El Cristiano” para reparar a honra do povo paraguaio.
Sendo um obus de grande capacidade para a época, o mesmo estreou na Batalha de Curupayti, quando o General Mitre, a frente do comando das tropas aliadas, logrou uma severa derrota e a baixa de mais de 8 mil de seus comandados.
Definitivamente, dadas as proporções de formação do contingente aliado, o bronze do canhão, não ressoando mais durante os cultos, ressoou ao expulsar projéteis, para perfazer a morte de milhares de brasileiros…”
http://www.ocanhaoenosso.com.br
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Versão reduzida e negritos por Daniel Cardoso Tavares
TERMOS DE REFERÊNCIA PARA O CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-ITÁLIA
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da República Federativa do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Econômico da República Italiana, decidem criar o Conselho Empresarial Brasil-Itália, de acordo com os seguintes termos de referência:
1. Este Termo de Referência visa a criar estrutura básica para a elaboração de programa de trabalho para o Conselho Empresarial Brasil-Itália (doravante denominado “Conselho”).
2. O Conselho tem por fim aproximar as comunidades empresariais do Brasil e da Itália para debaterem temas de interesse mútuo, com o objetivo de fortalecer os laços econômicos e comerciais existentes entre ambos os países e de comunicar suas recomendações conjuntas e propostas operacionais aos Governos brasileiro e italiano, por meio do Conselho Brasil-Itália para a Cooperação Econômica, Industrial, Financeira e para o Desenvolvimento estabelecido pelo Acordo-Quadro de Cooperação, firmado em 12 de fevereiro de 1997.
3. O Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e, pelo lado italiano, o organismo a ser identificado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico consultando o Ministério de Assuntos Estrangeiros formarão a Secretaria-Executiva do Conselho, com o objetivo de facilitar a organização de suas reuniões.
4. O Conselho será composto por membros do setor privado. Os membros do Conselho poderão, sempre que necessário, ajustar ou detalhar este conjunto de princípios.
5. Os membros do setor privado do Conselho são, preferencialmente, executivos-chefes (CEOs) ou diretores de alto nível do conselho dirigente de empresas do setor privado que têm demonstrado grande interesse no desenvolvimento comercial e econômico das relações Brasil-Itália, sendo, desse modo, capazes de, por meio de sua experiência pessoal, promover os mais amplos interesses. Esses membros deverão representar a diversidade de setores e ser capazes de lidar com temas transversais que afetam toda a comunidade empresarial, bem como ações governamentais.Na medida do possível, esses membros do setor privado no Conselho também deverão representar uma parcela das pequenas, médias e grandes empresas.
6. Os membros do setor privado do Conselho são convidados a apresentar recomendações e propostas operacionais conjuntas para os dois Governos, por meio do Conselho Brasil-Itália para Cooperação mencionado no parágrafo 2, a fim de refletir o ponto-de-vista do setor privado, suas necessidades e preocupações quanto à evolução e à consolidação de um ambiente de negócios em que seus respectivos setores possam criar parcerias, prosperar, bem como fortalecer os laços comerciais bilaterais, que formem a base para relações econômicas e comerciais expandida entre Brasil e Itália.
7. O Conselho é concebido para facilitar a troca de informações e para estimular debates bilaterais que abordem como os Governos brasileiro e italiano poderiam:
A. promover o comércio, a indústria e os investimentos como meios para o crescimento econômico;
B. incrementar a competitividade por meio da inovação e do empreendedorismo;
C. promover parcerias para o desenvolvimento da educação e da força de trabalho;
D. promover trocas de tecnologia em áreas -chave;
E. apoiar um ambiente capaz de prover o movimento rápido e seguro de bens;
F. promover maior compreensão entre os dois países no tocante às respectivas políticas econômicas;
G. identificar políticas prioritárias em assuntos setoriais.
8. Além de sua função principal, o Conselho poderá promover, em cooperação com entidades relevantes dos dois países: missões empresariais; seminários em temas econômicos; troca de informação econômica, comercial e de investimentos; análise do fluxo comercial corrente entre ambos os países; assim como eventos culturais e sociais que tenham os objetivos de construir imagem, de facilitar redes de contatos, de desenvolver relações com a mídia e de fortalecer a confiança entre as opiniões públicas dos dois países.
9. Os membros do setor privado irão constituir um único Conselho composto de duas seções, uma Seção brasileira e uma Seção italiana, que trabalharão para apresentar recomendações conjuntas e propostas operacionais para os dois Governos. Cada Seção será composta por aproximadamente dez membros do setor privado, representando os pontos-de-vista e os interesses da comunidade empresarial.
10. O Conselho reunir-se-á uma vez por ano, pouco antes da reunião do Conselho Brasil-Itália para Cooperação mencionado no parágrafo 2, ou de forma ad hoc, a sua discricionariedade, no Brasil e na Itália, alternativamente. O Conselho será conduzido com base no consenso mútuo e pode, de acordo com a necessidade, adotar procedimentos e programas de trabalho. Antes e durante cada reunião, os membros do Conselho podem trabalhar juntos para preparar relatório conjunto a ser entregue ao Conselho Brasil-Itália mencionado no parágrafo 2, resumindo recomendações específicas e propostas operacionais. Consultando o moderador de cada Seção, os dois Governos podem estabelecer objetivos específicos para cada reunião do Conselho.
11. Os moderadores das Seções organizarão reuniões, teleconferências e intercâmbios do Conselho, envolvendo tanto o setor privado brasileiro quanto o italiano, a fim de desenvolver um grupo de recomendações políticas conjuntas. Os dois Governos podem solicitar ao Conselho a preparação de relatórios adicionais. Os moderadores de Seção serão responsáveis por assegurar que os pontos-de-vista de cada Seção sejam completamente transmitidos dentro do Conselho. A língua oficial do Conselho será o inglês. Os moderadores da Seção deverão finalizar a agenda para as reuniões do Conselho ao menos uma semana antes da reunião.
12. Os membros do Conselho servirão sem compensação monetária por sua participação nas atividades do Conselho. Viagem e outras despesas associadas com a participação dos membros nas reuniões do Conselho, incluindo as reuniões do próprio Conselho e da Seção, serão arcadas pelos membros. As atividades do Governo brasileiro e do Governo italiano a respeito destes Termos de Referência são sujeitas à disponibilidade de fundos apropriados e às respectivas leis e regulamentos do Brasil e da Itália.
13. Este Termo de Referência pode ser modificados conjuntamente pelo Governo brasileiro e pelo Governo italiano a qualquer tempo, por via diplomática.
Feito em São Paulo, em 29 de junho, em duas versões originais, em português, italiano e inglês, sendo todos os textos igualmente autênticos.
PROGRAMA EXECUTIVO DE COOPERAÇÃO CULTURAL ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA ITALIANA PARA O PERÍODO DE 2010-2013
Com base no Artigo 21 do Acordo sobre Cooperação Cultural entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Itália, assinado em Roma, em 12 de fevereiro de 1997;
Decidem estabelecer o presente Programa Executivo de Cooperação Cultural para o período de 2010-2013.
TÍTULO I
Diretrizes Gerais
Artigo 1
As Partes fomentarão ações de cooperação, intercâmbio e divulgação mútua de todas as suas expressões e manifestações culturais, levando em conta suas diversidades culturais, étnicas e linguísticas, assim como ações de promoção e proteção de seus patrimônios culturais materiais e imateriais.
Artigo 2
As Partes cooperarão para promover ações voltadas para o fortalecimento da economia da cultura em ambos os países, bem como incentivarão a troca de experiências sobre legislações, sistemas de informações e mecanismos de incentivo e fomento à cultura, considerando a profunda influência econômica e sociocultural das atividades culturais no desenvolvimento sustentado de ambas as nações. As Partes estudarão formas de impulsionar o intercâmbio de experiências sobre políticas públicas em todas as áreas da cultura.
Artigo 3
1. No contexto das responsabilidades assumidas no âmbito multilateral, especificamente no setor cultural, as Partes prestarão especial atenção à colaboração no âmbito das obrigações impostas pelas Convenções internacionais da UNESCO de 1972 sobre a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, de 2003 sobre a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial e de 2005 sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.
2. As Partes também se comprometem a colaborar no intuito de combater o tráfico ilícito de bens culturais conforme as respectivas legislações nacionais e atendendo à Convenção Internacional da UNESCO de 1970 sobre as Medidas para Proibir e Prevenir a Importação, Exportação e Transferência Ilícita de Propriedades de Bens Culturais, bem como pela Convenção Internacional UNIDROIT de 1995 sobre Bens Culturais Roubados ou Ilicitamente Exportados.
TÍTULO II
Manifestações e Eventos Culturais
Artigo 4
1. A Parte italiana envidará esforços para realizar no Brasil, em 2011, a exposição “Roma Imperial”, com artefatos arqueológicos de grandes museus italianos.
2. A Parte italiana, por meio do Ministério para os Bens e as Atividades Culturais, envidará esforços para realizar no Brasil e na Itália, em colaboração com o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, uma mostra sobre a coleção arqueológica de Teresa Cristina Bourbon, integrando os materiais conservados no Brasil com outros provenientes da Itália. As modalidades de colaboração serão acordadas entre as Partes interessadas.
3. A Parte italiana envidará esforços para realizar, em 2011 e em 2012, um programa coordenado de grandes eventos nas principais cidades brasileiras, denominado “Momento Itália- Brasil”.
Artigo 5
As Partes, nos limites de suas disponibilidades, fomentarão a participação de artistas e grupos artísticos, diretores, técnicos e demais profissionais das artes de seus países em exposições, concertos, espetáculos, mostras e outros eventos de caráter cultural e artístico a serem realizados no território da outra Parte.
Artigo 6
1. As Partes fomentarão o intercâmbio e a colaboração entre universidades e instituições de formação artística, musical e de coral, públicas e privadas, de ambos os países que se dediquem ao ensino das artes, à reflexão e à crítica cultural, bem como facilitarão o intercâmbio de publicações sobre o ensino das artes e fomentarão a cooperação nessa matéria.
2. Considerando que a formação nas disciplinas artísticas constitui um elemento central na educação e no desenvolvimento das jovens gerações, as Partes envidarão esforços para fomentar iniciativas de promoção artística nas artes visuais, no desenho industrial, na música, nas disciplinas corais e no teatro, com vistas à valorização do patrimônio histórico e cultural presente nos dois países.
TÍTULO III
Audiovisuais, Cinema, Setor de Rádio e Televisão
Artigo 7
As Partes envidarão esforços para promover a participação, em festivais internacionais de cinema, mostras e outras manifestações internacionais e eventos do gênero, organizados no território da outra Parte, por artistas e profissionais do setor em seus países, tais como produtores e diretores.
Artigo 8
As Partes envidarão esforços para favorecer programas de cooperação destinados à distribuição de obras audiovisuais e à realização de mostras no território da outra Parte, a serem executados pelos organismos nacionais competentes.
Artigo 9
As Partes fomentarão intercâmbios entre os setores de rádio e televisão de seus países, por meio de entendimentos diretos entre as instituições interessadas.
TÍTULO IV
Livros, Leitura e Literatura
Artigo 10
1. A Direção Geral para a Promoção e a Cooperação Cultural do Ministério das Relações Exteriores italiano concederá prêmios e contribuições financeiras a editoras e tradutores italianos ou estrangeiros que elaborem propostas de difusão da cultura italiana para a divulgação de livros italianos, a tradução de obras literárias e científicas nesse idioma, bem como para a tradução, dublagem e inserção de legendas em filmes de curta e longa metragem e em seriados televisivos destinados aos meios de comunicação de massa. Pedidos de verba deverão ser encaminhados à Direção por via diplomática.
2. A Direção Geral para as Bibliotecas, os Institutos Culturais e os Direitos Autorais do Ministério para os Bens e Atividades Culturais informa que existem “Prêmios Nacionais para a Tradução”, postos sob o Alto Patrocínio do Presidente da República, a operadores de tradução e a editoras italianas ou estrangeiras.
TÍTULO V
Bibliotecas e Arquivos
Artigo 11
1. As Partes fomentarão o desenvolvimento da cooperação entre suas respectivas bibliotecas e arquivos nacionais, a fim de promover a realização conjunta de atividades de interesse cultural e educativo. Da mesma forma, estimularão o intercâmbio de seus respectivos periódicos institucionais, de cópias de livros e documentos históricos e de resultados de pesquisas e experiências nos campos da história e do patrimônio cultural de ambos os países.
2. As Partes fomentarão a cooperação no setor do intercâmbio de informações, livros e periódicos entre bibliotecas, academias e instituições culturais dos dois países.
3. As Partes, com base no princípio da reciprocidade e durante a vigência deste Programa, realizarão intercâmbio de bibliotecários e arquivistas para visitas de estudo, mediante solicitação da outra Parte.
4. As Partes, observando suas respectivas legislações nacionais, facilitarão o empréstimo de material de suas bibliotecas para exposição em mostras.
5. A Parte italiana facilitará, por meio da Direção Geral para as Bibliotecas, os Institutos Culturais e os Direitos Autorais do Ministério para os Bens e Atividades Culturais, o envio de livros sobre qualquer disciplina e matéria para instituições e universidades brasileiras que o requeiram por via diplomática; de especialistas no setor da conservação, da restauração, da catalogação, da informatização, de projetos arquitetônicos de bibliotecas e da promoção dos bens livreiros; bem como de mostras ou coletâneas editoriais para a ilustração de atividades de tutela e valorização do patrimônio livreiro, para as instituições que os requeiram.
6. As Partes encorajarão a colaboração entre os arquivos históricos de seus respectivos Ministérios das Relações Exteriores, com base no princípio da reciprocidade e em conformidade com a legislação em vigor em cada um dos países, com vistas a intercambiar informações, experiências e publicações, bem como permitir acesso à documentação por parte de pesquisadores qualificados.
Artigo 12
As Partes comprometem-se a apoiar o intercâmbio de informações e cópias de documentos textuais e iconográficos entre seus respectivos arquivos públicos. As condições serão definidas diretamente pelas partes interessadas, de acordo com as legislações locais em vigor.
TÍTULO VI
Tutela dos Bens Culturais
Artigo 13
As Partes fomentarão a cooperação entre suas autoridades competentes para a realização de atividades de formação especializada em matéria de proteção e combate ao tráfico ilícito de bens culturais, a serem dirigidas a integrantes das áreas de fiscalização, controle e segurança de cada país. As modalidades dessa colaboração serão definidas por via diplomática.
TÍTULO VII
Turismo Cultural
Artigo 14
As Partes envidarão esforços para apoiar iniciativas, tanto do setor governamental quanto do setor privado, para que a indústria do turismo cultural se desenvolva de maneira responsável e sustentável em ambos os países, com vistas à constituição de circuitos culturais que possam difundir manifestações artísticas, assim como expressões de seu patrimônio cultural material e imaterial.
TÍTULO VIII
Patrimônio Cultural e Museus
Artigo 15
1. As Partes estimularão a cooperação técnica e o intercâmbio no setor do patrimônio cultural, favorecendo a permuta de informações e a difusão de experiências nas ações de preservação e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial respectivamente, considerando a gestão dos processos de identificação, documentação, proteção, intervenção, promoção e fomento a esse patrimônio.
2. Incluem-se, nesse âmbito, o patrimônio edificado, os sítios históricos urbanos, os sítios e as zonas arqueológicas protegidas, os bens móveis e integrados e as paisagens culturais, bem como as celebrações, os saberes e modos de fazer, as formas de expressão e os lugares que abrigam manifestações culturais de valor patrimonial.
3. As Partes estimularão o intercâmbio e o desenvolvimento de relações de cooperação entre as instituições culturais públicas e privadas dos dois países encarregadas da museologia, das políticas nacionais de museus e da capacitação profissional no setor.
4. As Partes colaborarão no desenvolvimento de ações de intercâmbio de conhecimentos especializados e experiências em gestão do patrimônio cultural, fomentando o intercâmbio de publicações técnicas, a realização de visitas técnicas, o desenvolvimento de pesquisas conjuntas e co-edições em temas de interesse comum. Tais atividades serão definidas pelas Partes, caso a caso, conforme as disponibilidades financeiras das respectivas Administrações envolvidas.
5. As Partes fomentarão a colaboração entre as instituições competentes dos dois países nas áreas de arquitetura, design e arte contemporânea.
TÍTULO IX
Direitos Autorais e Direitos Conexos
Artigo 16
As Partes envidarão esforços para desenvolver a cooperação bilateral na área de direitos autorais e direitos conexos entre suas instituições competentes nesse setor, de forma a promover um justo equilíbrio entre a proteção dos direitos autorais e a promoção do acesso à cultura, à informação, ao conhecimento e à educação.
TÍTULO X
Implementação e Financiamento
Artigo 17
As atividades previstas no presente Programa serão implementadas caso a caso, conforme as condições acordadas entre as instituições interessadas das duas Partes ou por via diplomática.
Artigo 18
Custos e demais aspectos financeiros envolvidos nas atividades e nos projetos implementados no âmbito deste Programa Executivo serão negociados caso a caso pelas Partes, em conformidade com suas respectivas legislações e regulamentos e sujeitos à disponibilidade orçamentária.
TÍTULO XI
Disposições Finais
Artigo 19
O presente Programa não exclui a realização de outras atividades ou projetos de cooperação no campo da cultura, que deverão ser igualmente acordados por via diplomática.
Artigo 20
Controvérsias relativas à interpretação ou aplicação do presente Programa Executivo serão resolvidas por negociação direta entre as Partes, por via diplomática.
Artigo 21
O presente Programa Executivo entrará em vigor na data de sua assinatura e permanecerá em vigor até o ano de 2013, podendo ser prorrogado por acordo mútuo entre as Partes, por via diplomática.
Assinado em São Paulo, em 29 de junho de 2010, em dois originais, nos idiomas português e italiano, sendo ambos os textos igualmente autênticos.
MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPUBLICA ITALIANA SOBRE COOPERAÇÃO NA ÁREA DO ESPORTE
Artigo 1
Este Memorando de Entendimento (doravante denominado "Memorando") provê o quadro em que propostas detalhadas para o intercâmbio de técnicas, experiências e informações no esporte e em temas relacionados ao esporte serão conjuntamente consideradas pelas Partes, com base na reciprocidade e no benefício mútuo.
Artigo 2
As Partes identificam as seguintes áreas e atividades de cooperação, com vistas a alcançar os objetivos deste Memorando de Entendimento:
a) esportes de alto rendimento e desenvolvimento técnico;
b) esportes para portadores de necessidades especiais;
c) ciência, tecnologia e infraestrutura do esporte;
d) informação e documentação esportiva;
e) medicina esportiva;
f) luta contra a dopagem;
g) mulher no esporte;
h) administração esportiva;
i) informática aplicada ao esporte;
j) esportes para a terceira idade;
k) esportes de identidade cultural;
l) inclusão social por meio do esporte; e
m) outras áreas consideradas relevantes pelas Partes.
Artigo 3
A cooperação no âmbito deste Memorando poderá incluir, mas não estará limitada a:
a) cursos, seminários, simpósios e conferências;
b) programas de apoio e fomento ao esporte;
c) bolsas de estudo;
d) consultorias de duração diversa;
e) intercâmbio de técnicos e de atletas;
f) intercâmbio de visitas técnicas e apoio à realização de campeonatos e eventos amistosos entre equipes brasileiras e italianas em diferentes modalidades; e
g) desenvolvimento de atletas olímpicos e paraolímpicos.
Artigo 4
1. As Partes manterão intercâmbio permanente de documentação e de informação relacionadas com legislação esportiva, medicina esportiva, psicologia esportiva, educação física, recreação, esporte para todos, esporte infantil e juvenil.
2. As Partes intercambiarão ainda experiências e informações sobre a construção e a manutenção de instalações esportivas e de equipamentos.
3. As Partes intercambiarão experiências e informações sobre a preparação e a organização de mega eventos, sobretudo considerando os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, que serão realizados na República Federativa do Brasil.
Artigo 5
As Partes concordam que o intercâmbio de pessoal na área dos esportes deverá ser decidido tendo por base as condições financeiras existentes, de acordo com as respectivas legislações internas. Cada evento deverá ser negociado caso a caso por ambas as Partes por via diplomática.
Artigo 6
1. As Partes subscreverão Planos de Ação periódicos para implementar os objetivos deste Memorando.
2. As áreas e as atividades de cooperação no âmbito deste Memorando serão revisadas e avaliadas anualmente. Os resultados das avaliações e das revisões serão compartilhados pelas Partes.
Artigo 7
1. Este Memorando de Entendimento poderá ser emendado por consentimento mútuo das Partes, por escrito e por via diplomática.
2. Qualquer controvérsia relativa à interpretação ou aplicação do presente Memorando será solucionada amigavelmente, por negociação direta entre as Partes, por via diplomática.
3. Este Memorando entrará em vigor na data da segunda notificação em que uma Parte comunica à outra, por via diplomática, sobre o cumprimento de seus respectivos procedimentos legais internos para a entrada em vigor, e terá vigência indeterminada.
4. Qualquer das Partes poderá, a qualquer momento, notificar a outra, por escrito e por via diplomática, de sua intenção de denunciar o presente Memorando. A denúncia surtirá efeito seis (6) meses após a data da notificação e não afetará as atividades de cooperação em andamento, salvo se acordado em contrário pelas Partes.
Assinado em São Paulo, em 29 de junho de 2010, em dois originais, nos idiomas português e italiano, sendo ambos igualmente autênticos.
MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE O MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O MINISTÉRIO DAS INFRAESTRUTURAS E DOS TRANSPORTES DA REPÚBLICA ITALIANA SOBRE COOPERAÇÃO NO SETOR DE INFRAESTRUTURA
Artigo I
Órgãos Responsáveis
As Partes designam os seguintes órgãos como responsáveis pelo cumprimento deste Memorando de Entendimento:
a) pela parte brasileira: a Assessoria Internacional do Gabinete do Ministro dos Transportes.
b) pela parte italiana: o Escritório do Gabinete do Ministério das Infraestruturas e dos Transportes.
Artigo II
Setores da Cooperação
1. As Partes decidem desenvolver programas para o estabelecimento da cooperação nos seguintes setores:
a) rodoviário:
i. normas técnicas e dispositivos legais vigentes no Brasil e na Itália, na área da construção e supervisão da rede rodoviária pedagiada;
ii. definição das modalidades para atrair investimentos privados no âmbito da parceria público-privada para a construção e modernização da rede rodoviária;
iii. segurança rodoviária;
iv. aplicação de novas tecnologias, novos materiais e know-how na construção e manutenção de rodovias, em especial obras-de-arte especiais; e
v. assistência técnica.
b) ferroviário:
i. consultoria para o desenvolvimento de projetos, planejamento e modernização de ferrovias;
ii. aplicação das tecnologias relacionadas ao transporte em alta velocidade;
iii. utilização de novas tecnologias, de novos materiais e de know-how para garantir a segurança dos sistemas de sinalização; e
iv. assistência técnica.
c) logística:
i. desenvolvimento de plataformas logísticas;
ii. consultas entre os órgãos administrativos, técnicos e as empresas do setor dos corredores multimodais;
iii. técnicas logísticas; e
iv. entendimentos entre os principais terminais portuários dos dois Países ao fim de favorecer os relativos processos de transhipment.
2. É facultado às Partes incluir novos segmentos para programas de cooperação, desde que essa inclusão seja consensual e verse sobre temas de suas respectivas competências.
Artigo III
Modalidades de Cooperação
1. Para implementar o presente Memorando de Entendimento, as Partes desenvolverão conjuntamente, e dentro dos seus limites orçamentários, programas de ação que contemplem os segmentos listados no Artigo II deste Instrumento.
2. Os programas de ação a serem desenvolvidos no âmbito da cooperação institucional prevista no presente Memorando de Entendimento poderão adotar, entre outras, as seguintes modalidades:
a) intercâmbio de experiências, informações técnicas e publicações;
b) intercâmbio de profissionais e especialistas;
c) intercâmbio de políticas públicas bem sucedidas;
d) organização de seminários e de debates sobre temas de interesse comum;
e) treinamento mediante metodologias inovadoras do tipo brain storming, com apresentação de casos de excelência;
f) projetos conjuntos de cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação; e
g) organização de visitas de representantes de uma das Partes a órgãos e instituições vinculados à outra Parte, para conhecer na prática os programas de governo.
3. As Partes deverão buscar o intercâmbio jurídico dos setores mencionados no Artigo II, com o objetivo de permitir o conhecimento das normas internas e internacionais aplicáveis a cada País, bem como sua harmonização, no que couber.
4. As Partes manterão encontros alternadamente em ambos os países pelo menos uma vez a cada ano, para formular um plano específico de trabalho e avaliar o desempenho da execução deste Memorando.
5. Outras entidades do setor poderão ser convidadas a participar dos encontros promovidos pelas Partes.
6. Os custos decorrentes dos serviços ou das atividades de cooperação serão arcados pela Parte que solicitar.
7. As Partes adotarão todas as medidas necessárias para tutelar os direitos de propriedade intelectual resultantes da execução do presente Memorando de Entendimento, bem como para preservar a confidencialidade de informações observando-se as respectivas legislações nacionais e os acordos internacionais que estiveram em vigor para as duas Partes.
8. As disposições legais que regem os processos de licitação internacional no âmbito da Administração Pública brasileira e italiana, em especial aquelas relacionadas à isonomia e transparência, devem ser observadas no cumprimento do presente Memorando de Entendimento.
Artigo IV
Entrada em Vigor, Modificação e Denúncia
1. O presente Memorando de Entendimento entrará em vigor na data de sua assinatura.
2. Este Memorando poderá ser modificado por consentimento mútuo das Partes, por via diplomática.
3. O presente Memorando poderá ser denunciado por qualquer das Partes, por via diplomática. A denúncia surtirá efeito 6 (seis) meses após a data da respectiva notificação por escrito. Salvo decisão consensual das Partes em contrário, a denúncia não afetará os projetos em andamento executados com base neste Instrumento.
Feito em São Paulo em 29 de junho de 2010, em dois exemplares originais, nos idiomas italiano e português, sendo ambos os textos igualmente autênticos.
EMENDA POR TROCA DE NOTAS AO ACORDO SOBRE COOPERAÇÃO NO DOMÍNIO DO TURISMO, ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA ITALIANA
São Paulo, 29 de junho de 2010.
A Sua Excelência o Senhor
Gherardo La Francesca,
Embaixador Plenipotenciário da República Italiana no BrasilSenhor Embaixador,
Tenho a honra de referir-me ao Acordo sobre cooperação no Domínio do Turismo, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Italiana, de 11 de dezembro de 1991.
2. Considerando a necessidade acordada entre as Partes de modificar os Artigos I, III, V, VI, VII, VIII e IX do referido Acordo, tenho a honra de propor a Vossa Excelência, em nome do Governo brasileiro, que os Artigos mencionados passem a ter a seguinte redação:
“Artigo I
1. As Partes adotarão, por intermédio de suas entidades oficiais de turismo, medidas tendentes ao incremento das correntes turísticas entre ambos os países e à coordenação de procedimentos aplicáveis ao turismo intercontinental.
2. As Partes coordenarão esforços para a promoção e o desenvolvimento sustentável da indústria de turismo, visando à preservação de seus recursos naturais e culturais, com base no benefício mútuo e em conformidade com suas respectivas leis e regulamentos nacionais.”
“Artigo III
As Partes, observando suas respectivas legislações vigentes, procurarão facilitar e simplificar, tanto quanto possível, as formalidades aplicadas ao ingresso de turistas de ambos os Estados, bem como à importação e exportação de documentos e materiais de propaganda turística.”
“Artigo V
As Partes estabelecerão canais específicos de informações sobre as possibilidades de investimento no setor turístico mediante, entre outras iniciativas, a identificação de projetos, o intercâmbio de técnicos especialistas, a organização de visitas e seminários para empresários e a formação de registros de investidores potenciais.”
“Artigo VI
As Partes estabelecem como prioridades:
a) realizar estudos conjuntos relativos à demanda turística efetiva e potencial bilateral;
b) intercambiar informações sobre dados estatísticos, planejamento turístico e legislação, inclusive aquela relativa à conservação e à proteção dos recursos naturais e culturais; e
c) coordenar e promover programas e outras atividades visando ao incremento dos fluxos turísticos nos dois sentidos.”
“Artigo VII
1. As Partes, observando suas respectivas legislações vigentes, encorajarão visitas recíprocas de representantes da mídia, agentes de viagem e operadores de turismo, com o objetivo de assegurar que informações sobre atrações turísticas de cada uma das Partes sejam divulgadas na outra, colaborando para o incremento do fluxo turístico entre os dois países.
2. Cada uma das Partes participará, sempre que possível, de exposições, congressos, feiras e outras atividades promocionais organizadas pela outra Parte.”
“Artigo VIII
As Partes estudarão a possibilidade de oferecer vagas em instituições de formação em turismo, de modo a favorecer a qualificação e capacitação de técnicos e de pessoal especializado em turismo.”
“Artigo IX
1. Os órgãos de turismo de ambas as Partes reunir-se-ão, periodicamente, para estabelecer um plano de trabalho para a implementação do presente Acordo. Um Grupo de Trabalho poderá ser estabelecido para esta finalidade.
2. As reuniões do Grupo de Trabalho poderão ser realizadas por meio de comunicações eletrônicas.”
3. Caso o Governo da República Italiana esteja de acordo com a presente proposta, esta Nota e a de resposta de Vossa Excelência, onde se expresse a concordância do Governo da República Italiana com os termos acima expostos, constituirão Emenda ao Acordo sobre cooperação no Domínio do Turismo, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Italiana, a entrar em vigor na data da última Nota em que os Governos comunicam um ao outro sobre o cumprimento dos requisitos legais internos necessários à entrada em vigor.
Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do BrasilJosé Viegas Filho
Embaixador do Brasil em Roma
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Esta entrevista vem logo depois da concedida por marina Silva e que pode ser vista aqui.
O candidato da coligação PSDB-PPS-PTB afirmou que escolher o vice de sua chapa é mais difícil do que convocar a seleção brasileira. José Serra garantiu que não vai aumentar a carga tributária.
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Fonte: Estado de S. Paulo
É preciso manter o crescimento econômico, reduzir o desemprego e ao mesmo tempo corrigir enormes desequilíbrios nas contas públicas: como fazer tudo isso ao mesmo tempo? Este foi o assunto principal da reunião de cúpula do G-20, o grupo das maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento, realizada sábado e domingo em Toronto, no Canadá. Foi a discussão mais difícil desde o primeiro encontro de governantes do grupo, em novembro de 2008, em Washington, e o resultado foi satisfatório. Nas conferências anteriores foi muito mais simples encontrar denominadores comuns, porque as prioridades eram muito claras. Era urgente combater a recessão e ao mesmo tempo iniciar a reforma do sistema financeiro, berço da maior crise mundial desde os anos 30 do século passado. Os fatores de risco hoje são outros.
O compromisso alcançado em Toronto foi menos vistoso que os acordos obtidos em outras conferências, mas pode-se considerá-lo um avanço. Diante de uma agenda muito mais complexa, foi mantido o esforço de coordenação de políticas.
O problema é exposto com clareza na declaração final do encontro. A recuperação é desigual e frágil, o desemprego permanece elevado em vários países e é essencial manter estímulos ao crescimento. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer a "importância de finanças públicas sustentáveis". Há dois perigos à frente. Políticas de ajuste fiscal sincronizadas nas principais economias poderão prejudicar a recuperação. Mas negligenciar a arrumação das contas públicas, nos países com maiores desequilíbrios, afetará a confiança dos mercados e também isso dificultará a reativação econômica.
Antes da reunião em Toronto, a expectativa era de um confronto entre Estados Unidos e Alemanha. O presidente americano, Barack Obama, tentaria persuadir a chanceler alemã, Angela Merkel, a afrouxar o plano de correção das contas públicas anunciado há poucas semanas.
As finanças do governo alemão são muito mais saudáveis que as de várias outras economias europeias, incluída a britânica. Além disso, a Alemanha é superavitária no comércio exterior. Se os seus cidadãos consumirem mais e suas importações crescerem, a recuperação dos demais países será mais fácil.
Não houve um placar oficial de vencedores e vencidos. O balanço final indica uma aproximação de posições. O compromisso de pelo menos cortar pela metade os déficits fiscais até 2013 e de estabilizar ou reduzir a relação dívida/PIB até 2016 deixa margem para um ajuste suave na Alemanha. O déficit das contas públicas alemãs equivaleu a 3,3% do PIB no ano passado e poderá chegar sem grande sacrifício à meta de 3% fixada para os sócios da União Europeia.
Nenhuma outra grande economia europeia tem situação fiscal tão confortável. A maior parte, incluídos Espanha e Reino Unido, terá de executar políticas severas para ajeitar as contas. O comunicado menciona políticas diferenciadas de acordo com as circunstâncias de cada país. O detalhe mais duvidoso é a disposição dos alemães ? dos cidadãos, e não só do governo ? de expandir o consumo e aumentar as importações.
Também este ponto ? reduzir o desequilíbrio comercial entre superavitários e deficitários ? é mencionado na declaração final do encontro. As grandes economias emergentes vêm contribuindo de forma importante para esse objetivo, de forma intencional ou não. Neste ano, as importações têm crescido mais velozmente que as exportações tanto na China ? maior potência exportadora do mundo ? quanto no Brasil e na Índia. Mas é injusto, como observou o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, atribuir essa responsabilidade só aos emergentes.
Os países deficitários, segundo o comunicado, deverão poupar mais e buscar o reequilíbrio fiscal e comercial, mas sem fechar seus mercados. Isso vale tanto para os Estados Unidos como para os europeus.
O resto dos grandes temas, como a reforma financeira internacional, aparece no comunicado sem grandes novidades. Uma das questões mais polêmicas, a tributação dos bancos, nem aparece no texto. Só há referência à cobrança de compensações pelos programas oficiais de ajuda.
Com realismo, pode-se qualificar a reunião como produtiva.
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Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Agência ANSA – Itália
Lula e Berlusconi reuniram-se para tratar de assuntos estratégicos nesta manhã, em São Paulo. O encontro foi na FIESP, onde ocorreu o seminário “Brasil – Itália: Novas Parcerias Estratégicas”, reunindo especialistas de ambos os países.
“Segundo o primeiro-ministro, o objetivo de sua viagem é dar "apoio concreto" às empresas interessadas em investir no Brasil – em 2009, o número de companhias italianas que se estabeleceram aqui passou de 120 para mais de 300. Há toda uma série de possibilidades para as empresas [italianas] em todos os setores e, principalmente, na área de infraestrutura", afirmou.
Berlusconi lembrou o interesse da Itália no projeto do trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo e empresas como a Telecom e a Fiat, que atuam no Brasil.
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Fonte: Gil Grissom – CSI
Artigo Completo em http://danielct.politicaexterna.com/?p=176
Os baixinhos… eles são sempre imprevisíveis.
Da esquerda para a direita: Nicolas Sarkozy, Presidente da França, 1,65m; Maria de Belém, deputada do PS, 1,48m;
Silvio Berlusconi, Primeiro-ministro italiano, 1,65m; Marques Mendes, ex-líder do PSD (Portugal), 1,61m;
Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, 1,57m e António Vitorino, ex-ministro da Defesa (Portugal), 1,62m
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Fonte: Agência Brasil
Negociadores do Mercosul e da União Europeia começam amanhã (29), na capital argentina, a primeira rodada de negociações desde que os dois blocos decidiram retomar as conversas sobre um acordo de livre comércio. O anúncio oficial que resultou no encontro em Buenos Aires foi feito no dia 17 de maio pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, durante a 6ª Cúpula União Europeia, Mercosul e Caribe, realizada em Madri. A Espanha ocupa, atualmente, a presidência rotativa do bloco europeu.
As primeiras conversas sobre um acordo de livre comércio entre o os dois blocos começaram em 2000, foram interrompidas em 2004 e, no ano passado, voltaram à pauta de interesse dos respectivos governos a partir de encontros entre câmaras empresariais sulamericanas e europeias. O anúncio de Zapatero na Cúpula de Madri transformou-se na sinalização política para a elaboração de um acordo de livre comércio entre as partes.
Ao anunciar a retomada das negociações, Zapatero disse que um acordo entre o Mercosul, formado pelo Brasil, Uruguai, Paraguai e pela Argentina, e a União Europeia, que reúne 27 países, incrementaria o comércio entre os dois blocos em 5 bilhões de euros, o equivalente a R$ 11 bilhões. Além disso, o acordo poderá beneficiar cerca de 700 milhões de consumidores.
Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, entre os temas que serão debatidos pelos negociadores das duas partes em Buenos Aires está o nível de abertura comercial relativo aos bens agrícolas e industriais e a definição de regras sanitárias e fitossanitárias necessárias ao intercâmbio entre os blocos. As exportações do Mercosul à União Europeia atingiram, em média, US$ 55 bilhões no período 2006/2008. Os países da chamada zona do euro são os principais investidores diretos na região do Mercosul.
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Por Archimedes Marques. Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade. Federal de Sergipe. archimedes-marques@bol.com.br
Um dos problemas mais afligente do Brasil de hoje é sem sombras de dúvidas, a questão da segurança pública que deixa a desejar aos anseios da população, pois em todos os lugares a violência e a criminalidade crescem em proporções imensuráveis e de maneira incontrolável pelo poder público.
Aos olhos do povo, parece ser a Polícia a única responsável pela segurança da sociedade, quando em verdade tem essa instituição somente a função mais árdua de todas, vez que atua na linha de frente em prevenção ao crime ou na garimpagem de criminosos e na execução das leis penais, a fim de torná-las efetivas ao exigir o cumprimento das regras sociais e solucionar os seus conflitos.
Assim, durante muito tempo a problemática da segurança pública foi vista apenas como questão de ordem absoluta da Polícia, regida e orquestrada pelos governos estadual e federal, sem participação alguma de qualquer segmento da sociedade.
Agora que a epidemia da insegurança se alastrou por todo o Brasil a própria sociedade se mostra preocupada com o problema e até já comunga com o preceito constitucional de que a segurança pública é responsabilidade de todos, e com isso já se formam movimentos diversos que objetivam maior interatividade com a Polícia para uma conseqüente união de forças de combate ao crime.
As associações de moradores e os conselhos de segurança dos Estados, bem como, as diversas organizações não governamentais já se conscientizam e devem se fortalecer cada vez no sentido de ajudar a Polícia, na sua árdua missão de combater o mal e resgatar a ordem ferida.
Entretanto, essa necessária e importante interação ainda aparece de maneira emperrada, pois existe a tradição arraigada no seio de grande parte da sociedade em generalizar, colocando-se com regra ao invés da exceção, que a Polícia é ineficiente e criminosa, que todo policial é ignorante, arbitrário, violento e irresponsável, quando em verdade, de uma maneira geral, tais entendimentos não passam de pensamentos ilógicos e insensatos, vez que é dever e obrigação de todos os nossos componentes, acima de tudo, valorar e guardar as leis do país e, em assim sendo, não é uma minoria desvirtuada que deve superar a grande maioria dos nossos valorosos policiais que trabalham com amor a causa.
Aliados a tais pensamentos insensatos que menosprezam as nossas classes, os governos ao longo dos tempos pouco investiram ou investem nas suas Polícias. A segurança pública sempre foi esquecida e sucateada através dos anos. As Polícias sempre foram relegadas ao segundo plano, principalmente no que tange a valorização profissional dos nossos membros. Com raras exceções, poucas conquistas foram alcançadas pelas classes policiais em alguns Estados da Nação.
Assim, as várias culturas negativas que cresceram no âmago do povo através das eras relacionadas a tais questões pejorativas em desfavor dos policiais, fazendo com que a sociedade tema a Policia ao invés de respeitá-la como aliada, urgem em ser desclassificadas e ao mesmo tempo revistas para o bem geral da nação brasileira.
A eficiência do trabalho policial está intimamente ligada ao bom relacionamento entre cidadãos e policiais. Um deve ver e sentir o outro no valor da amizade, como elemento de apoio, de confiança nos seus recíprocos atos. Os policiais dependem da iniciativa e da cooperação das pessoas e estas dependem da proteção dos policiais.
Havendo mudanças nessas concepções errôneas para que haja uma maior união e interatividade entre o povo e a sua Polícia. Para que haja confiança do cidadão nas ações da Polícia. Para que a sociedade tenha a Polícia como sua amiga, como sua aliada no combate ao crime e no cumprimento das leis. Para que a própria sociedade reconheça e se engaje na nossa luta pelo resgate da dignidade perdida, relacionada principalmente a salários condizentes com a importância da árdua missão policial e então estimular ainda mais o bom profissional, teremos enfim, uma segurança pública mais real, mais eficaz e satisfatória aos anseios da própria população.
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Fonte: Revista Novos Estudos do CEBRAP (possivelmente, já que ainda não foi publicado)
Nota: Grifos e comentários por Daniel Cardoso Tavares
À sombra de de Gaulle: uma diplomacia carismática e intransferível
A política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010)
Atribuído a Rubens Ricupero
maio de 2010
O modelo ao qual mais se assemelha a diplomacia de Lula é o do general de Gaulle, embora muito provavelmente a semelhança não seja consciente e sim, como se dizia nos filmes antigos, ela se deva à mera coincidência.
De fato, a política externa brasileira dos últimos oito anos possui as seguintes características que foram tradicionalmente associadas à diplomacia gaullista:
1. É fortemente pessoal e carismática, inseparável mesmo da biografia e da personalidade do chefe de Estado.
2. Mais do que ditada por ideologias, é, acima de tudo, intensamente nacionalista, buscando aproveitar oportunidades de acumular prestígio internacional mediante o reconhecimento externo da grandeza do Brasil e de sua aspiração de igualdade com as maiores potências.
3. Sua principal marca externa é a contestação ao padrão de hegemonia do sistema internacional simbolizado pelos Estados Unidos e os outros membros permanentes do Conselho de Segurança, em relação aos quais a diplomacia brasileira manifesta constante independência, não hesitando em patentear de público suas divergências.
4. Busca estimular alianças e arranjos que se oponham ao sistema de poder preponderante como se constata na aproximação com a Turquia no acordo sobre o enriquecimento do urânio iraniano, na chamada “parceria estratégica” com o Irã, expressão repetida em relação à França de Sarkozy (os armamentos), a China, a Rússia, a África do Sul, o grupo dos BRICs.
5. Exprime-se, como no exemplo gaullista, no intento de criar uma zona de influência exclusiva no perímetro mais próximo da América do Sul, com exclusão dos Estados Unidos, como tentava fazer de Gaulle na Europa Ocidental.
6. O estilo é crítico e não-consensual, lembrando os tempos de Jânio Quadros, do qual afirmava seu chanceler, Afonso Arinos, que o presidente acertava no atacado e errava no varejo. Os exemplos abundam: as declarações em Cuba sobre a greve de fome de prisioneiros de consciência; a crise financeira de responsabilidade de “louros de olhos azuis”; as acusações de fraude nas eleições iranianas comparadas à briga de torcidas no Fla-Flu e assim por diante. Internamente acentua a ruptura, não a continuidade, se vincula claramente a uma facção partidária e a uma corrente ideológica, não se preocupando em edificar um consenso nacional em torno de temas de interesse nacional perdurável.
7. Demonstra relativa indiferença pela falta de resultados econômicos e comerciais tangíveis e imediatos em negociações e acordos bilaterais ou regionais, dispondo-se a sacrificar interesses e direitos materiais a objetivos políticos no relacionamento com vizinhos e terceiros em geral (gás da Bolívia, reivindicações paraguaias, medidas protecionistas argentinas, prioridade exclusiva na negociação multilateral da Organização Mundial de Comércio).
8. Revela escassa sensibilidade aos temas clássicos do idealismo e dos valores morais nas relações internacionais: direitos humanos, defesa da democracia, interferência internacional para impedir o genocídio e crimes contra a humanidade, o esforço de evitar a não-proliferação nuclear, preocupação com os efeitos planetários e globais da mudança climática.
9. Afasta-se do ideal republicano de institucionalização e impessoalidade, aproximando-se dos modelos carismáticos de liderança personalizada típicos da América Latina, exceções raras em democracias maduras (como a exceção gaullista).
Partindo das características esquemáticas acima resumidas, tentarei captar as linhas gerais que conferem inconfundível perfil à diplomacia desenvolvida durante o arco de tempo que cobre quase a inteira primeira década do século XXI.
1) Diplomacia pessoal e carismática
O apogeu a que atingiu o prestígio do Brasil no mundo não se deve exclusivamente a um só governante ou a um único fator. Ele resulta de uma conjunção excepcional de oportunidades externas favoráveis com uma situação interna de estabilidade política e econômica sem precedentes. O esforço cumulativo de sucessivos governos desde o retorno do país à ordem constitucional democrática foi responsável por muitas das razões da percepção favorável ao Brasil e que, embora recentes, tendem a se tornar estruturais: a estabilidade macroeconômica; a expansão do mercado interno de consumo; a consolidação do regime democrático; a alternância normal no poder, sem violência, de correntes e partidos diferentes, mas quase sempre próximos do centro do espectro ideológico; a moderação e o pluralismo da vida política, religiosa, cultural; o avanço em algumas reformas sociais; o desaparecimento da ameaça de golpes militares e a subordinação das Forças Armadas ao poder civil; a baixa intensidade de violências ou tensões raciais, religiosas, culturais.
Outras são conjunturais ou pessoais. Fernando Henrique Cardoso desfrutou de considerável prestígio e admiração em razão de suas realizações como intelectual, de sua decisiva contribuição à tarefa de estabilização da economia, da relação estreita que havia estabelecido com estadistas como Clinton e Blair. No período do governo atual ocorreram fatos novos ou se acentuaram tendências anteriores que atuaram todas no sentido de reforçar a imagem positiva do país. A descoberta da gigantesca reserva petrolífera do pré-sal seguramente aumentou a importância estratégica e as perspectivas econômicas futuras do Brasil. Da mesma forma agiram a aceleração do crescimento, o relativo êxito com que se enfrentou a crise financeira, as referências elogiosas de organizações internacionais a programas sociais como o bolsa-família, a atenuação da pobreza e da desigualdade.
O presidente Lula potencializou e multiplicou essas condições propícias ao simbolizar de certo modo, pela sua história pessoal, o exemplo de ascensão do país como um todo. Sua identificação com as grandes causas sociais de luta contra a fome e a pobreza, o carisma de personalidade autoconfiante, a vocação inata à negociação foram elementos adicionais para reforçar a percepção externa da emergência do Brasil como ator global.
Contudo, por excesso de protagonismo o sucesso indiscutível da diplomacia presidencial se colou de forma tão inseparável ao carisma do presidente Lula que se tornou demasiado personalista e intransferível. Na antevéspera da sucessão, o debate sobre a orientação internacional que mais convém ao Brasil e não apenas a um projeto de poder pessoal ou de uma facção não pode evitar o exame dessas alegações. É a partir delas que se poderia separar, na linha de ação atualmente seguida, o que reflete as realidades e os interesses do país como um todo do que não passaria do efeito real, mas efêmero, da sedução exercida por uma liderança carismática desacompanhada de resultados objetivos e concretos.
2) Projeção nacional e busca de prestígio
A evolução nos anos recentes do contexto político e econômico internacional se mostrou extremamente propícia à aspiração de países como o Brasil de adotar e executar uma política externa de crescente afirmação.
Foi justamente nessa primeira década do século que se assistiu, em termos políticos globais, ao aparecimento de espaço favorável à afirmação de um novo policentrismo, isto é, à possibilidade de que atores de poder intermediário (Brasil, Índia, África do Sul, Turquia) tomem iniciativas autônomas em temas globais antes reservados às potências preponderantes (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: EUA, China, Rússia, Reino Unido, França). O policentrismo se viabilizou aos poucos, à medida que o unilateralismo da estratégia de George W. Bush na resposta aos atentados de Onze de Setembro, sobretudo a invasão do Iraque, a doutrina do “preemptive attack” e do Eixo do Mal, se revelaram incapazes de resolver com êxito o engajamento militar não apenas no Iraque, mas também no Afeganistão. O conseqüente enfraquecimento relativo do poder e do prestígio americanos sofreu o desgaste adicional da crise econômico-financeira, levando à aceitação pelo próprio governo Obama dessa alteração na realidade internacional.
O cenário econômico foi marcado no início (2003-2008) por fase sem precedentes de expansão da economia mundial (preços das commodities, liquidez financeira, juros baixos), seguida por crise financeira aguda que desorganizou e debilitou de preferência as economias ocidentais de capitalismo avançado, reforçando os efeitos da emergência econômica da China e precipitando a aceitação do G-20 como instância substituta do G-7 na coordenação da economia global.
Na América Latina, registra-se um vazio de liderança, provocado pela acentuação do desvio da atenção dos EUA para outras regiões prioritárias do ponto de vista de segurança, em particular o Oriente Médio e a Ásia e pelo apagamento temporário do México e da Argentina. Ao mesmo tempo, aumentaram em intensidade as divergências e a heterogeneidade de regimes em decorrência das experiências radicais de refundação encarnadas na Venezuela de Chávez, na Bolívia de Morales e no Equador de Correa, complicando as perspectivas de efetiva integração econômica ou de colaboração político-estratégica.
As duas primeiras tendências se reforçaram uma à outra, abrindo possibilidades inéditas para atores intermediários favorecidos por condições de estabilidade político-econômica e dotados de capacidade de formulação e iniciativa diplomáticas como o Brasil no começo de 2003. Superados os solavancos econômicos iniciais, o governo Lula foi o afortunado herdeiro de uma Nova República que havia consolidado a democracia de massas, a coesão social interna e a estabilidade dos horizontes econômicos.
Inspirada pelo desejo de aproveitar as oportunidades surgidas, sobretudo em âmbito global, a política externa do governo Lula se desdobrou desde o início ao longo de quatro eixos principais:
1) a obtenção do reconhecimento do Brasil como ator político global de primeira ordem no sistema internacional policêntrico em formação, o que normalmente se vem traduzindo pela busca de um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas pode assumir eventualmente outras modalidades de realização como a participação nos recém-criados agrupamentos do G-20, BRICs e IBAS.
2) A consolidação de condições econômicas internacionais que favoreçam o desenvolvimento a partir das vantagens comparativas brasileiras concentradas na agricultura, objetivo que se expressa primordialmente na conclusão da Rodada Doha da OMC.
3) A dimensão reforçada emprestada às relações Sul-Sul, ensejada naturalmente pela forte e visível emergência da China, Índia, África do Sul, pela retomada do crescimento africano e expressa na proliferação de foros de contactos, alguns superpostos aos gerais (IBAS, BRICs em parte), outros originais, (AFRAS, ASPA, Brasil-CARICOM etc).
4) A edificação de espaço político-estratégico e econômico-comercial de composição exclusiva sul-americana (implicitamente de preponderância brasileira no resultado, se não na intenção), a partir da expansão gradual do MERCOSUL.
Dependendo do tema o balanço dos resultados alcançados pela diplomacia mostra que os avanços variam, mas, talvez com exceção do mais fácil, o eixo Sul-Sul, em nenhum dos casos os objetivos foram realmente atingidos. Nem sempre, contudo, a frustração das metas se deve a culpas e deficiências da política exterior brasileira. De forma um tanto simplificada pode-se afirmar que nos dois primeiros eixos, o Brasil quer, mas não pode; no da América do Sul, o governo pode, mas não quer.
Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas: Na Organização das Nações Unidas e na Organização Mundial de Comércio, a capacidade brasileira de influenciar os acontecimentos não é suficiente para resolver os impasses. Por mais que o governo se esforce, não se logrou até agora produzir consenso para reformar o Conselho de Segurança, nem para concluir a Rodada Doha, quanto mais para fazê-lo de acordo com os interesses do Brasil. Quer dizer: é mais um problema de insuficiência de poder ou vontade política, não só do Brasil, mas dos demais, que de falta de política apropriada de parte da diplomacia nacional.
Isso não significa que não se haja feito nada. Ao contrário, em ambos os foros a atuação brasileira nos havia posicionado até recentemente de maneira favorável a tirar bom partido de eventual retorno de condições propícias a um avanço. É inegável que o Brasil conquistou neste momento uma situação diferenciada em relação a outros aspirantes latino-americanos como o México e a Argentina, distanciando-se como o favorito para ocupar uma cadeira que vier acaso a ser destinada à América Latina. Reflexo principalmente do próprio crescimento econômico e estabilidade brasileiras, a percepção diferenciada deve ser também creditada ao ativismo e senso de oportunidade da atual política externa.
As negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC): Se houve, portanto, diferenças inegáveis em relação ao governo anterior na ênfase dada ao Conselho de Segurança, bem como nas oportunidades antes inexistentes sobre agrupamentos que só surgiram agora como o G-20, os BRICs, e outros, existe nas negociações da OMC muito mais continuidade do que mudança na linha negociadora seguida pelos governos brasileiros ao longo de muitos anos, primeiro no GATT, mais tarde na sua sucessora, a Organização Mundial de Comércio. Mesmo as eventuais alterações se afiguram quase sempre desdobramentos naturais impostos por novas fases da Rodada Doha, originando-se nos governos passados muitas das posições e alianças utilizadas na OMC.
O recurso à abertura de contenciosos exemplares como o dos subsídios ao algodão contra os Estados Unidos (posteriormente contra os subsídios da União Européia ao açúcar) é uma boa ilustração da continuidade de política de Estado, pois havia sido iniciado pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ademais, data igualmente da administração do ministro Celso Lafer a decisão de estabelecer na estrutura do Itamaraty um setor de contencioso provido dos recursos capazes de empreender uma ação de extraordinária complexidade técnica e jurídica como foi a dessa indiscutível vitória da diplomacia comercial brasileira.
Outro exemplo da continuidade básica na política do Brasil nas negociações comerciais multilaterais é o da criação do Grupo dos Vinte da OMC, inovação tática que se deveu à iniciativa, acolhida pelo chanceler Celso Amorim, do então embaixador do Brasil na OMC, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que havia sido justamente o secretário-geral do Itamaraty na gestão anterior, do ministro Lafer.
3) Contestação da hegemonia e afirmação da independência
O Brasil há muito tempo se empenha numa linha diplomática que favorece a emergência de um sistema decisório mundial mais equilibrado e multipolar, ao mesmo tempo em que defende ciosamente a autonomia e independência de suas opções. O que tem variado no tempo é o estilo mais ou menos construtivo dessa postura. A evolução do atual governo registra uma tendência gradual a um discurso acentuadamente mais militante e crítico em temas como o do impasse das negociações da Rodada Doha, do comportamento norte-americano diante do golpe de Honduras, do acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia e, de modo incalculavelmente mais importante, na questão do programa nuclear iraniano.
A recente guinada da atitude brasileira em relação a um regime como o de Teerã, objeto de sucessivas sanções do Conselho de Segurança, conduziu o Brasil perigosamente perto de uma rota de colisão com os Estados Unidos em dois assuntos correlatos de importância crucial para o governo Obama: a legitimação de regime recém-saído de eleições contestadas e a não-proliferação nuclear, uma das prioridades principais da nova Administração. Ao aceitar a troca de visitas no mais alto nível com nação geralmente acusada de desafiar as sanções, violar a democracia e os direitos humanos, negar o Holocausto e tentar adquirir armas atômicas, contrariando o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o país tomou decisão de implicações negativas junto a uma parcela importante e influente da opinião pública americana e mundial. Não se percebe bem quais os ganhos que a diplomacia brasileira esperar colher de iniciativa que se reveste de alguns aspectos brilhantes como jogada diplomática, mas que arrisca deixar um saldo pesado de ressentimentos e desconfianças.
O acordo com o Irã, mediado junto com a Turquia, teria sido um passo relevante, talvez até decisivo, para valorizar a postura brasileira (e turca), caso tivesse sido coordenado e harmonizado com o grupo de “Cinco mais Um” (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha). Para isso, ele deveria ter sido precedido e acompanhado de consultas a esses países, dos quais teria de depender a implementação do acordo no Conselho. Ficou evidente, contudo, pela reação dos integrantes do grupo, que o resultado das tratativas em Teerã apareceu como um fato consumado a ser imposto aos demais, já que a solução negociada deixou de cobrir pontos vitais para dissipar a desconfiança. Ademais, a própria atmosfera de triunfo desportivo que cercou a assinatura na capital do Irã, com os patrocinadores erguendo os braços em sinal de vitória, realçou no gesto os aspectos de desafio, não de conciliação, não contribuindo naturalmente para fazer apreciar o acordo pelos destinatários da manobra.
O episódio revela, ao mesmo tempo, o potencial e os limites hoje existentes para a afirmação de atores intermediários e a lição a extrair do ocorrido é que o potencial terá possibilidades maiores de se traduzir em frutos concretos na medida em que as iniciativas assumirem natureza mais construtiva. O mérito do esforço brasileiro permanece, mas amputado do êxito completo que se poderia haver esperado, deixando até rescaldos de má vontade e suspeitas que poderão complicar o atendimento das aspirações nacionais ao Conselho de Segurança.
Os resultados indecisos da empresa aconselhariam no futuro escolher com critério cuidadoso as oportunidades de atuar. Convém sempre avaliar o balanço de custos e benefícios potenciais, esforçando-se a agir de maneira cooperativa com outros atores, de modo discreto, sem excessos ou jactâncias geradoras de resistências e reações hostis.
Essa, aliás, deve ser a linha de orientação a ser seguida nos trabalhos do Conselho de Segurança, no seio do qual o Brasil deve se firmar pelos méritos de uma diplomacia que represente uma força de moderação e equilíbrio, de conciliação e aproximação de adversários. Sem ansiedades ou ativismos desnecessários, essa é a melhor postura para assegurar que o nome do Brasil se imponha consensualmente como aspirante irrecusável no processo de tornar o Conselho mais representativo das novas realidades internacionais.
4) Encorajamento a alianças e grupos alternativos
Os novos grupos de coordenação diplomática: Os esforços de articular agrupamentos diplomáticos inéditos com a Rússia, a Índia e a China (BRICs) ou com a Índia e a África do Sul (IBAS) oferecem a vantagem do fato consumado: pelo próprio peso específico, sem qualquer necessidade de delegação dos outros, o Brasil tornou-se efetivamente o representante da América Latina nesses grupos. Não por acaso, eles reúnem os membros permanentes do Conselho de Segurança (China e Rússia) e os aspirantes a essa posição que têm em comum a circunstância de não serem aliados dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Seria uma espécie de clube dos “candidatos naturais” ao reconhecimento de um status internacional mais elevado em cada um dos três continentes: Índia (Ásia), África do Sul (África) e Brasil (América Latina). Os foros Sul-Sul servem para realçar que o Brasil é o ator mais “global” entre os latino-americanos, muitos dos quais confinados a uma diplomacia meramente regional.
O desafio que o Brasil terá no futuro de superar consistirá em contribuir para formular uma plataforma de ação conjunta que unifique o comportamento de países de interesses tão heterogêneos, condição para que aportem algum valor adicional ao que já vem sendo feito pelo G-20. Todos esses grupos de geometria variável são expressão do mesmo fenômeno: a procura por instituições e mecanismos de coordenação e de governança global, diante do bloqueio da possibilidade de reforma dentro do processo legitimador por excelência da Carta da ONU, como seria ideal e desejável. Até o presente, no entanto, esses agrupamentos não se mostraram capazes de ir além de documentos declaratórios genéricos, sem impacto perceptível naquilo que seria sua finalidade natural: conseguir que os quatro BRICs atuem em uníssono, com uma plataforma de ação comum, no aprimoramento da governança global.
O Grupo dos 20: Essa tarefa tem ficado virtualmente por conta do G-20, cuja emergência como instância política suprema de coordenação macroeconômica foi, sem dúvida, uma das mais impressionantes transformações da ordem internacional dos últimos anos. A incorporação súbita de novos atores a um processo decisório até então protegido com exclusividade pelas grandes economias avançadas representou, ao mesmo tempo, a imposição de uma exigência nascida da crise financeira mundial e o reconhecimento de modificação na correlação das forças econômicas que já estava em curso. Para o Brasil o salto foi ainda mais significativo por nos habilitar a aceder ao âmbito das grandes decisões financeiras e monetárias a que antes só comparecíamos como réus de moratórias e atrasos de pagamento.
Em estreita articulação com os demais BRICs, o Brasil se empenhou no seio do grupo em contribuir para proporcionar aos países emergentes maiores poderes e responsabilidades em todas as instâncias deliberativas na área monetária e financeira. Esse esforço visou não só as instituições de Bretton Woods, mas também a incorporação dos emergentes no Foro de Estabilidade Financeira (FSF), transformado em Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) de Basiléia, assim como em outros foros que congregam supervisores e reguladores do sistema financeiro.
Uma iniciativa de implicações relevantes foi a decisão dos BRICs de conquistarem virtual poder de veto (blocking minority) ao fazerem um aporte de US$ 92 bilhões (US$ 50 bi da China e US$ 14 bi de cada um dos três, Brasil, Índia e Rússia), mais de 15% do total, à nova estrutura criada para socorrer as economias em crise, o chamado New Arrangements to Borrow (NAB). O poder desse modo adquirido ganha relevo particular quando se considera que o volume da facilidade criada (US$ 590 bi) é mais do que o dobro do que os US$ 250 bi das quotas regulares/capital do Fundo Monetário Internacional.
A questão que ora se coloca é de assegurar a contínua relevância do G-20 como foro central das decisões no momento, oxalá próximo, em que as crises atuais, concentradas na Europa, tiverem afinal sido superadas. Isso significa que o Brasil se deve preparar a contribuir com competência intelectual e técnica à tarefa de edificar uma economia nova, menos sujeita a crises catastróficas periódicas e evitáveis. Não bastará ao país se limitar a uma atitude de vigilância e resistência à tendência das maiores economias avançadas no sentido de reverterem os avanços de democratização do processo decisório uma vez se retorne à normalidade. Será indispensável que, além da atitude vigilante, o governo ganhe efetiva capacidade propositiva no debate sobre macroeconomia mundial e instituições de regulamentação e supervisão.
5) A América do Sul como zona de influência
Na América do Sul, o Brasil não pode tudo, mas pode algo. Em tese, a diplomacia brasileira teria tido condições de agir mais ou de agir de modo diferente. Por exemplo, entre o Uruguai e a Argentina, para ajudar, como facilitador, dois vizinhos prioritários e membros do mesmo acordo de integração a superarem o conflito em torno da instalação de empresas de papel em solo uruguaio. O Uruguai e a região do Rio da Prata são, incontestavelmente, as áreas do mundo onde o Brasil possui mais longa tradição de envolvimento, melhor conhecimento direto das situações e mais numerosas e legítimas razões para desejar um desenvolvimento pacífico.
Justifica-se, antes e depois do pior momento da crise argentino-uruguaia, que o governo brasileiro se empenhe em papel construtivo de aproximação entre os mais íntimos de nossos dois vizinhos. Sem necessidade de estimular a proliferação de organizações e burocracias redundantes, bastaria reativar o Tratado da Bacia do Prata, injustamente esquecido e que possui competência temática em problemas de vizinhança como os que ainda opõem o Uruguai à Argentina.
A mesma abordagem se aplica à necessidade de corrigir a parcialidade ocasional e a quase permanente omissão do atual governo em relação a outros conflitos sul-americanos, voltando a observar rigorosa eqüidistância e não-ingerência em eleições ou processos políticos internos de vizinhos, o que tem sido cada vez menos freqüente nestes tempos de diplomacia de afinidades partidárias e ideológicas. O corolário da confiança que decorreria de tal postura seria a credibilidade para um esforço brasileiro de pacificação entre a Venezuela e a Colômbia ou de reconciliação desta última com o Equador, todos vizinhos próximos, com os quais mantemos relações de colaboração e cordialidade.
Um instrumento idôneo para impulsionar a colaboração de interesse recíproco de potencial desaproveitado seria o Tratado de Cooperação Amazônica, que reúne todos os países da metade setentrional da América do Sul, inclusive as duas Guianas independentes. Representa a única estrutura que possibilita uma coordenação dos esforços para melhor proteger os complexos e ameaçados biomas dessa gigantesca região e para uma abordagem integrada dos rios amazônicos, a maioria dos quais possuem suas nascentes nos países vizinhos.
Diplomacia gestual: A contradição entre a busca incessante de resultados de prestígio nos agrupamentos aparecidos em época recente como o G-20 e os BRICs contrasta com o desempenho sensivelmente mais mitigado no eixo de direta influência brasileira, o imediato entorno da América Latina e do Sul. Não que tenham faltado aqui exemplos do talento aparentemente inesgotável de criar foros novos (o Conselho de Defesa) ou de rebatizar com nome novo grupos pré-existentes (como a Comunidade de Nações Sul-Americanas ou CASA, transfigurada em União de Nações Sul-Americanas ou UNASUL). Não se deixou até de estabelecer uma “OEA sem Estados Unidos ou Canadá”, curiosamente iniciativa do México, o primeiro país latino a se associar no NAFTA aos dois gigantes desenvolvidos do hemisfério norte num acordo de livre comércio e talvez por isso preocupado em atenuar seu isolamento em relação aos ibero-americanos.
Esse tipo de diplomacia (não só do Brasil) merece talvez o qualificativo de “gestual” no sentido de que a ausência de condições objetivas ou de resultados palpáveis é menos importante do que o gesto em si mesmo. Às vezes se assemelha a uma fuite en avant: o aumento da dose de remédio que não está dando certo, um pouco como a anotação feita por célebre orador peruano à margem de parágrafo de um discurso – argumento débil, reformar el énfasis.
Nesse domínio, tanto o governo atual como o futuro deveria preocupar-se menos em multiplicar estruturas novas sim em tornar efetivas e operacionais as estruturas ou processos já existentes, sobretudo quando se justificam por razões concretas e válidas. É o caso da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IRSA) do governo passado, que tem avançado sem alardes publicitários e conserva toda sua atualidade uma vez que o problema da falta de uma integração das redes de transporte na América do Sul continua a ser um dos maiores obstáculos à efetiva integração das economias. A mesma afirmação se aplica aos tratados já citados acima, o da Bacia do Prata e o de Cooperação Amazônica.
Venezuela e MERCOSUL: O ingresso da Venezuela no MERCOSUL é um dos exemplos de decisões de graves implicações na América Latina sobre os quais até hoje a opinião pública tem dificuldade em compreender a motivação brasileira e o próprio desenrolar do processo decisório. A impressão que se colheu no momento do convite formulado por Nestor Kirchner, quando a Argentina exercia a presidência do bloco, foi de que ele não havia sido precedido de consultas entre todos os membros, nem de avaliação cuidadosa das implicações. Uma análise criteriosa teria provavelmente demonstrado a falta de sentido em promover a entrada de país que só poderia aumentar os problemas agudos de que sofre o grupo, entre eles, a ausência de compatibilidade entre orientações macroeconômicas, adicionando um complicador ideológico, o socialismo do século XXI, à economia de mercado dos demais. Se já existe impaciência crescente com a pesada máquina decisória da união aduaneira e as dificuldades, supostas ou reais, que ela cria para a negociação de acordos comerciais com terceiros, a adição de governo atritado com inúmeros outros como o venezuelano apenas dificultaria ainda mais os impasses.
Detentor do maior peso específico no grupo teria sido normal que o Brasil ponderasse que as adesões a acordos comerciais de extrema ambição como as uniões aduaneiras demandam longo processo prévio de negociação técnico-comercial, como ocorre na Organização Mundial de Comércio. Não seria necessário antagonizar o regime de Chávez, nem invocar argumentos de ordem ideológica, mas simplesmente lembrar e fazer respeitar um princípio elementar de negociação comercial. O governo poderia ter feito algo nessa linha, mas preferiu não fazer. A questão não seria tanto de falta de poder, mas da falta de vontade para exercer tal poder da forma mais adequada para defender os direitos e promover os interesses do Brasil, utilizando o diferencial em nosso favor.
Questões polêmicas: Sendo essa a região do mundo onde a influência brasileira, no passado e no presente, sempre se fez sentir de modo mais forte e imediato, o natural é que nela se tivessem concentrado as maiores realizações da diplomacia. É igualmente nessa área que a diplomacia brasileira terá de demonstrar sua superior capacidade para superar obstáculos, persuadir recalcitrâncias, edificar obra concreta. Paradoxalmente, entretanto, até agora, a maioria das divergências sobre falhas e equívocos da política exterior se refere a assuntos sul ou latino-americanos.
As prioridades do Brasil deveriam coincidir naturalmente com esses problemas e a efetividade da diplomacia tem de ser avaliada pela capacidade que revele de encaminhar solução para as seguintes questões: a) o persistente fracasso em resolver os contínuos atritos e contenciosos com a Argentina em matéria comercial; b) a passividade e falta de iniciativa corretiva frente ao descrédito do MERCOSUL; c) a incompreensível renúncia a acionar os meios pacíficos do direito internacional em defesa de direitos brasileiros atropelados em incidentes como o da violação boliviana de tratados e contratos sobre o gás; d) a imprudente ingerência nas eleições bolivianas e paraguaias por motivo de simpatias ideológicas; e) a parcialidade na campanha contra o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, em contraste com a omissão diante de iniciativas de compra de armamentos de Chávez ou de suas freqüentes provocações aos colombianos; f) a falta de senso de medida e equilíbrio em relação ao golpe hondurenho, ao mesmo tempo em que se mantinha incoerente complacência frente a regime controvertido como o cubano, sem falar no iraniano.
Muitas dessas dificuldades nos foram impostas nesses últimos anos por uma adversa evolução que se processou em direção oposta à convergência de valores e modelos de organização político-econômicos registrada na Europa e no mundo após o fim do comunismo. Na América do Sul, ao contrário, a integração e até o bom convívio normal têm sido dificultados por processos radicalizados de refundação e lideranças polarizadoras de tensões e conflitos, internos e externos. Uma leitura realista da situação exigiria reconhecer os limites do que é possível fazer com esses governos. Abriria espaço, por outro lado, a uma diplomacia alternativa mais sintonizada com os países que adotam posturas econômicas e políticas centristas mais próximas às nossas. Não por acaso, esses países são aqueles que, pelo tamanho ou desempenho econômico, ofereceriam oportunidades mais promissoras: México, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai.
Unasul e Conselho de Defesa: Não obstante a evidente ausência dos requisitos objetivos mínimos, a diplomacia atual insistiu em edificar um espaço político-econômico que utilizasse não o conceito de América Latina, mas apenas o da América do Sul. Em projetos de caráter territorial justifica-se optar por esse gênero de integração exclusiva, como sucede com a referida Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana ou IIRSA. É muito mais difícil estender o critério a áreas mais amplas e complexas como as do comércio e da defesa, que dependem não da contigüidade territorial, mas da compatibilidade de visões políticas e econômicas. Em contexto regional de aumento da divergência de modelos, de desconfianças e animosidades, projetos como o da Unasul ou do Conselho de Defesa correm risco considerável de passarem à história como meras expressões de uma diplomacia gestual cujo potencial se esgota em reuniões que constituem um fim em si mesmo, sem maiores conseqüências.
O mínimo que se deveria exigir de tais grupos é que lograssem o que a Argentina, o Brasil e o Chile tinham consolidado no Acordo do A.B.C., há mais de um século, a saber, a reafirmação da mais estrita observância do princípio de não-ingerência nos assuntos internos dos vizinhos e o compromisso de não permitir a presença ou ações de movimentos armados nas zonas fronteiriças.
Objetivo como esse teria de constituir a pré-condição básica de qualquer união de países, parecendo, entretanto, fora do alcance de uma organização que se intitula com alguma pretensão de “União de Nações Sul-Americanas”. Para que serve o Conselho de Defesa se não somos sequer capazes de adotar uma posição comum a respeito das guerrilhas das FARCs? Sem esse mínimo dos mínimos, não se concebe que a Colômbia, país que luta há meio século contra guerrilhas e narcotraficantes, aceitasse abrir mão da assistência militar dos Estados Unidos. Por desejável que seja evitar a presença militar americana no continente não se vê bem que alternativa existiria para que Bogotá obtivesse os recursos e o know-how de que necessita. O Brasil, impotente diante do controle exercido pelo narcotráfico em morros do Rio de Janeiro e longe de poder oferecer assistência militar e policial a quem quer que seja, dispõe de escassa autoridade para censurar os colombianos por buscarem quem os ajude.
A questão das preferências comerciais: É presumir demais da própria importância querer exigir de um vizinho ameaçado por problemas de guerrilha e de narcotráfico que escolha entre nós e os Estados Unidos em matéria de defesa contra tais flagelos. Situação idêntica prevalece no âmbito econômico e comercial no caso daqueles países latinos e sul-americanos – e não são poucos – para os quais o mercado norte-americano representa 50% ou mais do destino de suas exportações. O Brasil não tem evidentemente condições de rivalizar com os EUA como mercado importador ou fonte de investimento, uma vez que há décadas acumulamos com quase todos os sul-americanos saldos comerciais crescentes. Nem mesmo dentro do MERCOSUL o país conseguiu desempenhar o papel de mercado impulsionador do crescimento do Uruguai e do Paraguai.
Não surpreende, assim, que até no âmbito restrito da América do Sul, três países médios e talvez não por acaso os de melhores fundamentos e desempenho econômico, o Chile, o Peru e a Colômbia, tenham optado pelos acordos de livre comércio com os EUA. Inviabilizou-se assim a possibilidade de uma zona comercial puramente sul-americana, gerando ao mesmo tempo para as exportações brasileiras o perigo de tratamento discriminatório frente às de procedência americana.
As negociações da ALCA não conseguiram infelizmente produzir um terreno de equilíbrio e entendimento entre as expectativas demasiado ambiciosas de Washington e concessões norte-americanas, especialmente em agricultura, que atendessem aos interesses do Brasil e do MERCOSUL, proporcionando-nos no mercado americano tratamento preferencial equivalente ao dos outros. Na ausência do acordo de livre comércio, a prioridade de qualquer governo brasileiro futuro deve ser a de negociar algum arranjo alternativo que preencha o vácuo desvantajoso da falta de preferências em que se encontram presentemente os produtos brasileiros. Essa prioridade comercial vale tanto para o mercado dos EUA, no qual estamos sendo discriminados pelas preferências outorgadas aos produtos oriundos de acordos da ALCA quanto para os mercados dos latinos (como o Chile ou o México), onde enfrentamos a concorrência favorecida das exportações norte-americanas.
Relações com os EUA: Esse vazio ilustra a persistente incapacidade de alcançar com os Estados Unidos uma relação madura e construtiva da qual um elemento indispensável teria de ser uma base de crescentes vantagens mútuas no comércio e na complementação de cadeias produtivas e exportadoras. Tentou-se durante a administração de George W. Bush revitalizar essas relações, superando o impasse da ALCA com uma colaboração em torno do etanol. Além de obviamente estreito demais para fundamentar uma relação mais vasta, o esforço não foi capaz de sobrepujar o protecionismo em relação ao etanol de milho americano.
É paradoxal que no governo Obama o relacionamento com Washington principie a denunciar sinais de um alargamento das divergências em torno de uma agenda negativa em expansão: o manejo do golpe de Honduras e agora da situação pós-eleitoral naquele país; o acordo de cooperação militar da Colômbia com os EUA; as responsabilidades americanas pelo impasse da Rodada Doha e ultimamente o complexo de questões relativas ao Irã, a seu programa nuclear e à maneira de tratar com o regime iraniano.
A tensão oriunda da multiplicação de tais desencontros começa a encontrar expressão na imprensa e no Congresso dos EUA e só tem sido disfarçada na área oficial pelo reconhecimento do papel moderador do Brasil num contexto sul-americano conturbado por personalidades mais abrasivas e provocadoras que as dos nossos líderes.
6) Estilo e fim do consenso em diplomacia
A crise do consenso em política exterior: Não faltam, por conseguinte, questões que vêm erodindo o relativo consenso multipartidário que prevalecia na véspera de fundação da Nova República, a julgar pelo discurso de fins de 1984, no qual Tancredo Neves declarava: “(…) se há um ponto na política brasileira que encontrou consenso em todas as correntes de pensamento, esse ponto é a política externa levada a efeito pelo Itamaraty.” Transcorridos 25 anos dessas palavras, a simples leitura dos jornais ou o acompanhamento dos debates no Congresso são suficientes para indicar que esse consenso deixou de existir.
A crise do consenso brasileiro é produto não só das questões substantivas da política externa propriamente dita, mas também da “política interna” da diplomacia, isto é, a maneira como ela é formulada e apresentada à opinião pública, a seus formadores, aos políticos e o modo como é percebida por esses últimos. Dessa perspectiva, a responsabilidade maior cabe a comportamentos concentrados nos seguintes fatores que afetam a possibilidade de edificar consensos em política exterior: a ênfase na ruptura, em lugar da continuidade; o excesso de protagonismo e glorificação da liderança pessoal de Lula; a politização partidária e ideologização da política externa.
Ênfase na ruptura: Os dirigentes atuais, destacando-se nisso o presidente, não souberam em geral resistir à tentação de se atribuir o crédito total pelos eventuais êxitos que tiveram. Buscaram fazer crer que era novo e sem precedentes tudo o que empreendiam. De maneira geral, Lula e seus colaboradores no Itamaraty tiveram a possibilidade de admitir e valorizar, nos assuntos que apresentavam autêntica continuidade com o passado, a parcela maior ou menor, que teriam acaso herdado de governos anteriores, mas preferiram apropriar-se todo o mérito em nome do governo atual e de seu partido.
Naturalmente é opção sem surpresa, mas seguramente não será a melhor em termos de construção de consensos. Há, com efeito, nessa matéria uma espécie de “trade off”: não é possível monopolizar o crédito para o governo e seu partido e esperar, ao mesmo tempo, que os injustamente excluídos do reconhecimento se sintam partes integrantes dessa política.
Excesso de protagonismo: São traços indiscutíveis desta fase política brasileira o abuso do protagonismo e o excesso de glorificação personalista, criando a impressão de que se depende cada vez mais das qualidades de desempenho do líder supremo. Aliás, a política externa não constitui exceção no panorama geral de um governo, cujos ministros são quase anônimos.
Em democracias maduras sempre se procurou imprimir à diplomacia um caráter aberto à participação efetiva mesmo da oposição. Nos Estados Unidos, por exemplo, o modelo ideal de que se tem nostalgia até nossos dias é o do “consenso bipartidário” com os republicanos no início da Guerra Fria. Na França de Sarkozy, qualquer que tenha sido sua motivação, o presidente foi buscar no partido socialista seu ministro de assuntos estrangeiros e numerosas personalidades convidadas a cumprirem missões internacionais de relevo. No Brasil de hoje seria difícil encontrar algum exemplo dessa tendência salutar.
Interferências partidárias e ideológicas: O discurso de Tancredo deixava claro não ser uma política externa qualquer a que mereceria consenso, mas apenas a “levada a efeito pelo Itamaraty.” Não se tratava da política dos militares no poder, de um determinado governo ou facção, mas de uma política de Estado, acima das disputas internas e a serviço da nação. Convém recordar que a etimologia da palavra “partido” significa fragmentado, rompido, quebrado, parte do todo que é a nação. Quem faz diplomacia de partido mostra indiferença pelo esforço de converter tais ações em causas autenticamente nacionais.
É incompatível com esse objetivo a existência de uma “diplomacia paralela” do Partido dos Trabalhadores junto a governos ou movimentos ideologicamente afins, exercida por meio de contatos fora dos canais diplomáticos e emissários como o assessor de política externa da Presidência da República. Tal divisão de “esferas de influência” converteu-se em causa de complicações, de que foram exemplos as incursões na política interna da Venezuela, em momentos de tensões naquele país; a falta de isenção ideológica com que se tem acompanhado a campanha eleitoral em países vizinhos; a parcialidade citada antes em relação ao acordo militar da Colômbia com os EUA; o contraste entre as reações ao golpe hondurenho e a complacência diante de Cuba ou do Irã e numerosos outros episódios.
Não há evidências de que essas afinidades ou simpatias tenham demonstrado eficácia ou utilidade perceptível para encaminhar soluções satisfatórias quando surgem questões espinhosas como as que opuseram o Brasil à Bolívia ou ao Equador. A diplomacia paralela do PT parece, assim, servir mais para contaminar desnecessariamente a política exterior com suspeitas ideológicas de que para qualquer propósito prático.
Mais do que um valor perfeito e absoluto, inatingível na prática, o consenso sobre diplomacia é objetivo desejável sempre que possível de edificar mediante compromissos razoáveis com a oposição, sem sacrifício de valores mais altos. Um grau maior ou menor de honesta divergência pode ser até saudável desde que não derive de uma subordinação instrumental da política externa a ganhos partidários ou ideológicos internos. Nesse caso, renuncia-se à possibilidade de assegurar a continuidade de políticas de Estado que devem, em princípio, fazer apelo não a facções, mas ao conjunto dos cidadãos.
Nesse particular, seria difícil encontrar melhor explicação das vantagens potenciais da busca do consenso do que as palavras com que o barão do Rio Branco explicava porque se afastara em definitivo da política interna e não tinha querido aproveitar sua imensa popularidade para lançar-se candidato a presidente: “(…) seria discutido, atacado, diminuído, desautorizado (…) e não teria como Presidente a força que hoje tenho (…) para dirigir as relações exteriores. Ocupando-me de assuntos ou causas incontestavelmente nacionais, sentir-me-ia mais forte e poderia habilitar-me a merecer o concurso da animação de todos os meus concidadãos” (grifado por mim).
7) Insuficiências de resultados comerciais
No momento em que escrevo, o comércio exterior brasileiro vive uma aguda crise de competitividade, manifestada no acelerado declínio do saldo na balança comercial e no alarmante agravamento do déficit em conta corrente. A gravidade da situação é acentuada pela tendência aparentemente irreversível para a erosão das vantagens competitivas dos produtos manufaturados e a crescente concentração das exportações em número sempre menor de commodities e artigos de baixo nível de elaboração derivados de recursos naturais.
Não é este o lugar apropriado para discutir os desequilíbrios macroeconômicos que se encontram na raiz do problema, a conjuntura de crescimento puxado quase exclusivamente pelo consumo do governo e dos particulares, a baixa poupança, o investimento insuficiente e a inelutável contrapartida de todo esse quadro, que consiste no aumento da dependência em relação à poupança externa e aos influxos financeiros de fora. O que não se pode esconder é que a taxa de câmbio representa papel fundamental na deterioração das contas externas, não sendo possível cogitar de solução duradoura para os problemas do comércio exterior em abstração da questão cambial.
É verdade que, além do câmbio, outras deficiências estruturais afetam duramente a capacidade brasileira de concorrer nos mercados mundiais com os asiáticos e outras estrelas do comércio contemporâneo. O altíssimo custo do capital, a sufocante carga de tributos, a burocratização e baixa qualidade da regulamentação governamental, a péssima infraestrutura de transportes e portos, enfim, o conjunto dos fatores que formam o “custo Brasil”, responsável pelo alto custo de transação em nosso país. Todos esses elementos se situam em área de competência muito além do alcance da política exterior, mas é inegável que sem a solução parcial ou completa dessas permanentes causas da baixa capacidade brasileira de competir não é muito o que a diplomacia comercial poderá fazer deixada a si mesma.
Existem entre nós ilusões desmesuradas sobre a capacidade que têm as negociações comerciais ou os acordos bilaterais e/ou regionais de alterar essa ingrata realidade competitiva. Não se percebe o bastante que negociações e acordos, mesmo quando bem sucedidos e executados, podem no máximo gerar oportunidades de exportação. Aproveitar essas oportunidades vai depender, como sempre, da capacidade de oferta de produtos de qualidade e preço competitivos nos mercados, o que passa por câmbio favorável acima de tudo e os demais fatores citados.
Por essa razão, no futuro o governo terá de primeiramente equacionar e encaminhar os problemas que ora afetam negativamente a taxa cambial e os outros componentes da competitividade, o que exigirá o envolvimento pessoal e constante do Presidente da República a fim de que se possa de fato dispor de um mecanismo eficiente de coordenação de todos os órgãos relevantes dos quais depende uma boa condução do comércio exterior.
Diante do persistente impasse nas negociações da Rodada Doha, não se poderá deixar de conduzir um exame criterioso da conveniência de remanejar as prioridades da diplomacia comercial do Brasil. Não se trata de recomendar que se desconheça o valor insubstituível da Organização Mundial de Comércio como o foro por excelência para avanços em temas sistêmicos como o dos subsídios agrícolas ou para a solução quase-judicial de contenciosos, mas de indagar até que ponto se justifica uma concentração excessiva nas expectativas criadas pela Rodada Doha.
A verdade é que a indústria brasileira, que sofre de problemas crônicos de competitividade, revela escasso entusiasmo pelos ganhos potenciais da Rodada, temendo que os benefícios da eventual redução nos picos tarifários em produtos sensíveis (têxteis, calçados, artigos de couro) sejam praticamente monopolizados pelos chineses e outros asiáticos
A compensação que esperamos receber em agricultura precisa também ser submetida a um crivo analítico rigoroso. Os subsídios agrícolas, é claro, somente serão reduzidos de modo apreciável nas negociações multilaterais, sendo essa a razão principal que aconselha nosso contínuo engajamento. Para entidades representativas como a Confederação Nacional da Agricultura o problema maior não viria tanto dos subsídios, mas sim das barreiras de acesso aos mercados externos. O Banco Mundial chegou à mesma conclusão: os ganhos de acesso seriam mais substanciais que a diminuição dos subsídios, indicando a experiência que, em matéria de conquista de acesso, os acordos bilaterais são geralmente mais eficazes que negociações longas e complicadas como as da OMC.
Portanto, paralelamente à continuação do empenho brasileiro na Rodada Doha, conviria devotar tempo e esforços comparáveis a iniciativas menos ambiciosas, nas quais é possível alcançar resultados mais imediatos e tangíveis. Se nos últimos oito anos, em lugar de apostar tudo em Doha, tivéssemos dedicado mais energia e atenção a remover ou reduzir barreiras fitossanitárias às nossas carnes, frutas e vegetais frescos em mercados específicos, talvez tivéssemos agora resultados mais alentadores.
Não será fácil obter acordos desse gênero com grandes países, mas recomenda-se, com espírito aberto, explorar todos os caminhos comerciais possíveis, procurando não concentrar nossa diplomacia comercial exclusivamente no âmbito da OMC. Caso passemos a ter condições para uma política comercial menos defensiva e capaz de oferecer compensações, seria factível encetar negociações de acordos com atores médios como preparação para vôos mais ambiciosos em relação aos grandes mercados.
No que tange ao futuro do MERCOSUL, o governo não terá como evitar um reexame da conveniência de manter ou não a União Aduaneira e/ou a Tarifa Externa Comum (TEC). Talvez seja viável trabalhar com fórmula de meio-termo: uma União Tarifária, formal ou informal (alinhamento voluntário como na ASEAN), com flexibilidade para negociações externas em separado, sem a sobrecarga burocrática das exigências para uma efetiva União Aduaneira. Tal situação não seria radicalmente diferente da realidade atual, faltando apenas a flexibilidade para negociações externas dentro de critérios a definir.
8 ) Escassa sensibilidade aos valores
Um dos aspectos em que a linha internacional de Lula mais se confunde com a política externa gaullista é na invariável subordinação da promoção dos direitos humanos e objetivos universais como a luta contra o aquecimento global, as armas de destruição maciça e o genocídio a uma estreita e egoísta consideração de interesses de curto prazo. A opinião pública brasileira está ciente dos exemplos mais comentados dessa insensibilidade, tais como expressos pelo próprio presidente durante a visita à Havana – a apologia da repressão do governo cubano contra dissidentes, a assimilação de greves de fome de desesperados prisioneiros de consciência a ações de criminosos comuns – ou a descrição de “estratégica” da relação com o regime iraniano que, dias antes da visita do presidente brasileiro, havia enforcado vários dos participantes das manifestações contra as fraudes eleitorais.
Tem sido muito menos divulgado, fora de círculos especializados, o comportamento no Conselho dos Direitos Humanos da ONU em Genebra da delegação do Brasil, que se vem notabilizando pela cumplicidade com a sinistra aliança responsável pelo bloqueio de todas as tentativas de investigação ou pressão para alívio das vítimas de violações maciças dos direitos mais elementares. É sugestivo que em direitos humanos o Brasil se afasta de sua proclamada identificação com os valores latino-americanos. Em posição contrastante com a da Argentina, do Chile, do México, que honram as melhores tradições da América Latina, o governo brasileiro se tem alinhado nessa matéria aos mais notórios violadores como Cuba e Paquistão.
Fazendo causa comum com regimes empenhados em debilitar o cumprimento dos compromissos de direitos humanos, o governo brasileiro se tem desonrado a si mesmo e ao país ao colaborar, por omissão absenteísta ou ação bloqueadora, na vergonhosa tarefa de obstruir o correto funcionamento do Conselho. Ademais, é uma triste ironia que o governo responsável por esse comportamento atraiçoe a memória dos que se sacrificaram na resistência ao regime ditatorial em nosso país ao concorrer ativamente para proteger e favorecer os autores dos piores atentados aos valores humanos nos dias atuais, na Coréia do Norte, em Sri Lanka, no Congo, no Irã, no Sudão do genocídio de Darfur.
Ao preferir ganhos diplomáticos imediatistas aos valores universais, o governo brasileiro se torna culpado de dupla contradição. De um lado, suscita dúvidas sobre a sinceridade das causas que afirma sustentar internamente como, por exemplo, ao decretar o controvertido plano nacional de direitos humanos. Do outro, enfraquece e desmoraliza o próprio fundamento de seu recém-adquirido prestígio internacional, que deriva da conjunção de duas imagens, a do Brasil e a de Lula, ambas associadas a valores humanos como a paz, o combate à fome, à injustiça e à miséria.
Há por detrás disso uma contradição mais profunda, que nasce da falta de clareza em relação aos objetivos e valores finais que inspiram o esforço do governo em conquistar reconhecimento e respeito internacionais. Já se disse acima que a diplomacia atual se caracteriza pela incessante busca de oportunidades de acumular prestígio. O prestígio é um dos elementos componentes do poder, do que hoje se denomina “soft” ou “smart power”, o poder suave, brando, o poder inteligente, a capacidade de persuadir pelo exemplo e os argumentos, em contraposição ao poder contundente dos armamentos ou da coerção econômica.
A singularidade do Brasil entre os países de grande território e população é justamente o de ser o único que só dispõe a rigor da primeira modalidade de poder. Dos quatro BRICs, por exemplo, apenas o Brasil não é potência atômica nem militar convencional. Isso se deve, no fundo, a um conjunto de razões geográficas e históricas que nos beneficiaram com situação invulgar de segurança. No passado 1º de março, aniversário do fim da Guerra da Tríplice Aliança, comemoramos 140 anos de paz ininterrupta com dez vizinhos, conquista provavelmente sem paralelos entre países de porte e número de vizinhos comparáveis aos nossos.
O próprio presidente Lula defendeu a tradição de autocontrole e moderação no que tange à resposta a dar a ações adversas da Bolívia, do Equador, do Paraguai, embora confunda cordura com a renúncia a acionar os mecanismos jurídicos de defesa de direitos. Ora, o fato de não ser potência nuclear nem militar, de não se comportar como os demais, longe de impedir, foi o fator que habilitou o Brasil a se tornar credor de crescente prestígio internacional. Esse patrimônio intangível de prestígio nasce em nosso caso não da potência, mas da cultura da paz. Naquilo que não é reflexo do tamanho e da economia, a irradiação brasileira é fruto do exemplo, da encarnação de valores morais. Por que então destruir essa reputação ao proteger e se confundir com os inimigos do reforço mundial dos direitos humanos?
A mesma pergunta se aplica ao nosso atual papel de concorrer para o enfraquecimento do regime internacional de não-proliferação nuclear ao recusar, sem motivo convincente, a adesão ao Protocolo Adicional do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Se o governo é sincero em acatar a adesão ao Tratado, efetuada pelo governo passado, se não tenciona violar a proibição constitucional de armas nucleares, por que adotar atitude cômoda de crítica aos defeitos inegáveis do TNP, sem utilizar sua reconhecida capacidade de proposição diplomática para sugerir modos de fortalecê-lo?
O general de Gaulle era coerente em sua estratégia de se inspirar apenas na grandeza da França, desafiando o mundo com os testes nucleares para edificar seu arsenal. O Brasil, porém, parece vacilar entre perseverar no caminho pacífico que lhe valeu o prestígio até agora ou passar a agir como aqueles que sempre criticou com razão. A não ser que a ambigüidade sobre proliferação esconda uma reserva mental para eventual reviravolta futura, em linha com o programa de armamentos dispendiosos como o submarino nuclear, os aviões caça e outros projetos recentes que evocam o fantasma do retorno aos sonhos de Brasil Grande Potência da ditadura (aliás, o argumento da soberania invocado às vezes para justificar os votos brasileiros no Conselho de Direitos Humanos é exatamente o mesmo brandido pelos militares no passado).
A miopia de um falso “realismo” concentrado em ganhos de prestígio sem maior substância acaba por levar ao desperdício de oportunidades de construir algo muito mais valioso. É o que se constata na área onde o Brasil teria melhores condições para reclamar o status de potência, o de potência ambiental. Graças às características da matriz energética e do seu baixo custo potencial de redução de emissões, o país poderia, sem afetar interesses econômicos relevantes, tornar-se símbolo de uma política pró-ativa como primeiro grande país em desenvolvimento a aceitar metas de redução. Em lugar de servir de instrumento à China e à Índia na resistência a avanços nas negociações sobre mudança climática, o governo brasileiro deveria voltar a desempenhar, como fez durante a grande conferência do Rio de Janeiro em 1992, o papel de intermediário e facilitador de um acordo histórico entre as nações avançadas e os países em desenvolvimento, o que significaria de fato uma vitória diplomática consagradora não só para o Brasil, mas para toda a humanidade.
9) Limitações do personalismo carismático
Não se discute que a diplomacia do governo Lula tenha possibilitado elevar exponencialmente o prestígio internacional do Brasil. Examinada, contudo, pelo critério rigoroso dos problemas resolvidos ou dos ganhos concretizados o balanço é indeciso, pois o prestígio não foi suficiente para realizar as aspirações brasileiras em relação ao Conselho de Segurança ou nas negociações da OMC. Tampouco logrou contribuir para pacificar as relações entre vizinhos sul-americanos, reforçar a convergência, não a divergência adicional em matéria de valores e práticas democráticas, superar os atritos comerciais recorrentes com a Argentina, revitalizar o MERCOSUL, celebrar acordos comerciais para neutralizar a falta de preferências no continente e no mundo, em outras palavras, para produzir resultados concretos e tangíveis.
Essa constatação chama a atenção para os limites do prestígio nas relações internacionais. Trata-se de elemento valioso, uma condição necessária na maioria dos casos, mas não suficiente. O prestígio não se deve transformar em objetivo narcisista em si mesmo, algo que se esgota na própria autogratificação. Somente terá sentido se for posto a serviço de projeto de nação que maximize a segurança, a paz, o bem-estar dos cidadãos, não metas nebulosas como a “grandeza” desacompanhada de benefícios concretos e valores morais.
À medida que o governo conseguiu superar sua insegurança inicial acentuou-se infelizmente a tendência à personalização na figura de Lula dos êxitos internos e exteriores. Com isso o Brasil se aproximou dos modelos de poder pessoal e populista que têm proliferado na América do Sul, com os quais, aliás, o presidente não esconde sua afinidade. É possível por isso que, desse ponto de vista, a experiência do governo Lula passe à história como um retrocesso em relação aos avanços em termos de institucionalização e impessoalidade do poder registrados na Nova República.
Jamais como agora teve o Brasil uma política externa tão inseparavelmente identificada, para o bem e para o mal, com a figura do Chefe de Estado, nem mesmo na época do Imperador D. Pedro II, quando a diplomacia já se distinguia pela institucionalidade. Mais até do que na insuficiência de ganhos efetivos, a principal falha da diplomacia do período Lula se situa justamente na ambigüidade dos valores morais e humanos, reflexo inevitável das contradições e incoerências de seu protagonista central. Há incontestavelmente muitas coisas de valor na política exterior do presidente que merecem ser valorizadas e preservadas ou, quando necessário, corrigidas e complementadas. Não se inclui entre elas a confusão entre personalidade e política, negação do espírito republicano e obstáculo a uma diplomacia que traduza não um projeto de poder pessoal ou de uma facção, mas o mais amplo consenso possível da nação como um todo.
Críticas:
Não se preocupando em edificar um consenso nacional em torno de temas de interesse nacional perdurável.
Quando e onde já existiu consenso nacional sobre algo? Nem nos EUA, que são considerados, “por alguns”, uma das maiores e mais fortes democracias do mundo, não existe isso. Talvez só as guerras, ou seja, momentos extremos, sejam capazes de criar consensos nacionais.
Dispondo-se a sacrificar interesses e direitos materiais a objetivos políticos no relacionamento com vizinhos e terceiros em geral (gás da Bolívia, reivindicações paraguaias, medidas protecionistas argentinas, prioridade exclusiva na negociação multilateral da Organização Mundial de Comércio).
Gás da Bolívia: Concordo, foi um momento de fraqueza.
Medidas protecionistas argentinas e OMC: Cabe ao Brasil, maior parceiro e, ao que parece, maior (alguns diriam o único) interessado no Mercosul, fazer concessões, mas nem isso nós estamos fazendo. Basta ler as notícias dos últimos meses para constatar que cada ameaça argentina recebe como contra-partida uma reação do Brasil, incluindo-se aí uma reação à última peripécia argentina: de favorecer os bens deles em detrimento dos nossos. Sobre a OMC: creio que a política do Brasil em relação aos acordos comerciais na OMC pouco mudou, incluindo o posicionamento geral nos debates da Rodada Doha.
Revela escassa sensibilidade aos temas clássicos do idealismo e dos valores morais nas relações internacionais: direitos humanos, defesa da democracia, interferência internacional para impedir o genocídio e crimes contra a humanidade, o esforço de evitar a não-proliferação nuclear, preocupação com os efeitos planetários e globais da mudança climática.
Não concordo, mas entendo. A visão do Brasil passou a ser mais pragmática e isso não é ruim, mas bom. Sair pelo mundo como um cruzado em busca de nossos valores morais é, além de “imperialista”, uma atitude que vai contra as noções o que é bom em termos de estratégia.
Peço que assistam ao “Pensadores (65)” (e também um Pensadores sobre Hiper-Potência, com Amy Chua – creio que seja assim que se escreva o nome dela), onde existe uma entrevista com um especialista em estratégia que mostra que a melhor forma de manter uma boa política internacional é exatamente respeitando os outros Estados (isso inclui não interferir nos assuntos internos, o que, por sinal, é um “mandamento” da própria Carta da ONU) e, assim, manter um equilíbrio como o estabelecido pelo Império Bizantino.
Preocupação com os efeitos planetários e globais da mudança climática.
É preciso trocar os óculos: o Brasil teve um papel de protagonista em termos de lide com o meio-ambiente, lembram-se da COP-15? O Brasil, além de comprometer-se a dar dinheiro para ajudar a resolver o problema (posição que foi mudada durante o decorrer dos debates), ainda comprometeu-se com metas de redução de desmatamento maiores que 30%. Não tenho os dados em mão, mas acho que os números chegaram a 39%.
Não vejo melhor forma de lidar com o tema do que o que fez o Brasil, incluindo o próprio presidente Lula (vide relato sobre sua atuação, presente nos discursos de formatura da turma do IRBR deste ano). Se existe alguém que não respeita “valores morais e idealismo” não é o Brasil.
[Acordo com Irã] Para isso, ele deveria ter sido precedido e acompanhado de consultas a esses países, dos quais teria de depender a implementação do acordo no Conselho.
O que foi a Carta de Obama senão exatamente isso?
Ademais, a própria atmosfera de triunfo desportivo que cercou a assinatura na capital do Irã, com os patrocinadores erguendo os braços em sinal de vitória, realçou no gesto os aspectos de desafio.
É interessante: quando sai uma notícia do tipo “vitória do Brasil” aí é desportiva, mas se não tivéssemos conseguido as notícias seriam “Brasil Fracassa vergonhosamente”, só que aí não seria considerada “desportiva”, mas realista, bem pesada, prudente, etc.
CONTRADIÇÃO: Sem ansiedades ou ativismos desnecessários, essa é a melhor postura para assegurar que o nome do Brasil se imponha consensualmente como aspirante irrecusável no processo de tornar o Conselho mais representativo das novas realidades internacionais.
Ué? Não era o mesmo autor que alguns parágrafos antes dizia que havia “escassa sensibilidade aos temas clássicos do idealismo e dos valores morais nas relações internacionais”?
Nosso ativismo foi em busca da paz (na forma de evitar-se uma guerra do “Ocidente” com o Irã) e não vejo problema nenhum nisso. Ativismo pró-paz: é disso que se trata a ONU! Como disse o Amorim: se for para sermos subservientes é melhor não ter assento permanente nenhum. (citação não literal)
Esse tipo de diplomacia (não só do Brasil) merece talvez o qualificativo de “gestual” no sentido de que a ausência de condições objetivas ou de resultados palpáveis é menos importante do que o gesto em si mesmo.
O que é a diplomacia senão em grande parte a ausência constante de resultados palpáveis e menos importantes do que o gesto em si mesmo? Além disso, existem muitos resultados palpáveis, principalmente na forma de orquestração da região em torno de temas de segurança, como os debates que aconteceram em reunião da UNASUL sobre as bases americanas na Colômbia (debate do qual o próprio Obama “fugiu”, mostrando que não se trata apenas de uma reunião social para manter as aparências).
A imprudente ingerência nas eleições bolivianas e paraguaias por motivo de simpatias ideológicas;
Concordo, também não acho bom um Presidente ficar dando “pitaco” sobre a política interna dos outros.
CONTRADIÇÃO: a reafirmação da mais estrita observância do princípio de não-ingerência nos assuntos internos dos vizinhos.
Entra em contradição com: Para que serve o Conselho de Defesa se não somos sequer capazes de adotar uma posição comum a respeito das guerrilhas das FARCs.
A questão da FARC é assunto interno deles e só pode ser tratado pelo Brasil como um risco para a paz na fronteira. Qualquer iniciativa de debate regional sobre o tema precisa de explícita aprovação colombiana. Isso é não interferir nos assuntos internos de outros países.
Entra em contradição com: autores dos piores atentados aos valores humanos nos dias atuais, na Coréia do Norte, em Sri Lanka, no Congo, no Irã, no Sudão do genocídio de Darfur.
Para julgar isso você precisa interferir nos assuntos internos de outros Estados.
De maneira geral, Lula e seus colaboradores no Itamaraty tiveram a possibilidade de admitir e valorizar, nos assuntos que apresentavam autêntica continuidade com o passado, a parcela maior ou menor, que teriam acaso herdado de governos anteriores, mas preferiram apropriar-se todo o mérito em nome do governo atual e de seu partido.
Concordo, o governo Lula tem sido um tanto injusto na hora de compartilhar as glórias das vitórias com os governos passados, mas a função do Itamaraty é obedecer ao governo, lembre-se que eles são burocratas.
São traços indiscutíveis desta fase política brasileira o abuso do protagonismo e o excesso de glorificação personalista, criando a impressão de que se depende cada vez mais das qualidades de desempenho do líder supremo. Aliás, a política externa não constitui exceção no panorama geral de um governo, cujos ministros são quase anônimos.
Venhamos e convenhamos: Lula é uma personalidade dentre poucas. Ele entrará para a história do Brasil ao lado de Getúlio Vargas por conta de seu “magnetismo” pessoal/político. Como disse o Obama “ele é o cara”. Isso não significa que ele seja perfeito, mas que ele tem “o dom” para a coisa.
É incompatível com esse objetivo a existência de uma “diplomacia paralela” do Partido dos Trabalhadores junto a governos ou movimentos ideologicamente afins, exercida por meio de contatos fora dos canais diplomáticos e emissários como o assessor de política externa da Presidência da República.
De fato, essa figura sempre foi vista por mim como problemática. Não o sujeito em si, mas o fato de existir alguém que interfira na transmissão e trabalho de idéias entre o Presidente e o Chanceler. É um cargo desnecessário, que poderia ser extinto.
[…] em matéria de conquista de acesso, os acordos bilaterais são geralmente mais eficazes que negociações longas e complicadas como as da OMC. Portanto, paralelamente à continuação do empenho brasileiro na Rodada Doha, conviria devotar tempo e esforços comparáveis a iniciativas menos ambiciosas, nas quais é possível alcançar resultados mais imediatos e tangíveis. Se nos últimos oito anos, em lugar de apostar tudo em Doha, tivéssemos dedicado mais energia e atenção a remover ou reduzir barreiras fitossanitárias às nossas carnes, frutas e vegetais frescos em mercados específicos, talvez tivéssemos agora resultados mais alentadores.
Não sou especialista em comércio, mas vamos em frente: qual o resultado de acordos bilaterais de comércio? Concessões bilaterais que, de acordo com as regras de NMF (Nação Mais Favorecida) devem ser expandidas a todos os demais membros da OMC. Ou seja: buscar acordos bilaterais é um luta entre dois atores com benefícios para todos os outros. Ora, porque lutar sozinho se podemos fazer o mesmo com um grupo enorme de países com os mesmos interesses e nas mesmas condições?
Não será fácil obter acordos desse gênero com grandes países, mas recomenda-se, com espírito aberto, explorar todos os caminhos comerciais possíveis, procurando não concentrar nossa diplomacia comercial exclusivamente no âmbito da OMC.
Até parece que a Rodada Doha pode ser “deixada para lá”, como se oportunidades como esse voltassem. Não, oportunidades como essa não podem ser perdidas. No futuro, caso isso aconteça, o que os países desenvolvidos falarão? Isso: “Ah, mas vocês já tiveram a rodada de vocês, esta agora será sobre… (algum tema de interesse deles).”
Do que hoje se denomina “soft” ou “smart power”, o poder suave, brando, o poder inteligente, a capacidade de persuadir pelo exemplo e os argumentos, em contraposição ao poder contundente dos armamentos ou da coerção econômica.
Errado. Esta é uma percepção que entra em conflito como a formulação teórica do que é SMARTPOWER. Smartpower não é SOFTpower, mas a utilização do hard e do softpower de forma “inteligente”, ou seja: variar entre a “porrada” e o “afago” de acordo com os interesses. É assim que afirma a mulher que formulou o conceito, Suzanne Nossel. Eu tinha feito uma tradução completa do longo artigo dela para a Foreign Affairs, mas a tradução perdeu-se por algum corrompimento do banco de dados do site (não sei a causa). Ela pode ser vista (parcialmente corrompida) neste artigo: http://www.politicaexterna.com/archives/965.
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