Política Externa Brasileira, Defesa, Desenvolvimento Nacional, Concurso do IRBr para Diplomata (CACD)

Arquivo do mês: setembro 2010

O Ministro Celso Amorim falou sobre a Guiné-Bissau, Sudão, Congo e sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

 

- Para ele, é necessária uma verdadeira solidariedade internacional. Há peso excessivo em sanções, mas é com ajuda e com engajamento que se resolverão os problemas, se não esses países podem cair em um ciclo vicioso de pobreza.

- No caso da Guiné Bissau, o governo precisa fazer a parte dele e para isso precisará de cooperação internacional.

- A CPLP pode ajudar, assim como o Brasil, mas a responsabilidade primária é da própria região.

- O Brasil ajuda bastante a Guiné-Bissau com projetos.

- O Consumo de energia da Guiné-Bissau é menor que o do prédio da ONU, com base nisso, Amorim questionou como um país pode viver em uma situação como essa e com exigências externas. Para resolver o problema, para ele, é preciso abordagem ampla, sem muitas pré-condições, na forma de solidariedade com alguns requisitos, mas desde que haja atuação respeitosa, lembrando que se trata de país independente e que tem problemas que deve resolver e que está disposto a resolver.

- Amorim afirmou que um prazo para reforma do CSNU é difícil de ser definido, ele acredita, porém que a mudança é necessária pois há desgaste da autoridade do CSNU.

- Decisões efetivamente levadas a sério requerem legitimidade e para isso ele [CSNU] deve ser representativo.

- Como discutir temas africanos sem ter um único país africano no CSNU? Perguntou Amorim. De acordo com ele, “não é possível, não é legítimo e aquilo que não é legítimo não se sustenta no longo prazo.”

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Programa Empire, da Aljazeera, pergunta se a ONU está ultrapassada ou se ela pode sobreviver aos desafios do século XXI.

 

 

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Por Daniel Cardoso Tavares

 

Em nota, o MRE informou que entre os dias 19 e 25 deste mês, uma missão brasileira foi a Portugal e Espanha ampliar o entendimento sobre o funcionamento de organizações criminosas que submetem brasileiros à exploração no trabalho e identificar a magnitude das questões de violência doméstica que afetam imigrantes brasileiras naqueles países.

A missão foi coordenada pelo MRE e contou com representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria Nacional de Justiça, do Departamento de Polícia Federal e do Governo do Estado de Goiás.

Foram identificadas fortes evidências de correlação entre o tráfico de brasileiros e o turismo sexual de estrangeiros em nosso país. Além disso, o controle severo a que são submetidos mantém muitos brasileiros sem informação sobre os benefícios trabalhistas e migratórios previstos nas leis daqueles países.

Como linha de correção, foi estabelecida uma rede local de assistência a vítimas brasileiras. Os Consulados-Gerais do Brasil em Porto, Madri, Lisboa e Barcelona veicularão na Internet números telefônicos de assistência a vítimas, assim como uma relação das entidades de assistência.

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Por Daniel Cardoso Tavares

 

Cupula América do Sul Países Árabes - ASPA

À margem da 65ª AGNU, realizou-se a II Reunião do Conselho de Chanceleres da ASPA (Cúpula América do Sul-Países Árabes). O Ministro Celso Amorim presidiu o encontro, junto com o Secretário-Geral da Liga dos Países Árabes, Amre Moussa.

O Brasil, como Coordenador Sul-Americano desse Mecanismo inter-regional, falou sobre o aumento do intercâmbio (que passou de USD 11 bilhões em 2005 para USD 26 bilhões em 2008), sobre o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Egito, sobre as negociações entre o MERCOSUL e o Conselho de Cooperação do Golfo e com Jordânia, Marrocos, Palestina e Síria, tratou a respeito do estabelecimento de novas Câmaras de Comércio entre as regiões, do aumento de conexões aéreas entre a América do Sul e os Países Árabes, da cooperação em matéria de desertificação em zonas áridas e sobre iniciativas desenvolvidas pela Biblioteca ASPA-Brasil na área cultural.

Mencionou-se, também,  a III Cúpula da Aspa, que acontecerá em Lima, em fevereiro de 2011, assim como a aproximação da ASPA com a UNESCO, por meio de Grupo de Contato. Além disso, anunciou-se que a IV Cúpula acontecerá na Arábia Saudita, em 2013.

(…)

Esqueceram o “C”: Cúpula América do Sul-Países Árabes = CASPA.

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Tradução por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: The Economist

 

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No último domingo, surgiu a história de que a ONU estava prestes a escolher uma astrofísica da Malásia chamada Mazlan Othman para liderar os esforços internacionais de resposta a visitantes do espaço. Como o artigo do Sunday Times explicou, Dra Othman é a chefe do Escritório da ONU para Assuntos do Espaço (UNOOSA).

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Porém, um artigo do Blog do Guardian News parece ter jogado um balde de água fria na história toda. O Guardian informa que a Dra Othman disse que “isso parece realmente legal, mas eu tenho que negar”. A Dra Othman foi citada dizendo que participará de conferência na semana que vem sobre como o mundo lida com “objetos próximos à Terra”.

Isso não pode estar certo a menos que a UNOOSA considere alienígenas como “objetos próximos à Terra” (como cometas e asteróides). O Guardian não entrou em contato com o autor do artigo original, mas deve-se deixar registrado que a Dra Othman deve ir à reunião na Royal Society na próxima segunda-feira sobre como a ciência e a sociedade respondem aos alienígenas. Se ela fizer um discurso sobre objetos próximos à Terra, será educadamente levada à câmara de teletransporte.

Mazlan Othman

A Dra Othman participará nesse debate de discussão sobre questões políticas da ONU que surgem da vida alienígena. Um dos co-painelistas, Frans Von der Drunk, discutirá o papel da ONU como representante da humanidade em “qualquer discurso inter-cósmico”. A programação não diz exatamente sobre o que a Dra Othman discutirá, mas não é preciso ir muito longe para especular se ela falará o mesmo que disse em janeiro sobre as consequência da descoberta de alienígenas.

Em uma versão de março do discurso que ela escreveu, quando os alienígenas chegarem “nós devemos ter um lugar para coordenar uma resposta que leve em consideração todas as sensibilidades relacionadas ao tema. A ONU é um mecanismo já pronto para tal coordenação.” É claro que ela proporá esse papel para sua própria agência, então porque negar isso?

Então, haverá um embaixador para alienígenas? As distâncias no espaço são tão vastas que as chances de que chegue qualquer coisa além de um sinal dos alienígenas é fantasticamente remota. Por outro lado, é mais provável que, se descobrirmos vida alienígena, ela esteja em alguma forma microbiana sob alguma pedra em Marte ou algum nos componentes químicos de algum planeta a centenas de milhões de anos de distância.

Ainda assim, outro problema é que já existe outro grupo internacional competindo pelo direito de lidar com um futuro contato alienígena. Dirigido por Paul Davies, um expert em astrobiologia da Universidade de Arizona, o Grupo de Tarefa Pós-Detecção SETI opera sob a égide da Academy of Astronautics, de acordo com a MSNBC.

Enquanto os cientistas brigam para saber quem entrará em contato com alienígenas, a verdade é que serão os líderes dos grandes países como os EUA e a China, não as agências internacionais, que terão a última palavra sobre quem dirá o quê. Além disso, se existe algum tema que mostra como a ONU é péssima na tarefa de estar no comando é esse. Se as tentativas de entrar em contato com a Dra Othman falharem, mande seu correspondente no dia seguinte, mas dessa vez com a cara pintada de verde e com três olhos, talvez consiga atrair alguma atenção.

 

 

Comentário inútil

Um vacilo atacar a Dra Othman. Os cientistas não gostam de gente, mas adoram alienígenas! Além disso, pode ter certeza que se alguma civilização conseguir chegar até aqui, já vai ter eliminado todas as frescuras de sentimentalismo e vai agir somente com base na razão, ou seja: nada melhor do que cientistas (INTJs) para o papel de diplomatas intergaláticos.

 

As distâncias no espaço são tão vastas que as chances de que chegue qualquer coisa além de um sinal dos alienígenas é fantasticamente remota.

Um civilização realmente avançada seria capaz de criar Worm Holes e encolher as distâncias, viajando em pouco tempo entre os extremos do universo ;) .

wormhole_graphic

Há um erro no vídeo. No caso do foguete, o relógio dele correrá mais devagar que na terra, não mais rápido. Ele está mais próximo da velocidade da luz, por isso irá mais devagar.

Cientistas Descobrem Planeta que Pode Abrigar Vida

O planeta chama-se Gliese 581G é feito de rocha, como a Terra, e está a 190 trilhões de quilômetros de distância. De acordo com cientistas, tem a temperatura ideal para a existência de água em estado líquido.

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Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: UOL; imagens http://j-j.co.za/?tag=stuxnet
Nota: Pegando o gancho da notícia que o Nicolas divulgou via Chat

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O Ministro responsável pela área de tecnologia da informação do Irã, Reza Taqipur, afirmou ontem (29) que os EUA tentam lançar uma guerra cibernética contra seu país.

Para ele, a infraestrutura do Irã é muito boa e o inimigo seria incapaz de causar sérios danos no ciberespaço iraniano. A informação surge após a confirmação de que o vírus industrial “Stuxnet” foi encontrado em notebooks de técnicos da usina nuclear de Bushehr, a mesma que recebeu material nuclear russo há poucas semanas. A previsão é de que a usina opere de forma plena em uma semana.

O diretor da Agência Iraniana da Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, informa que houve a necessidade de reforçar os sistemas de segurança nos últimos meses. A estimativa é que 30 mil endereços de IP de dezenas de indústrias tenham sido algo do Stuxnet. O vírus ataca o Sistema operacional Windows e pode “reconhecer o controle de uma rede e reprogramá-lo.”

Para especialistas europeus, o Stuxnet é muito sofisticado, “provavelmente foi criado por uma grande organização ou com a ajuda de algum governo, e que pode ser considerado uma das primeiras armas para a guerra cibernética.”

 

stuxnet no mundo

 

Stuxnet: o Primeiro Vírus do Mundo Voltado Para Guerra Cibernética

A versão em inglês da Wikipedia (não há entrada em português) informa que:

 

O Stuxnet é um worm (que tem capacidade de espalhar-se sozinho por uma rede) voltado para o sistema operacional Windows e que foi descoberto pela VirusBlokAda (firma de segurança de Belarus) em junho de 2010.

Este é o primeiro Worm que espiona e reprograma sistemas industriais. Ele foi escrito especificamente para atacar sistemas usados de monitoramento de processos industriais. Ele possui a capacidade de reprogramar os controladores lógicos programáveis (PLC) e esconder seus rastros.

É o primeiro Worm que inclui um rootkit (que permite acesso privilegiado a computadores sem que os administradores percebam). Também é o primeiro Worm voltado para indústrias críticas de infraestrutura.

A wikipedia informa que o alvo principal desse Worm são os sistemas de infraestrutura do Irã que usam os controles de sistemas da Siemens. Também acrescenta a informação de que seu uso atrasou a inauguração da usina de Bushehr.

A produtora de antivirus Kapersky (que produz um dos melhores antivírus do mundo) afirmou que o Stuxnet levará a uma nova corrida armamentista no mundo. “O Stuxnet pode fazer do Irã a primeira vítima real da guerra cibernética na história”, informa a Wikipedia.

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Como defender-se e remediar caso seja atacado pelo Stuxnet? Visite os seguintes sites para maiores informações: http://www.industrialdefender.com/ e http://findingsfromthefield.com/?p=480

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Fonte: http://collection-cockpit.com/ e divulgação via lista CACD-IRBR

 

A coleção foi lançada no dia 22 de setembro deste ano e retrata as batalhas e o drama humano da Guerra das Malvinas. O conteúdo é todo escrito em francês.

 

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Entrevista para a BBC no dia 28 de setembro de 2010. http://www.politicaexterna.com/14235/entrevista-de-celso-amorim-para-a-bbc-28-de-setembro-de-2010

 

Se fizermos mais, mereceremos mais.

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Por Daniel Cardoso Tavares

 

O Chanceler, Celso Amorim, falou ao programa "The World Today", da BBC. Em seu último dia em Nova York.

 

 

Ele falou sobre a questão do Irã e sobre o novo acordo em processo de discussão, que está sendo chamado de “Acordo de Teerã”, cópia do que foi feito pelo Brasil e a Turquia. Ele “brincou” dizendo que nós não vamos exigir direitos autorais.

Falou sobre as declarações de Ahmadinejad, dizendo que o Brasil já expressou que não concorda com alguns de seus pontos de vistas, mas que isso não pode ser impedimento para acordos baseados em fatos concretos.

Disse que, além de outros pontos, o trabalho do país na OMC também deve ser visto como um legado, já que acaba tornando claro que não pode haver mais um clube dos ricos, mesmo que as potências tradicionais não estejam acostumadas com a nova conjuntura.

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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

João Daniel Lima de Almeida é mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ

 

Não é trivial que, 98 anos após o falecimento do patrono da diplomacia brasileira –em pleno Carnaval, é bom lembrar– um chanceler tenha finalmente ultrapassado-o em tempo de permanência no cargo, ainda que de modo não-contínuo.

Ousar comparar os períodos do barão do Rio Branco (1902-12) e de Celso Amorim (1993-4 e 2003-10) há de levantar criticas. Críticas metodológicas, pois os puristas recusam a possibilidade de comparar períodos tão distintos da história nacional, e críticas político-ideológicas, naturais quando se tratam de personalidades vivas e atuantes, ainda mais se ombreadas a ícones, como é o caso do Barão. Ciente dos riscos, assumo a tarefa.

Três foram os principais desafios enfrentados pelo Barão do Rio Branco no período de sua chancelaria ao longo de quatro presidentes (Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca): 1) A rivalidade com os argentinos; 2) A defesa contra o imperialismo europeu; e, 3) A resolução dos problemas de limites brasileiros.

O primeiro problema permaneceria mesmo após sua gestão, e muitas das tentativas do Barão em equalizá-lo não deram resultados de curto prazo. Com nosso principal vizinho multiplicaram-se tensões comerciais, de imigração e até militares, como se viu no episódio do reaparelhamento naval do Brasil.

O segundo problema foi significativamente equacionado ao longo de sua gestão. Não desapareceu, mas diminui dramaticamente. O Brasil passa a ser respeitado na Europa e não se repetem episódios como o da ocupação brasileira da Ilha de Trindade pelos ingleses (1895) ou intervenção naval como a que ocorreu durante a revolta da Armada (1893) ou anos depois, na Venezuela (1902).

No episódio conhecido como "O Caso Panther", a maior potência militar do mundo, a Alemanha, pediu desculpas ao Brasil por ter desembarcado marinheiros em território nacional sem autorização. O Brasil de Rio Branco não seria tratado como uma colônia européia.

É no triunfo sobre o terceiro problema que repousam os louros e glórias de José Maria da Silva Paranhos Jr. Sucesso é pouco! Se até hoje falamos 1 barão para se referir a mil cruzeiros, se o nome da capital do Acre, da principal avenida do centro do Rio de Janeiro e da prestigiosa escola diplomática brasileira levam seu nome, se o carnaval de 1912 foi interrompido por sua morte, é sobretudo porque, graças a ele, o Brasil é o único pais do mundo que, tendo dimensões continentais, não tem problemas de fronteiras com seus vizinhos. Em menos de 10 anos todas foram negociadas de modo pacífico, sem recurso às armas.

Duas estratégias foram essenciais para estes sucessos: 1) O americanismo e 2) a diplomacia do prestígio. E são essas estratégias que permitem melhor a comparação entre o Barão e Celso Amorim, já que, é claro, nossos objetivos de inserção internacional mudaram em um século.

A construção de uma ‘aliança especial’ informal com os EUA, à época maior comprador do nosso café, permitiu ao Brasil se beneficiar pragmaticamente nas disputas regionais. A Doutrina Monroe norte-americana garantiria proteção diplomática e, eventualmente militar, contra o imperialismo. A neutralidade norte-americana garantiu que o Barão não tivesse que se preocupar com intervenções estadunidenses em nossas questões de fronteiras.

Exemplo paradigmático dessa estratégia foi o caso do Acre, arrendado pelos bolivianos à uma empresa de capital norte-americano (Bolivian Syndicate) foi indenizada pelo Brasil antes que isso pudesse chamar atenção do governo de Washington. Hoje, se o barão estivesse vivo, se aproximaria da China, da Índia, da África do Sul, que ocupam papel análogo de potências emergentes no cenário internacional. A diferença é que, no primeiro caso, havia assimetria clara de poder desfavorável ao Brasil. Hoje o Brasil quer fazer parte do clube de modo igualitário.

Já a "diplomacia do prestígio" ecoa até hoje na boca do nosso novo recordista do século 21. Superamos o "complexo de vira-latas". A melhora da imagem internacional do Brasil à época significou a abertura (ou reabertura, dado que Campos Salles, por economia de recursos havia fechado várias) de novas legações no exterior, além de estimular a criação de legações estrangeiras no Rio de Janeiro. Hoje o foco está na África e Ásia, onde cada nova embaixada (dezenas foram abertas) representa um voto potencial para as pretensões políticas brasileiras em foros multilaterais.

A participação do Brasil em conferências internacionais (como a famosa conferência de Haia, na qual Rui Barbosa foi nosso delegado), tendo o Brasil sediado várias delas guarda analogias com as variadas siglas (BRIC, IBAS, ASPA, CASA, etc..) e Gês dos quais o Brasil faz parte hoje. O primeiro cardeal brasileiro (Joaquim Arcoverde) e as amplas reformas urbanas e sanitárias da capital com Pereira Passos e Oswaldo Cruz para "civilizar" o Rio de Janeiro, a vitória no concurso de arquitetura na exposição de Saint Louis com o Palácio Monroe (desmontado no governo Geisel), guardam hoje paralelo importante com a conquista da sede da Copa e das Olimpíadas.

Política externa é política de Estado, não de governo. No Brasil, o Itamaraty é o mais perto que se conseguiu chegar de uma burocracia de tipo weberiano e isso é garantia de continuidades, mais que de rupturas, na história de nossa política exterior. É como guiar um transatlântico, onde correções de rumo devem ser planejadas cuidadosamente com o olhar em cartas e instrumentos cuja trajetória futura é o guia do presente, ao contrário do Jet Ski ou da lancha, escravas da conjuntura e dos metros seguintes.

Nesse leme, dez anos é muito tempo e os resultados de longo prazo. Se o barão serviu de paradigma por mais de meio século (seu legado durou, no mínimo, até a PEI em 1961), me parece que o atual modelo de inserção internacional brasileiro veio para ficar e guiará o Brasil no século XXI. Não como "vira-latas" do passado, ou como os rottweillers e Pitt-bulls americanos e soviéticos da guerra-fria, mas como um São Bernardo, grande e pacífico, respeitado por seus méritos e prestígio e não somente por sua força.

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