Ameaça à Usina de Belo Monte
Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: O Globo
Ontem, a Camargo Correa e a Odebrecht anunciaram que não participarão do leilão de concessão da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, em Altamira (PA). Elas, que haviam concretizado uma união para disputar a construção da megausina, alegaram conjuntamente que não há no edital "condições econômico-financeiras que permitissem sua participação na disputa". Odebrecht e Camargo Correa pressionavam o governo pela revisão do valor da tarifa-teto do leilão, de R$ 83 o megawatt/hora, e a adoção de um “alívio” ao chamado risco de submercado.
Há o risco de que, com a desistência, apenas um grande interessado participe: "o consórcio encabeçado pela Andrade Gutierrez, que se uniu à Vale, ao grupo Votorantim e à Neoenergia (que tem o Banco do Brasil e a Previ como acionistas)." Uma das formas pensadas para minimizar o desgaste político de haver um único interessado no leilão é a formação de um “consórcio fantasma”, com OAS, Queiroz Galvão, Alusa e Bertin.
O leilão em si também pode ser suspenso pela justiça. O MPF (Ministério Público Federal) no Pará pedirá a anulação da licença prévia da hidrelétrica, concedida em janeiro pelo Ibama. "Os procuradores da República do estado apontam afronta à Constituição, às leis ambientais e às resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)." Afirma-se, por exemplo, que a usina pode secar 100 quilômetros de rio, comprometendo a água e o alimento das populações locais.
“O MPF descobriu, analisando o material do Ibama, que os próprios técnicos do governo deixaram claro, em vários documentos, seu desconforto com a falta de dados científicos que garantissem a segurança ambiental do projeto. A pressa em conceder a licença atropelou não só ritos legais e princípios democráticos, mas atentou contra o postulado da precaução, essencial para evitar desastres ambientais”, diz a nota.
O ministro Márcio Zimmermann, do Ministério de Minas e Energia, defendeu a validade do processo, ressaltado que todos os aspectos foram analisados, sendo a licença prévia a maior prova disso.
Em uma sessão ontem na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a índia Rosane, da tribo Kaingang, defendeu que sejam realizadas mais audiências públicas no Congresso: — Os povos indígenas dizem que não querem Belo Monte e não estão sendo ouvidos.
Vídeo sobre a usina de Belo Monte




