Ahmadinejad não Descarta Retomada das Negociações com Grandes Potências
Por Silvana Guerra
Fonte: AFP
O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou hoje (23/1) que não descarta a possibilidade de retomar novas conversas com as grandes potências sobre a questão nuclear. Sua afirmação foi feita durante um discurso em Rasht, noroeste do Irã, um dia após o término das negociações entre o Irã e os representantes da União Europeia e do Grupo P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, e mais a Alemanha) sobre o programa nuclear iraniano, realizadas em Istambul.
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As reuniões terminaram em um impasse, e apesar dos resultados terem sido uma decepção, como mencionado pelas grandes potências, o Presidente iraniano afirma considerar que as condições estão reunidas para se alcançar bons acordos em futuros encontros, caso os demais países demonstrem “respeito e justiça com o Irã”, e ressaltou que o tema não pode ser resolvido em apenas algumas encontros.A representante da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, e intermediária das conversações disse que “as portas permanecerão abertas”. Não há outra data prevista para um novo encontro.
Tradução: “Será que Entendemos Tudo Errado a Respeito de Ahmadinejad”?
Tradução por Daniel Cardoso Tavares
Fonte: http://www.theatlantic.com/international/archive/2011/01/do-we-have-ahmadinejad-all-wrong/69434/
Será possível que o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que sempre foi visto como a força liderando os linhas-dura e políticas repressivas, seja, na realidade, um reformista que tenta liberalizar, secularizar e, até mesmo, “Persianizar” o Irã? Ele estaria sendo obstaculizado pelas facções mais conservadoras do país?
Esta é a surpreendente impressão que se tem depois de ler as últimas revelações da Wikileaks, que retratam Ahmadinejad como aberto para fazer concessões sobre o programa iraniano e muito mais flexível sobre as demandas iranianas por maiores liberdades do que a maioria jamais tenha pensado? Dois episódios em particular merecem especial escrutínio, não apenas por conta do que revelam sobre Ahmadinejad, mas pela luz que lançam sobre a questão de quem realmente manda no Irã.
Em outubro de 2009, o negociador chefe de Ahmadinejad, Saeed Jalili, trabalhou por um compromisso com os representantes das potências mundiais em Genebra sobre o controverso programa nuclear iraniano. Contudo, o acordo, no qual o Irã concordava em entregar todo seu suprimento de uranio levemente enriquecido para a Rússia e a França processarem, fracassou quando não foi possível conseguir apoio suficiente do parlamento iraniano, o Majles.
De acordo com os documentos secretos dos EUA, divulgados pelo Wikileaks, Ahmadinejad, apesar de todo o seu discurso acalorado sobre o direito iraniano de ter um programa nuclear, ardentemente defendeu o acordo de Genebra, que deixaria o Irã sem material suficiente para fabricar uma arma nuclear. Porém, dentro do geralmente opaco governo de Teerã, ele ficou frustrado ao ter que negociar o acordo com posicionamentos, tanto à esquerda quanto à direita, que viam o mesmo como uma “derrota” para o país e que viam Ahmadinejad como, nas palavras de Ali Larijani, orador do Majles, “enganado pelos ocidentais”.
A despeito da oposição de ambos os lados, Ahmadinejad, agora sabemos, continuou a defender o acordo nuclear como um passo positivo e necessário para o Irã. Em fevereiro de 2010, ele reiterou seu apoio ao acordo de Genebra dizendo que “não há problema em permitirmos que eles peguem nosso urânio para processamento”. Em junho, muito depois de todas as partes terem abandonado o acordo de Genebra e do governo iraniano ter tomado um posicionamento público muito mais firme sobre seu programa nuclear, Ahmadinejad ainda tentava ressuscitar o acordo. “A Declaração de Teerã ainda está viva e pode ter papel nas relações internacionais mesmo se as potências arrogantes (ocidentais) estiverem desgostosas e irritadas”, ele declarou. Até mesmo em setembro, Ahmadinejad ainda falava que “existe uma boa chance de que as conversações prosseguirão no futuro próximo”, a despeito de afirmações em contrário do Líder Supremo do Irã, Ayatollah Khamenei.
A segunda revelação do Wikileaks é ainda mais marcante. Aparentemente, durante a acalorada reunião de segurança em 2009, em momento crítico de protestos populares no Irã sobre a disputa presidencial, Ahmadinejad sugeriu que talvez o melhor caminho para lidar com os protestos fosse abrir para maior liberdade pessoal e social, incluindo maior liberdade de imprensa. Enquanto a sugestão parece extraordinária, vindo como vem de um homem amplamente visto pelo mundo como um força instigadora por trás da virada em direção a maior repressão, o que é realmente incrível sobre a história é a resposta dos militares presentes na sala. De acordo com o Wikileaks, o Chefe de Pessoal da Guarda Revolucionária, Mohammed Ali Jafari, deu um tapa no rosto de Ahmadinejad bem no meio da reunião, gritando: “você está errado”, “foi você quem criou essa confusão! E agora você ainda diz para darmos maior liberdade à imprensa?”
Juntando as peças, as revelações pintam um cenário no qual o Presidente do Irã é um homem cujas decisões políticas internas e externas – seja a respeito de suas visões sobre os direitos das mulheres ou sua ênfase na herança Persa – estão em clara contradição não apenas com sua imagem no ocidente, mas com as visões e opiniões dos conservados do establishment iraniano.
Pegue, por exemplo, os comentários de Ahmadinejad em junho de 2010, quando ele publicamente condenou a crítica às mulheres jovens por cobrirem-se de forma “inapropriada”, uma queixa comum entre os iranianos. “O governo não tem nada a ver com isso [o véu das mulheres] e não interfere nesta questão. Consideramos que é um insulto quando um homem ou uma mulher que andam pelas ruas são perguntados sobre seu relacionamento. Ninguém tem o direito de perguntar isso.” Ahmadinejad até criticou “a dura política adotada pela polícia moral (ou polícia da moralidade)”, e recomendou o lançamento do que ele chamou ser uma “campanha cultural” contra “as interpretações sobre a vestimenta islâmica que forem consideradas impróprias pelas autoridades”.
Em resposta a essas declarações, o líder do establishment clerical no Majles, Mahammad Taghi Rahbar, repreendeu Ahmadinejad severamente. “As que votaram em você foram aquelas totalmente cobertas por véus”, disse Rahbar. “As ‘verdes’, que se cobrem de forma errada, não votaram em você, então é melhor considerar que o que satisfaz a Deus não está satisfazendo a um tanto de pessoas corruptas.” O ultra-conservador líder do Conselho dos Guardiães, Ayatollah Ahmad Jannati, também criticou a postura de Ahmadinejad sobre a polícia moral. “Traficantes de drogas são enforcados, terroristas são executados e ladrões são punidos por seus crimes, mas quando diz respeito à lei de Deus, que está acima dos direitos humanos, [algumas pessoas] ficam paradas e falam sobre programas culturais.”
Os comentários do Ayatollah Jannati refletem a crescente cisão entre o presidente e o establishment religioso do país, talvez melhor exemplificada pela decisão sem precedentes de Ahmadinejad de deixar de ir às reuniões do Conselho de Conveniência, cujos membros representam o interesse da elite clerical iraniana. Ahmadinejad depois questionou o próprio conceito de domínio clerical no Irã, levantando controvérsia em Teerã e trazendo a ira do poderoso establishment religioso. “A administração do país não pode ser deixada para os líderes religiosos, os estudiosos da religião ou outros clérigos”. Declarou Ahmadinejad, satirizando seus rivais religiosos por “correrem para Qum [capital religiosa do Irã] sempre que precisavam de instruções”.
As fortes opiniões de Ahmadinejad tiveram eco em seu assessor mais próximo e chefe de gabinete, Esfandir Rahim Mashaei. “Um governo islâmico não é capaz governar um país grande e populoso como o Irã”, disse Mashaei. “Governar um país é como um corrida de cavalos, mas o problema é que [o clero] não é composto pelos cavaleiros.” Tenha em mente que levar à frente posição tão anti-regime e anti-clerical pode ser considerado um crime no Irã, que pode ser punido com a morte. E, mesmo assim, parece ser parte de um grande empenho de Ahmadinejad e seu círculo para mudarem a natureza da República Islâmica. De fato, Ahmadinejad parece seguir o que Meshaei chamou de “escola iraniana de pensamento, ao invés de escola islâmica de pensamento” no Irã. Uma escola que lembra o passado Persa do país, buscando inspiração especial no antigo rei Cyrus, o Grande.
Enquanto muitos iranianos – em particular aqueles que apoiaram o rival de Ahmadinejad nas eleições de 2009, Mir-Houssein Mousavi, que frequentemente utilizava o imaginário da Pérsia antiga durante sua campanha – compartilham exatamente o mesmo ponto de vista, os conservadores e o establishment religioso iraniano definitivamente não o fazem. “O presidente deve ter em conta que ele é obrigado a promover o islã e não o antigo Irã”, gritou um dos membros do parlamento, “e se ele falhar em cumprir com sua obrigação, perderá o apoio daqueles que sustentam e confiam na nação islâmica do Irã”.
Até o mentor espiritual de Ahmadinejad, o Ayatollah Mesbah-Yazdi, criticou a noção de enfatizar o passado Persa do Irã, condenando aqueles que apoiam tal visão como sendo “não camaradas; não temos amizade permanente com ninguém, mas apenas com os que seguem o Supremo Líder Ayatollah Khamenei e o Islã,” disse Mesbah-Yazdi. “Por acaso o Imã Khomeini deixa de falar islã para falar em Irã”?
Pode parecer chocante para o observador casual ou dedicado que o bombástico Ahmadinejad possa, por trás de portas fechadas em Teerã, estar tendo um papel de reformador. Afinal, este é o homem que, em 2005, gerou revolta no ocidente ao sugerir que Israel deveria ser “varrida do mapa”. Contudo, mesmo isso mostra nosso conhecimento limitado sobre ele e o contexto, assim como sobre o próprio Ahmadinejad. A expressão “varrer do mapa” significa “destruir” em inglês, mas não em Farsi. Em Farsi, não significa que Israel deva ser eliminado, mas que as fronteiras políticas devem literalmente ser apagadas de um mapa físico e substituídas por aquelas da Palestina histórica. Isso provavelmente não o fará ter fãs nos círculos políticos norte-americanos, mas a distinção, que foi em grande parte perdida no entendimento ocidental sobre o presidente iraniano, é importante.
Como sempre, tanto Ahmadinejad, o homem, quanto o governo que ele ostensivamente lidera resistem a cada caracterização. A verdade é que a natureza opaca do governo iraniano e o sistema político profundamente fraturado tornam difícil desenhar qualquer conclusão simples ou clara. Não é óbvio se Ahmadinejad é guiado por legitimo desejo de reformar ou apenas interesses políticos táticos. Contudo, se você se opõe ao governo dos Mullahs, busca maior liberdade social e política para o povo iraniano e procura inspiração nas glórias do passado Persa, então, acredite ou não, você tem mais em comum com Ahmadinejad do que jamais pensou.
Comentário
Agora, finalmente, parece que o Wikileaks está mostrando como ele foi injustiçado.
O episódio em que ele quase chora durante a sessão da ONU sobre desigualdade racial (Revisão da Conferência de Durban, em abril de 2009), logo depois de ser hostilizado publicamente por “ativistas” e também, na mesma sessão, de ter visto dezenas de representantes de países “superiores” abandonando a sessão, foi muito expressivo. De fato, eu até fiquei apreensivo, pensando que ele fosse chorar em público, mas o cara conseguiu segurar a barra.
Obviamente só vai saber disso quem assistir o vídeo inteiro, pois a mídia tradicional não vai querer afirmar que ele é uma boa pessoa, ela precisa de um entendimento errado para levar uma guerra (ou coisa que o valha) adiante.
Veja o vídeo supracitado, usando o Real Player (http://brazil.real.com/realplayer/): http://webcast.un.org/ramgen/ondemand/conferences/DurbanConference/2009/durban090420pm1-eng.rm?start=00:05:30&end=00:39:30. (se der algum problema, retirem tudo o que estiver depois do “rm”)
OU então, veja o post original, de abril de 2009: http://www.politicaexterna.com/1989/o-presidente-do-ir-falou-o-pessoal-saiu-e-o-brasil-o-que-tem-a-dizer#more-1989
Timeline do vídeo:
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Por volta de 12:45, os representantes de vários países “superiores” deixam a sala. (Ahmadinejad tinha acabado de criticar a instalação de Israel no território da Palestina. Nada de mais, por sinal. Por falar nisso, o representante da Palestina, que veio depois, fez um discurso muito mais duro que o de Ahmadinejad. O vídeo do discurso dele, assim como o do representante brasileiro — o discurso brasileiro foi bem pesado também, recebeu muitos aplausos e inclusive criticou o fato de Obama simplesmente não ter ido a Conferência Sobre Racismo — estão no link de cima.
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Em 15:28, algumas pessoas protestam e em 15:40 ele quase chora.
Irã faz Protesto Contra Crítica da Presidenta Dilma Rousseff
Por Silvana Guerra
Fonte: O Estadão
O Governo iraniano registrou seu protesto contra as críticas do Governo Dilma Rousseff em relação aos direitos humanos no Irã, por meio de um telegrama diplomático emitido no último dia 10 de janeiro.
De acordo com diplomatas brasileiros em Teerã, um Assessor Especial do Presidente iraniano telefonou para o Embaixador brasileiro no Irã, Antonio Salgado, para manifestar o incômodo gerado pelas repetidas declarações de autoridades do novo Governo brasileiro sobre a política de direitos humanos adotada pelos iranianos. O Assessor pediu ainda que o Embaixador transmitisse ao Itamaraty sobre o desconforto.
Ano passado, Dilma Rousseff deu entrevistas criticando a decisão do Brasil na ONU em abster-se de votar a favor de uma condenação às violações de direitos humanos no Irã, e disse que o país adota práticas medievais quando se trata de mulher. No último domingo, em entrevista à revista Veja, o Chanceler Antonio Patriota seguiu a mesma linha.
É a primeira consequência formal desde que a Presidenta Dilma Rousseff assumiu o poder. O Governo de Mahmoud Ahmadinejad aponta para uma mudança no posicionamento da política externa brasileira em relação ao Irã. Anteriormente, o Brasil não interferia nas questões de direitos humanos adotadas pelo país, e com a atual Presidenta brasileira, a posição mudou.
Globo News Painel (Especial): Entrevista Completa com Ahmadinejad + Debate
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad deu uma entrevista exclusiva para William Waack. Ele afirmou que pretende fazer acordos bilaterais com o Brasil para atender necessidades econômicas.
Depois de assistir a entrevista de Willian Waack com Mahmoud Ahmadinejad, especialistas debatem sobre os pontos mais importantes. Dentre eles, o programa nuclear do Irã.




