(Vídeo) Nova Edição do Programa Brasileiros no Mundo
Programa Brasileiros no Mundo, com produção da TV Brasil Internacional. A Conferência de mesmo nome serve de ponte entre o governo e os brasileiros que vivem no exterior.
Dilma Já tem Agenda Internacional Agitada
Por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: Brasil Econômico
A agenda da presidenta Dilma já está cheia de convites para viagens ao exterior. Provavelmente Lula a levará consigo em todos os compromissos internacionais que tiver até o fim do mandato, essa seria uma forma de, como já vinha fazendo, fazê-la interar-se dos principais debates e interagir com outros presidentes.
Dentre tais compromissos, o mais relevante será a reunião do G20, em Seul, na Coreia do Sul, mas antes disso a presidenta passará em Moçambique, conforme reportagem que reproduzirei em breve.Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da presidência, teria recusado convite de Barack Obama, afirmando que o tempo de transição será curto.
Até o fim do ano, Dilma Rousseff ainda terá pela frente encontros como a reunião da Unasul, no dia 25 de novembro, na Guiana, e reunião do Mercosul, em dezembro.
Comentário
Recusado convite de Barack Obama, afirmando que o tempo de transição será curto.
É possível que ele tenha recusado o convite por conta da também recusa de Obama em vir ao Brasil durante o período de disputa eleitoral. De qualquer forma, independente de questões internas, que simplesmente não me dizem respeito, não achei um bom movimento.
Reservas Internacionais, Custos Versus Benefícios
Fonte: Estado de S. Paulo
Nathan Blanche
Na sua Carta de abril, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getúlio Vargas, chama a atenção para a relação custo/benefício do acúmulo de reservas internacionais pelo Banco Central (BC). Segundo o instituto, "com reservas um pouco acima de US$ 240 bilhões parece oportuno introduzir a questão de até que ponto esse nível é ou não excessivo". De fato a questão é pertinente e, devido a seu alto custo fiscal, a continuidade do acúmulo de reservas não parece mais benéfica à economia brasileira.
O objetivo de ter um colchão de reservas internacionais é poder suavizar os impactos nos ajustes do balanço de pagamentos em épocas de crise. Em momentos de "parada súbita" dos fluxos de capitais para um país, ocorrem forte depreciação da moeda local, alta de juros, queda do nível de atividade, desemprego, desorganização da produção no curto prazo, dada a escassez de financiamento, etc. Em regimes de câmbio fixo, os impactos são agravados pela ausência de mecanismos de ajustes automáticos na taxa de câmbio. Diante de ataques especulativos, há perdas imediatas de reservas para se defender a cotação da moeda.
Na crise de 2008, o Brasil, pela primeira vez, detinha dois fortes mecanismos de suavização e ajustes: reservas internacionais, cujo nível era 116% superior ao da dívida externa, e regime de câmbio flutuante. Naquele momento, ficou claro que as reservas eram mais que suficientes para lidar com a crise. A venda líquida de dólares pelo BC foi de apenas US$ 8,5 bilhões no mercado à vista, e a autoridade monetária também atuou via swap cambial, no valor de US$ 22,5 bilhões. Num sistema de câmbio flutuante, as necessidades de reservas são bem menores, pois o câmbio se ajusta, ficando para os agentes privados o risco e as perdas. Por exemplo, durante uma crise, os investidores perdem riqueza via queda dos preços de ativos e na conversão dos reais em dólares, em razão da depreciação da moeda. Na crise de 2008, a riqueza em bolsa foi reduzida em 58,9% e o câmbio mostrou depreciação de 60%.
Mas qual o nível ótimo de reservas a ser mantido por um país, uma vez que o custo desse seguro é elevado? Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que países emergentes mantenham reservas em torno de 10% do PIB, o que no caso brasileiro significa cerca de US$ 160 bilhões. Como parâmetro, as nossas reservas são 2,7 vezes superiores à dívida externa do setor público, de US$ 94 bilhões.
Outro indicador relevante para avaliar a solvência externa é a relação entre as reservas e a dívida externa. Nesse quesito, o Brasil tem boa vantagem comparativa em relação a outros países (excluindo a China). Estes porcentuais são de 53,8% para a África do Sul; 5% para a Austrália; 6,5% para o Canadá; 7,7% para a Noruega; e 88,9% para o Brasil.
Apesar das vantagens, não se pode ignorar o elevado custo fiscal do aumento das reservas, num contexto em que os seus benefícios já são marginais. O custo das reservas sem variação cambial deve passar de R$ 14,3 bilhões, em 2006, para R$ 28,7 bilhões, em 2010. Entre meados de 2009 e maio deste ano foram adicionados US$ 38 bilhões às reservas. Nesse período, o prêmio de risco medido pelo Credit Default Swap (CDS) ficou estável em 132 pontos, evidenciando a inexistência de efeito redutor do prêmio em razão do incremento de reservas.
Dessa forma, pode-se entender que, além do objetivo explícito de acúmulo de reservas, há a finalidade de se controlar o movimento de apreciação da taxa de câmbio. O fato é que o influxo de dólares continuará, o que deve sustentar um saldo positivo do balanço de pagamentos. A questão, então, é o que fazer com o superávit do balanço de pagamentos ? necessário para financiar o crescimento ?, uma vez que o acúmulo de reservas por si é muito custoso para os cofres públicos.
Existem alternativas como amortizar a dívida externa do Estado e aumentar a abertura da economia. O nosso fluxo de comércio é próximo a 20% do PIB, enquanto na maioria dos países emergentes essa taxa supera 35%. Com o atual nível de globalização, um maior grau de abertura constitui um forte instrumento para aumentar a produtividade e a competitividade tanto externa quanto interna de nossos produtos. Concomitantemente, pode-se melhorar o uso e a gestão das reservas atuais e dos influxos futuros, a exemplo de países como Chile, Noruega e Canadá.
Nesses países, superávits fiscais são aplicados, por meio de um fundo soberano, em mercados financeiros e em categorias diversas de ativos. Mas a origem dos recursos é o excedente das contas públicas, algo a ser perseguido pelo Brasil, que ainda tem déficit nominal.
No caso do Fundo Soberano do Brasil, os recursos poderiam ser usados para financiamento de exportação ou importação por meio de bancos locais, aplicando-se critérios de preços e risco de mercado, mas não como instrumento de desenvolvimento com juros subsidiados. O primeiro e mais importante passo seria a geração de superávits fiscais, que pudessem ser utilizados na compra de excessos de dólares.
A melhor forma de lidar com o excedente de dólares, portanto, é promover mudanças mais estruturais que resultem numa maior liberalizarão das normas cambiais e abertura comercial do País, que, em última instância, signifiquem maior e melhor alocação dos excedentes cambiais.
É Preciso Uma Nova Ordem Internacional
Fonte: Estado de S. Paulo
Os esforços do Brasil e da Turquia para encontrarem uma solução negociada do impasse em torno do programa nuclear do Irã precisam ser vistos dentro do contexto de um desafio crescente à ordem política internacional.
Desde o final da 2ª Guerra Mundial, essa ordem política vem sendo dominada pelos Estados Unidos, com a Europa como parceira subordinada. A substituição do G7 (ou G8) pelo G20 é uma mudança importante, mas simbólica.
As alavancas do poder -como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial- ainda são controladas mais ou menos como eram quando foram criadas em 1944: pelo Departamento do Tesouro dos EUA, com alguma participação de potências europeias.
Do mesmo modo, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que têm poder de veto sobre as decisões mais importantes das Nações Unidas, ainda são os aliados vitoriosos da 2ª Guerra, mais a China.
Após breve período de diálogo, a gestão Obama reverteu à política externa da administração Bush com relação ao Irã -e já o fez com relação à América Latina. Trata-se de uma política de ameaças e sanções aumentadas contra o Irã, o que intensifica o risco de confronto.
Contrastando com isso, Brasil e Turquia continuaram pelo caminho anterior e breve de diplomacia propugnado por Washington e fecharam um acordo semelhante ao que foi defendido/proposto pelos EUA em outubro.
Pelo acordo, o Irã enviaria 1.200 kg de urânio pouco enriquecido à Turquia. Após um ano, o Irã receberia 120 kg de urânio para seu reator de pesquisas médicas.
Segundo a Federação de Cientistas Americanos, as diferenças entre o acordo mediado por Brasil e Turquia e o proposto em outubro são pequenas. Apesar disso, a administração Obama está seguindo adiante com seu plano de aumentar as sanções contra o Irã.
Contrastando com isso, na sexta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse esperar que o acordo “possa abrir a porta para uma solução negociada”. Brasil e Turquia já conquistaram uma vitória importante pelo fato de terem assumido a liderança nesta questão. Mostraram ao mundo que é possível obter avanços por meio da negociação.
É claro que, como dizemos em Washington, nenhuma boa ação passa impune. A mídia ocidental, incluindo a maioria dos grandes veículos de mídia da América Latina, tende a fazer a cobertura das relações internacionais desde a perspectiva dos EUA.
Como Washington vem satanizando o Irã, a mídia ocidental apresenta uma visão exagerada e unilateral do país, mostrando-o como ameaça ao mundo. Aqueles que apoiam um mundo mais multipolar são acusados de serem “antiamericanos”.
Mas, como mostra a diplomacia Brasil-Turquia, um mundo multipolar ajudará a reduzir o risco de guerra. É como passar de uma ditadura para uma democracia. E, na arena internacional, ela está abrindo a porta a um papel maior do Estado de direito, da diplomacia e a um maior progresso social.
MARK WEISBROT é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington (www.cepr.net) e também presidente da Just Foreign Policy).



